terça-feira, 27 de março de 2012
“Countdown”
“Countdown”
O que destaco hoje em termos de memória
televisiva não é uma série mas poderia muito bem ser considerado como tal, já
que “Countdown” era emitido em todas as tardes na extinta “Europa TV” via “RTP2
e tinha uma legião de fãs que não perdiam um único “episódio”.
A “Europa TV” pretendia ser uma rede Europeia de
televisão (nunca o conseguiu) mas, se bem me lembro, o que de melhor por lá
teve foi mesmo o “Countdown”, o programa
apresentado pelo idolatrado loiro Norte-Americano que recebia mais cartas de
Portugal do que do resto da Europa, Adam Curry.
Tratava-se de um “Top” com subidas, descidas e
apresentação de telediscos, uns mais famosos do que outros, mas todos vistos
com máxima a atenção, por serem emitidos no programa mais “amado” pela
juventude daquela década de 80. Também tinha actuações ao vivo precedidas de
entrevistas (não traduzidas, se bem me lembro).
“Cowntdown” transformou-se num sucesso Europeu
(Portugal era talvez o seu maior fã), ao ponto de conseguir a presença das
principais estrelas da altura, como demonstra o vídeo em anexo… O sucesso
manteve-se até ao dia em que, infelizmente, Adam Curry anunciou duas coisas: o
final do programa (o apresentador foi para a “MTV” em 1987) e uma nova banda,
os “Europe”, com uma canção (The final countdown) que tinha tudo a ver com o
programa e principalmente com aquele desfecho, com aquele adeus que ficou
enraizado na memória de milhões de jovens.
Quem ficou orgulhoso de ver a Lena D´Água a passar
no programa?
Quem ficou estupefacto com o vídeo da Sabrina onde
se via um mamilo?
Quantas meninas se apaixonaram pelo apresentador?
Quem assume chorou com o fim do “Countdown”?
Muitos, certamente.
Eu, por exemplo, fiquei tão triste que acabei por
ir a correr a uma (já extinta) famosa loja de discos comprar o tal single dos
“Europe” (tinha chegado naquele mesmo dia a Portugal). E, das milhares de vezes
que o ouvi (e ainda ouço,) recordo sempre um dos programas televisivos que mais
me marcou, o eterno “Countdown”.
Ainda hoje há quem chame “The final countdown” a “Countdown”, mas
“Countdown” só há um, ou melhor, houve.
Francisco Moreira
sábado, 24 de março de 2012
Capas de Escola
"Capas de Escola"
A escola tinha muito mais piada no “Secundário”, naquela altura em que se aprendia imenso… E não me estou a referir às disciplinas mas sim ao “trinca-cevada”, ao “molha-a-sopa”, às faltas em grupo, às idas para o café para ver os jogos do Benfica às quartas-feiras à tarde, às matinés nas discotecas para tentar dançar os “hit´s” que vendiam imenso “lá fora”, aos “troços” bem e mal tirados, às férias grandes que nunca mais acabavam e a tantas outras coisas… Sem esquecer, claro, as capas de escola que nos acompanhavam de 2ª a 6ª feira…
No fundo, esse objecto que deveria ser a melhor das ferramentas para se tirarem quatros, cincos e evitar as “negas”, mereciam, por parte dos mais criativos, um destaque especial. Ou seja: encaderna-las, às capas.
A revista “Bravo” foi, sem dúvida, a grande fonte de recolha de imagens a cores que recortávamos, conjugávamos, colávamos e plastificávamos, para poder exibi-las orgulhosamente nos intervalos e nas esperas pelo autocarro. E foram muitos os que adoptaram a mania das capas exclusivas, fosse com assinatura própria ou com assinatura emprestada por outros.
Não me esqueço da capa que mais gostei de exibir, principalmente por, na minha opinião muito suspeita, ser a mais original da escola Secundária de Valadares (Gaia) e a mais original de todas as tantas que encadernei, inclusive para outros, e foram muitas.
Mas, afinal, o que tinha essa capa de escola de tão especial para merecer tanto alarido?
Bem, esta capa foi encadernada com a capa do álbum “Under a blood red sky” dos “U2”, um “EP” ao vivo que vendeu que se fartou depois do “Live Aid” de 1985.
E lá andava eu, no alto dos meus 16 anos, a mostrar a capa a todos e a mais alguns, inclusive àqueles que nem sabiam quem eram os “U2” e muito menos que aquele disco continha o polémico “Sunday, bloody Sunday”, com quem se iriam cruzar ao longo da vida, certamente.
Como foi possível estragar uma capa de um disco tão “importante” por causa de uma capa de escola?
Bem, lá vou confessar pela primeira vez. Quando vi o “Live Aid” na “RTP”, sem perder tempo, fui à “Palladium” (Staª Catarina) comprar todos os discos à venda dos “U2”. Consegui levar para casa o “October”, “Unforgattable Fire” e o tal “Under a blood red sky”. Só que, num determinado dia, por acidente, parti o vinil, vendo-me obrigado a comprar outro.
O que fazer com a capa do disco partido?
Nem mais! Dar nas vistas usando-o de maneira muito original como capa para a capa da escola.
Foi um sucesso tão grande que, desde essa capa, que me lembre, nunca mais encarnei nenhuma (para mim), já que entendi que aquele tinha sido o expoente máximo naquela tarefa de dar imagem e cor à matéria mais cinzenta do meu “Secundário”, a Matemática.
E, já agora, por falar em dar cor, e em jeito de curiosidade, registem que todas as minhas capas de escola faziam sucesso não só pelo que exibiam no seu exterior mas sim (e também) pelo que “escondiam” no seu interior: recortes de fotografias de lindas mulheres nuas retiradas às revistas “Newlook”.
Kiko
quinta-feira, 22 de março de 2012
Fórmula Sameira
Fórmula Sameira
“E quem vai à frente é Alain Prost nesta última volta do Grande Prémio do Mónaco… Faltam 3 curvas para a bandeirada final… E eis que Nelson Piquet se aproxima, colocando-se do lado direito do piloto Francês… ”
Longas e felizes foram as inúmeras tardes de Domingo na praia de Miramar, em Vila Nova de Gaia…
De barraca alugada ao mês, a umas dezenas de metros do mar, lá estava eu, sozinho com a minha Mãe, entretendo-me horas a fio naquele areal sem aglomerados de gente, em paz.
Um pouco mais a norte dessa barraca de sempre, junto à delimitação para com o campo de golfe, sentia-me dono e senhor de mim, dono e senhor do tempo, dono e senhor do brincar sem brinquedos, porque já não tinha piada fazer "castelos na areia"… E, para me divertir, era necessário espaço e nada de interrupções ou pegadas que estragassem aquela obra de arte: uma pista de “Fórmula 1” feita especialmente para cada tarde (cada dia, cada pista, cada pista, cada prova, cada prova, cada desfecho, ou talvez não).
As cadeiras de madeira da barraca da Dª Ilda eram a ferramenta perfeita para, com elas, fazer uma pista com “s’s” e mais “s's”, com rampas e mais rampas, e lisa, bem lisa, claro, porque os carros tinham que aplicar a sua imensa velocidade, tinham que bater recordes e dar nas vistas, mesmo que ninguém os quisesse ver, mesmo que nenhum outro “catraio” com 10 ou 11 anos quisesse competir comigo… Não era problema. Mais “ficava” para mim!
Quando entrava em pista, já tinha coleccionado os “bólides” que, até então, estavam estacionados ao "Deus dará" dentro e fora do barracão que funcionava como café, restaurante, loja de praia e casa-de-banho. Os carros, sublinhe-se, não recorriam a extras e eram todos diferentes, sempre em plano de igualdade, já que era importante "que vencesse o melhor", mesmo sendo eu o produtor, realizador, relatador, todos os pilotos e o público, quando me lembrava.
Os carros, velozes, sem ferrugem, tinham as marcas do costume: “Sumol”, “Pedras Salgadas”, “Coca-Cola”, “Sagres”, “Laranjina C” e o que mais viesse à “rede”… E, quando chegava a hora, parava tudo naquele silêncio de sempre, porque lá estavam eles, asseados, alinhados, prontos para mais uma série de voltas àquela pista gigante, naquela praia Portuguesa que ainda (só) sonhava em receber os “Fórmula 1” no meu País, lá para o Estoril, quem sabe!...
“E faltam 5 voltas… Alain Prost mantém-se na frente… Enquanto Nelson Piquet acaba de mudar os 4 pneus… Quem irá ganhar? Quem levará a taça? E lá vai Piquet... E ultrapassa o piloto Francês… Vai ganhar, vai ganhar… e vai sagrar-se campeão de Fórmula 1 com o seu Brabham,… Ganhou! Nelsssooonnn Piquuueeetttt…“
Foram várias as discussões entre mim e a minha pessoa, por não concordar com o favoritismo que entregava de mão beijada ao piloto que, não sendo Português, era como se fosse, ou era mesmo, porque assim tinha que ser…
Horas depois - e ao chamamento da minha mãe, já com a barraca arrumada, lá ia eu, rua acima, a caminho do comboio de sempre, aquele que, às “oito menos um quarto”, haveria de me levar até casa, certo de que, na próxima prova, a pista seria ainda maior, porque, acima de tudo, o meu piloto teria que vencer sem contemplações, sem contestações, viessem de onde viessem…
É, a felicidade, naquele tempo, mesmo quando a "solo", também se fazia no “disparar” de uma sameira…
Kiko
• Eram interessantes as discussões, sempre que os carros saiam da pista… E já era difícil aturar-me a mim mesmo.
terça-feira, 20 de março de 2012
O Diário
“O Diário”
Na altura em que não se sonhava com o “Facebook” nem com estas “canetas com teclas” - e já que nem todos tinham acesso à tecnologia das máquinas de escrever, existiam uma espécie de cadernos com “aloquete” (alguém quer ir ao acordo ortográfico ver como se escreve?) que faziam sucesso, embora fossem algo “privados” e essencialmente usados por raparigas. Estou a falar dos “Diários”, obviamente.
Sim, também tive “Diários”, os quais começaram por ser agendas (adorava estrear agendas, embora ficassem pelo caminho lá para o mês de Fevereiro) e nelas escrever com letra “direitinha” as aventuras e desventuras de um dia-a-dia cheio de “responsabilidades”, ou nem por isso.
Exemplos? Cá vão:
- Dei um beijo de grau 5 (de 1 a 10) na “Clementina”. Foi assim-assim e não voltou a repetir-se.
- Comprei 5 “Kalkitos” e fiz uma série de batalhas-navais, perdendo duas e ganhando as outras todas.
- Não resisti a gastar 50$00 em “Bombocas”, conseguindo chegar a casa com uma caixa por enxertar.
- Fui ao cinema “Batalha” e vi uma morena com um decote que me fez apaixonar por ela, principalmente naquela cena em que se abaixou.
E por aí fora… (basta puxarem pela vossa e pela minha imaginação)
Uns anos mais à frente, já com “namoradas oficiais”, a moda dos “Diários” voltou a ocupar-me os dias, havendo mesmo troca de correspondência via “Diário”, ou seja; uns dias era escrito no meu quarto, outros dias era escrito no quarto delas, com cada no seu “poiso”, claro!
Já não tenho esse hábito, embora ainda tenha para ali uns “Diários” desses tempos, mas, de quando em vez, apreciava ler e reler o que se tinha escrito, o que se tinha confessado, o que se tinha sentido (e inventado, para o caso que alguém os vir a ler)… Enfim; o que se andou a fazer naquelas alturas em que o tempo parecia sobrar e dar para tudo e mais alguma coisa…
Hoje, por ironia do destino, todos voltamos a escrever em diários, embora com outras “canetas”. Enquanto uns destacam os seus dias no “Facebook”, outros destacam as suas responsabilidades na agenda do telemóvel. E, sem se aperceberem, passaram a ter um “Diário” mais preenchido do que aqueles que se usavam na infância e na juventude (precoce).
E porquê? Porque… Há que não esquecer. Há que relembrar. Há que assinalar. Afinal, a história de cada um escreve-se todos os dias… ao sabor dos acontecimentos, e mesmo quando o que acontece não é digno de merecer mais do que uma ou outra palavra.
Bem, por falar em “Diários”, deixem-me ir, porque o telemóvel, com o seu som irritante, já me avisou 4 vezes de que está na hora de ir falar aos “Diários” dos outros…
Kiko
* Foi difícil, mas contive-me e não explanei alguns dos "segredos" que os diários guardam. (risos)
sábado, 17 de março de 2012
Cair ao Poço
"Cair ao Poço" Sei lá! Tinha para aí uns 10 anos nas vezes em que, em termos de resultados, melhor participei no "Cair ao Poço", o jogo infanto-juvenil que geralmente tinha como palco a privacidade das traseiras de um pavilhão escolar, de um pinhal qualquer para os lados de Vila Nova de Gaia, ou, em férias grandes, as dunas, que ainda não "eram" do Reininho, mas que para lá caminhavam...
Era inquietante e por vezes assustador entrar naquele jogo de perguntas que necessitavam de respostas e no qual, se não me falha a memória, o resultado poderia ser dar um abraço demorado em versão apressada ao parceiro masculino ou (expoente máximo!) ganhar um beijo com língua (ensaio para o futuro "linguado", uns anos à frente) da pretendida - a "mulher" que sonhávamos ter como namorada para sempre ou, sintetizando, até ao fim da escola preparatória...
Convém sublinhar que o facto de ela (a tal, a única, a sonhada, a "desejada") estar ali e de aceitar entrar no jogo, já era uma vitória, sendo que, mentalmente, garantia-nos a hipótese de haverem hipóteses... Mesmo quando isso, quase sempre, originava inúmeros desconfortos, principalmente por causa das revelações públicas (que todos já conheciam) a que se estava sujeito... (estes jogos eram "armadilhados", por vezes, com semanas de antecedência, mas sempre dando a ideia de que, por não haver nada para fazer, podia sempre "cair-se ao poço" naquele dia "insignificante")
E as perguntas doíam, principalmente para quem, como eu, não se dava nada bem com a mentira (moralismos ensinados desde pequenino)...
- Estás apaixonado pela Maria João?
- Hmmm, bem... hmmm... (apetecia fugir)
- Gostarias de fazer amor com a Maria João? (sabia lá o que era fazer amor!)
- Hmmm, bem... hmmm... (corava e corava, imagino)
As respostas (que não se podiam dar, por mais "lata" que se tivesse) acabavam sempre por nos levar para a "queda" no "poço", claro!... E, depois, (se bem me lembro de como se jogava isto) haviam as consequências (com adrenalina), aquelas que, na maior parte do jogo, não eram as mais desejadas (dar um beijo na boca à rapariga menos bem cheirosa da escola) e as do "finalmente" (dar um "linguado" à mulher que, para nós, era a mais linda da escola).
E era assim que, numa tarde qualquer, se passava do brincar aos "médicos e enfermeiras" para o mais "adulto" brincar às consequências. (expressão que, penso hoje, foi escolhida por, na prática, fazer-nos passar por grandes constrangimentos para se poder alcançar a vitória: beijar a eleita)
Não sei se ainda se "cai ao poço", porventura na Internet, mas gostava de ver a vossa cara se, em público, vos fizessem as perguntas que se faziam naqueles tempos, sem maldade, com inocência e, mais interessante, com resultados práticos; os bons, claro. Responderiam ou apostariam a vossa sorte nas consequências?
Kiko
quinta-feira, 15 de março de 2012
Lagoa Azul
"Lagoa Azul"
Foi no pequeno e estranho cinema "Olímpia", colado ao Coliseu do Porto - que já se dedicou a filmes mais "pecaminosos" e ao "bingo" - que me apaixonei perdidamente, completamente, assumidamente e histericamente por uma loira, mesmo sendo adepto da cor de cabelo oposta. (sorrisos)
Tinha 10 anos de idade e fui sozinho ver um filme (Lagoa Azul) que, presumo, era para maiores de 12, ou seria para maiores de 16?! Bem, entrei, e isso é o que conta, foi o que contou sempre naquelas tantas vezes em que, nas filas de entrada para os cinemas, além de "rezar", colava-me aos mais altos e mais velhos, só para poder entrar em películas para "maiores de 18". Enfim, tínhamos que nos "fazer à vida", se queríamos ver um pouco mais de pele do que aquela que a RTP 1 mostrava, ou seja, quase nenhuma. (A mensagem de que um determinado filme mostrava um belo par de seios era, na altura, sinónimo de sala esgotada, fosse qual fosse o argumento. Quem não foi ver filmes Franceses à "Sala Bebé" só por causa das "mamocas"?)
Na altura, 1980, não sabia como se chamava a tal loira com quem, registem, casaria naquela mesma hora... E para sempre, se os meus pais me emancipassem e não me internassem no "Magalhães Lemos". Que linda, sim, que linda. E esqueçam lá a parte do "boua", porque, quando se "ama", como a "amei", ali e nas outras duas vezes em que (acho) fui rever o filme, por mais "sonhos molhados" que possamos ter ou "erupções" instantâneas, trata-se, ou melhor, tratou-se exclusivamente de "amor", do puro, sem maldade, sem, sem, sem... sem essas coisas todas que, hoje, se pudesse (não podendo!), gostaria de ter "interpretado" como personagem principal. Ai, meu Deus! (e que me perdoem o relembrar destes pecados mentais)
A moça, usando pouca roupa, náufraga, com o nome de Emmeline (Brooke Shields), tirou-me completamente do sério. Quase me convenci de que, se ela me visse pela frente em Sta. Catarina, não hesitaria em trocar o tal de Richard (encaracolado) por mim, uns anos mais novo do que ela, é verdade, mas já com a minha famosa "pala" e outros atributos, dos quais não me lembro, mas certamente que os tinha, ou pediria emprestados... Vá, não custa sonhar!
O que faria com ela na minha frente? Seria simples. Levá-la-ia de autocarro até à praia da Madalena, inventaria um poema só para ela, daríamos uns beijos com língua (mas cheios de "amor"), acariciar-lhe-ia a pele (com "amor") e depois, e depois... E, depois, via-se!
Mas que seria para sempre, lá isso seria! É que não me lembro de outro "amor" assim, se, claro (!), fizer questão de esquecer a Linda Evangelista, a Kim Wilde, a Maya, a Cindy Crawford, a Demi Moore e quase todas aquelas "modelos" que apareciam em mais do que uma página na "Newlook", a revista que, mesmo em Francês de França, eu "lia" religiosamente, por "amor", sempre por "amor", mesmo que influenciado pela falta de roupa que cada uma envergava, e de poses sempre inocentes... como eu.
Kiko
terça-feira, 13 de março de 2012
Engate
"Engate"
Nós, enquanto jovens masculinos conscientes de que sabíamos
tudo sem saber quase nada, passamos uma grande parte dos nosso tempo do
preparatório e do secundários (Qual liceu, qual quê?!) a achar que éramos uns autênticos
"sex-symbol", mesmo sem saber traduzir a expressão, não passávamos de
putos armados em gente grande.
Todos engataríamos aquela e aqueloutra, por mais "bouas"
que fossem, bastando querer, já que, além do "Impulse", não nos
faltava charme (outra expressão que não sabíamos traduzir) nem experiência para
aquela tarefa de "sacar uma garina" (expressão que se traduzia por "rapariga
a quem tirar uns beijos").
Se bem me lembro, e principalmente nos intervalos
"grandes" e nas paragens do autocarro, naquelas conversas de (h)omem,
não faltava a troca de cromos, ao género de: "Eu pus-lhe a mão por (de)baixo
da camisola e..." ou "Eu iz, e depois aconteci, e ainda fiz, e depois
ainda voltei a fazer... "
Ok, já se percebeu que, com tanta gaguez, na verdade, éramos
mais garganta do que "mãozinhas" e "linguazinhas". Pois. Mas,
convenhamos, não poderíamos (nunca) dar a ideia de que não entendíamos da
"poda", mesmo que só "podássemos" em sonhos, nos tais
"treinos de linguado" com a almofada, ou no exagero entre o (a)palpar
a anca e dizer que se (a)palpou os seios (mamas sempre foi uma expressão que
nunca agradou aos homens, principalmente em termos orais e muito menos escritos,
embora, em termos fantasiosos ou práticos, a conversa fosse outra).
É, entre aqueles 10 e 14 anos de idade, muito se inventava,
muito se esperneava, mesmo que à custa da "Gina",
"Playboy", "Newlook" ou (relembrem lá!) dos calendários com
"gajas nuas" ou "gajas com os seios à mostra" (já expliquei
que o termo "mamas" não fica bem, mentalmente falando, e piormente
escrevendo!)... Aquilo é que era! (vá, não me obriguem a falar de páginas
coladas)
"Se me apanhasse com uma daquelas, faria, acontecia
e..." É, esta era das frases que mais se sussurrava em "voz alta",
quando, na verdade, se se apanhasse com "uma daquelas", muito
provavelmente, fugir-se-ia. Como conduzir sem saber os sinais de trânsito, por
mais cartas que se apostassem nas conversas de caminho entre a casa e a escola!?.
Mas, vá lá que, ao menos, ninguém tinha a lata de nos perguntar
se éramos virgens, porque, aí, sim, aí seria um problema, um avermelhado
problema. Como responder que se era virgem a outro virgem, sendo que ambos e quase
todos davam sempre a ideia de que não o eram "desde que nasceram",
tamanha era a quantidade de histórias que nessas aulas de "armanço" nos
faziam ser mais homens, enquanto, em casa, às escondidas, rapávamos os pelos
que não tínhamos e, no pinhal, fumávamos "mata-ratos", sem saber
travar!?
Ainda bem que surgiu o "Pathouly" (outra expressão
que nunca assumimos como sendo um perfume, mesmo que cantado repetidas vezes no
refrão), já que, ao cantá-lo, ao "Patchouly", sempre dávamos a ideia
de que percebíamos da "poda", mesmo que sem "parra", ou
melhor, sem saber usar a "uva". (piiiiiiii)
Kiko
sábado, 10 de março de 2012
Laca
Laca
Nunca me dei muito bem com o gel, apesar de, com ele, ter chegado a ter uma relação estreita, durante um ou dois anos... A laca, da L'Oreal, essa sim, foi uma parceira de todas as manhãs, tardes, noites e madrugadas... E não me faltou, durante 6 ou 7 anos a fio. Ai, dela!
Em termos de visual, até poderia estar tudo mal, mas o meu cabelo - castanho e fino, para que se conste - tinha que estar "impec", demorasse o que demorasse, fosse qual fosse o atraso, viesse quem viesse.
E foram muitas as vezes em que perdi o "91" que me levava à Preparatória e à Secundária de Valadares (Gaia), por causa de um ou outro fio daquela pala, fazendo-me correr uns 3 ou 4 km pela linha do comboio... E, já agora, foram tantas as histórias que desfilaram por aqueles carris, com toda ou já com quase laca nenhuma!...
A mania de ter o penteado sempre alinhado e umas patilhas sem patilhas, na altura, convenceram-me a ser assim, teimoso, exageradamente persistente, como se o cabelo fizesse toda a diferença. É, está visto, para mim, fazia!
O orçamento familiar, assumo, era diretamente influenciado pela quantidade de latas de laca que adquiria na loja do Sr. Eduardo (na avenida)... E era frequente, depois de tanto e tanto spray, voltar ao início do ritual, lavando o cabelo, secando-o, penteando-o e... "laca, que se faz tarde!"... Pois, tal e qual. (eu dizia que era um gel fino, sem convencer)
Em 1989, algo triste, no cabeleireiro de homens do VilaGaia, lá fui informado de que seria melhor cortar o cabelo fora do quartel, já que o destino que me reservada aquela idade e o "pronto" carimbado na inspeção militar, fixaram o dia do corte "radical". E dizia o Sr. Ramos que: "pelo menos ali, poderia optar por um pente 3 em vez do pente 1 tratado à balda", o qual se faria valer aquando da recepção da farda.
O dia anterior ao da ida para a recruta chegou. E lá se foi a pala, com "dor" mas com a convicção de que ela regressaria 9 meses mais tarde, ou 10, ou 11, ou 12... E voltou, mas nunca mais foi a mesma!
A maldita boina, disseram os "entendidos", tinha sido inimiga impiedosa de todo o tempo e dinheiro investidos naquele apronto, naquela imagem de marca, naquele cabelo que tratei horas a fio, fio a fio... E foi desde aí que, provavelmente revoltado pelo percurso capilar que a tropa me deu, o cabelo nunca mais me tratou como no antigamente, por mais que lhe transmitisse querer voltar atrás... Foi-se, e foi-se devagar, devagarinho, até à estocada final (pente 0), no ano de 2002, calculo.
Não tenho saudades da laca, nem do gel... Mas tenho saudades de passar os dedos pelo cabelo, vezes sem conta, como que a pô-lo no sítio... Algo que, instintivamente, ainda faço hoje, tantas "maquinadas" depois... E talvez porque o meu cabelo - digam o que disserem., já não dê nas vistas nem tenha como recorrer aos "conservantes" para voltar a ser à minha maneira, ele existe e persiste. Tem é outro estilo. (ponto)
Kiko
quinta-feira, 8 de março de 2012
Fora d' Mão
Fora d'Mão
Decorria a primeira metade da década de 90, quando um amigo decidiu
meter-se no sonho que "todos" tinham na altura: ter um bar, ter o Bar.
Batizou-o de "Fora d'Mão" e, com algumas obras pelo meio, transformou
um café-restaurante num "point" para jovens na "flor da
adrenalina", uma mistura de bar com discoteca, lá para os lados da praia
de Salgueiros... E eu, lá aceitei o convite para dar banda sonora às centenas
de visitantes que por lá passavam, quase religiosamente... (Ainda ontem falava
disso com um dos clientes que mais pagava "Cocktails" por metro
quadrado.)
Tratando-se de um amigo, exigi como salário muitas tulipas
de "SuperBock" e os fabulosos amendoins da marca
"Continente". E que bem que sabiam! Que bem sabia aquele frenesim
que, principalmente aos Domingos à tarde, fazia-me sentir uma estrela de Gaia,
tal era a fila de "teenagers" que aguardavam pela abertura, sob o
olhar atento do Zé (Grande) e do Paul (mais tarde)... Era giro chegar, entrar e
pensar nos discos que tocaria mais alto, os mesmos de quase sempre...
Naquele piso inferior (a pista), lá estava eu no meu
"reino", lá no alto na cabine envolta por madeira a toda a volta, lá estava
o Kiko, locutor de rádio à semana e "passador de discos" (nunca fui
"grande espiga" a misturar) ao fim de semana.
E não é que entre "Lil Devil", "Here comes
your man" e "Show me love", sem esquecer o "Sweet a la la
long" e demais pérolas daquele tempo, o Fora d'Mão lotava, ao ponto de o
"DJ" - eu - ser literalmente apalpado de cada vez que colocava um
"Maxi-Single" para ir à casa-de-banho "verter o resultado de
tanta cerveja"...
E entre a abertura de pista (uma gravação de um
"Megamix" importado) e o fecho com uma balada ao jeito dos
"Scorpions", eram horas de puro prazer aquelas com que, ao som de
"Sunday, bloody sunday", conseguia pôr todos a cantar e a dançar,
fossem os "pregos" galiota ou de outro tamanho qualquer... E para
muitos, o que contava era o transpirar para justificar o preço do cartão, o
conquistar de "linguados" de um "amor" nascido no acaso e o
ir embora na camioneta do "Paniceiro", antes que os
"penantes" se transformassem em única solução... Isto, claro, para
quem não estacionava lá à porta a sua "Casal Boss" ou carro em 3ª e
4ª mão, coisa rara naquelas idades, idades de outros tempos...
E ontem, já em pleno 2012, no início de um jantar de
"ex-jovens" (coisa de "cotas" que gostam de reviver a
juventude), a tecnologia entregou-me um SMS que anunciava que o Zé Grande,
aquele porteiro simpático que "fez parte da mobília" dos locais mais
emblemáticos da noite Portuense, disse Adeus, deixando-nos... "Fora
d'Mão".
Kiko
* Texto dedicado a um amigo, ex-colega de trabalho e...
companheiro. Paz.
* Foto: Tony, Isa, Kiko e Quitó.
domingo, 4 de março de 2012
O "Viauto"
O "Viauto"
Poderia estar ridiculamente mal vestido mas, quando surgiu o "Viauto" - blusão igual aos usados pelos agentes da Brigada de Trânsito, ainda hoje, com gola em pêlo, envergando-o, sentia-me quase um "top model". E o adereço, caríssimo, comprado com a ajuda do "Cartão Jovem", quase que se confundia com a própria pele, ao ponto de saber mais histórias minhas do que eu mesmo...
Foram anos e anos de "Viauto" incorporado, fizesse frio ou calor, ficasse bem ou mal, fosse moda ou deixasse de a ser... Mas estava sempre lá, tipo fiel amigo e amigo fiel. Ao ponto de me custar deixá-lo abandonado num bengaleiro de discoteca,... ao ponto de servir de colchão para as curtes no areal, lá nas dunas da praia da Madalena...
Um dia destes, mesmo já sem a ajuda do "Cartão Jovem", compro um... É que deu-me umas saudades dele!...
Kiko
* Salvo erro, o blusão era conhecido por "Viauto" por (o oficial) ser vendido exclusivamente numa loja com esse nome.
Bicho Papão
BICHO PAPÃO
Esta coisa da Internet, principalmente desde que chegou este brinquedo, o "Facebook", faz-nos ver o mapa dos quilómetros como se não existisse, como se tivesse sido uma "la minuta" da escola primária que deixou de fazer sentido porque os rios de sempre "são outros" e, por razões óbvias, já não se decoram caminhos de ferro, por se viver além do "TGV".
É interessante o lado da aproximação que este "Bicho Papão" devora milímetro a milímetro, mesmo quando fazemos questão de dizer - e bem alto! - que estamos "fora do jogo", que estamos mas não estamos, mesmo estando. Pois, vamos estando.
Se pensarmos bem, este "chá das cinco", com paladar a futuro que ingerimos diariamente no presente, tem o dom e a velocidade de nos colocar a todos num mesmo local, como se, por instantes, nos reuníssemos à mesma hora a tomar café numa associação recreativa, ao jeito de sala de estar, mas aparentemente mais "clean", mais pensada e repensada, ou nem sempre.
Eu sei que há quem dê esta ideia de proximidade e, na verdade, esteja e queira estar bem distante daqueles de quem se diz "pele com pele", mas também há os outros muitos, aqueles que querem e fazem por estar mais próximos uns dos outros, inclusive os que já nem sabem onde moram, como moram, com quem moram (os vizinhos de outras ruas).
Para os "cotas", o que conta, mesmo com naturais dissabores, é voltar à vida na sua própria vida, voltar ao "mano a mano", ao ser quem se era e quem se quer ser, no fundo... No fundo da rua, de preferência, porque ela plantou memórias intensas, para sempre.
E é demasiado interessante ler alguns estudos que sublinham que os verdadeiros utilizadores desta ferramenta são os que, na década do "Espaço 1999", jogavam à bola na rua, limpavam o ranho às camisolas sem marca e que, entre mais uma ou outra diversão sem relógio, riam sem recurso a três letras (lol)... Sim, os mesmos que (se não estiverem desempregados) também trabalham, têm filhos ou querem tê-los e que, nos tais outros tempos, entendiam que o avanço tecnológico chamava-se "Cubo Mágico" ou "Iô-Iô", já que, convenhamos, estas palavras "caras" (postar) mais não eram do que aberrações. (E continuam a sê-lo, aposto.)
É, este "Bicho Papão" tem inúmeros defeitos, principalmente - dizem os mais "cotas" - para os jovens, que se agarram a "isto" e nem sabem o que é levar um estalo, nem tão pouco o que é usar umas sapatilhas "Sanjo" depois de se romperem 5 vezes, cada uma. É, este "Bicho Papão" tem inúmeras vantagens, principalmente - dizem os mesmos "cotas" - para eles, os que, tecla a tecla, entre uma conta por saldar e uma ou outra responsabilidade por assumir, lá vão esquecendo o aumentar da barriga e o diminuir do cabelo para, em nome dos "jovens inventores", neste caso, redimensionarem o mapa de Portugal, fazendo dos rios e caminhos de ferro vias de assunto para se voltarem a reencontrar, numa altura em que os "putos" percebem "disto" mas estão a milhas de saber usá-lo, já que não viveram "aquilo".
Francisco Moreira
quinta-feira, 1 de março de 2012
Dormir com Samantha Fox
Dormir com Samantha Fox
Que olhar! Que pose sensual! Que rosto angelical! (ainda não sabia das suas participações em filmes com "bolinha", tripla) Que... blusão bonito! Que... Decote! Que... Paixão! Que...! (sim, rimaria)
É, houve dias em que, além das ereções, se ela quisesse muito, eu casaria com ela, e mesmo sem a emancipação... para sempre, se ela prometesse acordar sempre como estava naquela fotografia, só isso.
É, foi essa edição da "Bravo" que me fez cometer uma das mais "violentas" loucuras de toda a minha vida: colar um póster no quarto. E quase aposto que não fui o único. (Confessem lá!)
Mas - e verdade seja dita., não era um póster qualquer, era um póster a preto e branco... E em versão gigante, daquelas que nos faziam acreditar que a própria Samantha estava ali connosco, em tamanho quase real. E que pena os pósteres não serem a "3D" em versão "tacto"!
Esqueçam, não estava. Não estava mas, cerca de 8 anos mais tarde, esteve. Ah, pois é!
Não, não esteve no meu quarto. Eu é que estive perto do quarto dela, quando foi a Espinho dar uma conferência de imprensa, daquelas lotadas de jornalistas que, nos corredores, a tratavam de "pimba para cima, pimba para baixo" e, na verdade, nas suas mentes, o "pimba" teria uma outra conotação, muito menos musical e mais "touch me, touch you". Enfim, lá consegui o momento para contar aos netos, se lá chegar.
Então não é que, no meio de quase 50 jornalistas, ninguém fazia uma única pergunta à sexy mas mais "tapada" cantora e actriz?! Bem, lá tive que ser eu a fazer as primeiras 2, 3, 5... 10... perguntas, em inglês "técnico". E no fim, entre quatro beijos e uma troca de palavras simpáticas, ela pôs-me a mão... no ombro e disse-me nos olhos: "Salvaste-me, quero ver-te no concerto, amanhã!" (se não foi isto, foi parecido, vá!)
Duvidam que a própria Samantha Fox esteve a falar comigo? Então, de castigo, não vos conto a história da toalha que usou para se limpar... Não conto. (ponto)
Ah! Com esta irritação provocada por vós, com essas duvidas que me soam a "inBeija", até me esqueci de dizer que o póster da Samantha Fox que colei no meu quarto estava... no tecto, literalmente.
Kiko
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Autocarro
Autocarro
Naqueles outros tempos, andávamos todos de autocarro, quando
não tínhamos que ir a penantes... Fosse para a escola, para as discotecas, para
o "Iate", em Canidelo, para o café junto à Câmara de Gaia, para as
curtes no areal da Madalena, para o futebol nas ruas uns dos outros, com pedras
a fazerem de postes de baliza, para as pontes, para anotarmos matrículas de
automóveis... Enfim, para a vida... E ia-se com prazer, sem telemóvel, sem
"box", de jogos ou de televisão, sem tanto do que hoje está para aí
ao pontapé, subvalorizado...
E a paragem de autocarro, sempre foi o ponto de abrigo e de
encontros com história... para a história, a minha e a de todos os outros...
Tenho saudades do passe!
O autocarro verde, no qual gostava de me sentar no banco ao
lado do motorista (separados pelo motor), fez-nos apear diversas vezes, por não
conseguir escalar aquela subida da Rei Ramiro, quase, quase a chegar ao
"Rock's"... O de dois andares - também verde, ou melhor, ainda
verde!, levava-me (lá no alto) aos jogos da equipa adversária, nas Antas... E o
trólei, encarnado escuro, deixou nostalgia, principalmente quando recordo as
vezes em que víamos o motorista pará-lo no "silêncio" e sair para
colocar as "antenas" da viatura no sítio, naqueles "fios"
que já desapareceram... Ali para os lados do café "Ai, ai", em
Coimbrões...
Ainda me lembro dos bilhetes de 2$50, aquela raridade que,
num excesso tecnológico de última geração, transformou-os em "senhas",
com módulos (algo que nunca consegui traduzir) de cartão mais grosso...
O "57" levava-me à praia e, quando passava da
hora, mandava-me fazer 3 quilómetros a pé, no regresso. O "91"
levava-me à escola, quando não o perdia por causa do penteado, e lá ia a pé
pela linha do comboio até Valadares... O "78" era o que me levava ao
futebol ao Domingo à tarde... O "33", o tal trólei, fazia questão de
me deixar no "Batalha"... E, mais tarde, o "96" fez-me
descobrir a Boavista...
E que bem sabia andar para trás e para a frente naquele dia
da criança em que não se pagava bilhete, porque todas as crianças podiam viajar
"à borla", mesmo tendo o passe no bolso, como era o meu caso.
Kiko
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Desde Pequenino...
DESDE PEQUENINO...
Tenho que deixar de ir jantar a um restaurante na Maia que até aprecio, pelo menos em dias de jogo do Glorioso. Numa semana, dois jogos, dois jantares e nada de vitórias, nem na conta! (risos)
Tudo isto apenas e só para expressar alguns pontos curiosos quanto ao futebol, o tal espectáculo onde (todos esquecem) quem Ganha são os envolvidos, vençam, percam ou empatem, e quem perde sempre, sem ganhar nada, são os adeptos.
O clube do qual sou adepto (Alguém sabe porque é adepto do clube de que é?) passou de "Bestial" a "Besta" (destaca-se o treinador, nesta frase) porque, em toda a época (esta), demonstrou ser superior aos seus adversários e, nestes últimos dias, perdendo 5 pontos, até parece que perdeu o campeonato com 20 pontos de atraso, como aconteceu há umas épocas, de má memória, sublinhe-se.
Ser adepto é criticar, amuar e... apoiar, sempre. Não é insultar e esquecer o bom que se construiu. A memória curta faz mal, muito mal, inclusive num entretenimento como é o futebol.
Caros Benfiquistas, algum de vós prefere o Benfica das épocas antes de JJ? Eu, confesso, não. Mas sei de clubes que, mesmo criticando-o, não se importariam nada de o ter.
E, já agora, se o SLB estivesse assim tão mal (comparando com os seus adversários), será que os adeptos dos clubes adversários (ignorando quase completamente o que se passa no seus clube, arranjando "oxigénio" nas falhas dos outros para colmatar mentalmente os desaires internos) perderiam tanto tempo a "falar" do SLB? Não. Porque até eles, GENERALIZANDO, mesmo não admitindo, sabem que, esta época, o FCP está no lugar que está mais por demérito dos outros do que por mérito próprio.
E, já agora, seria interessante ver os mesmos que dizem que o SLB é (sempre) levado ao "colo" a afirmarem que os 2 penaltis de ontem, ironicamente, "não existiram". (haverão sempre falhas dessas, e com todos os clubes, por isso é que o "ser-se roubado" dá para todos os lados, dependendo de quem vê e de quem só quer ver o que interessa).
Resumindo:
- Prefiro um SLB como o dos últimos anos, mesmo que perca, pela identidade e luta.
- O Glorioso vai derrotar o FCP na Luz (e, uma vez mais, infelizmente, o VP será insultado, ou então o árbitro vai estar comprado)
- O Benfica será campeão, quanto mais não seja porque, esta época, ao contrário de outras (muitas), merece, como mereceu há duas.
- O futebol é um espectáculo e ser-se adepto não é insultar, é sentir, opinar e apoiar. (quem não concorda, deveria mudar de clube, seja ele qual for)
Ah! Não sou do Feirense desde pequenino, sou do Benfica. E sabem porquê, já agora, porque, quando senti que despertei para a vida, quando dei por mim como ser pensante, celebrava-se a vitória do Benfica por ter sido campeão, e eu, vendo aquela alegria, quis integrá-la. (e isso acontece à grande maioria das pessoas que dizem que são deste ou daquele clube, esquecendo-se que, das duas uma: ou foram "convencidos" por pessoas próximas ou por festejos de vitória, já que; tudo o resto é conversa, tal como, na prática, é o futebol, fora habitat dele, aquele que vemos nos campos ou nas televisões e do qual, verdadeiramente, nunca fazemos, fizemos ou faremos parte, por mais "postas de pescada" que lancemos. (sorrisos)
Bom Domingo!
Francisco Moreira
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Pára-Brisas
PÁRA-BRISAS
O pára-brisas do meu carro tem um defeito que não consigo solucionar; passa as manhãs, tardes e noites a observar o mundo que está lá fora, aquele que me leva constantemente a tirar ilações de vidas que desconheço, de seres a quem nunca fui apresentado,... iguais a mim, ou talvez não, porque todos somos diferentes, mesmo num mundo de iguais...
É, é um pára-brisas teimoso, aquele que me separa e distancia das histórias que julgo ver, daqueles passos e expressões mil que por vezes me entristecem e que outras tantas vezes me fazem sorrir e dizer que, afinal, há vidas que valem a pena... Que há exemplos, que há sol, que há luz... Aqueles mesmos exemplos a que me amarro para justificar a balança que tantas vezes, pelo que vejo ou imagino ver, pende para o lado oposto, o lado cinzento dos dias...
E hoje, em jeito de repetição, lá me cruzei pela enésima vez com um punhado de pessoas tristes, aparentemente e excessivamente sós, desprovidas de uma simples gota de vontade, de coragem, de sol...
E eu?! Eu mantive-me ali, no meu canto, naquele cubículo em jeito de varanda, naquela velocidade de sempre, perto mas distante, simples passante, simples passageiro deste calendário que quando nos apresenta a lágrima, no fundo, impele-nos a sublinharmos que, felizmente, somos abençoados... E que os nossos dias são bem melhores do que tantas vezes julgamos nas reclamações do "por tudo e por nada".
Podemos não ter tudo, mas, de cada vez que um pára-brisas consegue chamar-nos à razão, devemos limitar-nos a exclamar: Obrigado, porque o mundo vai muito além de um pára-brisas.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Que Brinde!
QUE BRINDE!
Andava para aqui às voltas ao "YouTube" para tentar encontrar a Canção mais Romântica da minha geração e daquela que a precedeu e... Nada de conclusões definitivas!
Por isso, e para que, ao menos, aqui fique uma das canções que tanto serviram para "apertos e desapertos", opto por vos contar um episódio que me aconteceu lá nos "idos meados de 80"...
Lembro-me de, uma vez (só uma! - risos), ter comprado uma revista que, em termos masculinos, fazia frente à (ainda) famosa "Maria", ou seja, a "Playboy". E, há que dizê-lo, não só fazia frente, como lados e até contra-capa! Não tanto por aquilo que a publicação (maior) trazia escrito mas, acima de tudo e por "baixo de tudo", pela imensa qualidade fotográfica das suas magníficas "reportagens" (e que inveja tinha eu daqueles repórteres!).
Nessa edição, dita de luxo, pelo mesmo preço (para aí uns 120$00?!), além das "moças encaloradas e dadas à ginástica posicional, vinha lá um "brinde", e que brinde!
Nada mais, nada menos, do que um "single" (aquela rodela preta mais pequena com uns risquinhos circulares). Mas este não era um "single" qualquer! Este foi o "single" que conseguiu excitar-me mal o pus a tocar no gira-discos habituado a outras "baladas".
Pois é, lá está - isso mesmo!, estou a referir-me ao disco que trazia este "20 graus à sombra no Mónaco", de Jean François.
Mas, mas... Mas, calma, muita calma! Há razões que justificam a excitação provocada mais do que uma vez (tinha muito "airplay" lá em casa).
Então não é (era!) que a canção (esta) tinha tantos, mas tantos gemidos que, por mais que a quiséssemos ouvir "nas alturas", já que era tão sexy a voz da rapariga que fazia o "dueto", tal incorria em eventuais esperneares da vizinhança?!
Ai, que boa revista! Ou melhor, que revista boa, aquela que, bem vistas as coisas, afinal, vinha de brinde com o "single".
Francisco Moreira
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Comédia Divina
COMÉDIA DIVINA
Não são raras as vezes em que aprecio o meu lado mais romântico. E fico feliz por tê-lo, por mantê-lo bem vivo, numa espécie de "infantilidade eterna" que uso e dele abuso como "sal e pimenta" ou mesmo, quando necessário, como "desbloqueador de instantes"...
É, posso afirmar com todas as letras que, se eu fosse o Ser Superior a quem tanto se pede e com "Quem" tanto se reclama, imporia a obrigatoriedade de, enquanto por cá andássemos, se ser definitivamente romântico, por mais baba, ranho e lenços de papel que isso trouxesse ao palco dos dias, ou melhor, ao mundo.
Pensem um pouco!
A vida, afinal, é uma "Comédia Romântica". E há quem acrescente, só para nos tirar o sorriso, que, quer se queira, quer não, é descartável, ou lá terá que ser, um minuto destes.
A vida tem abraços e lágrimas, suor e adrenalina, amor e desamor, sorrisos e estalos, e é curta, por mais tempo que estejamos ou não a desperdiçar... Não acham?!
E nós, sempre armados em actores de primeira, na verdade, e na maior parte do "tempo útil" que o relógio da existência nos entrega, mais não somos do que meros figurantes, embora com direito aos "15 minutos", claro (!), e sempre antes do fim: aquela tal parte a que nunca queremos assistir por nos chatear, por nos trazer sempre a mesma coisa, por já sabermos "como é", mesmo sem nunca a termos visto até ao "tutano".
É, assumamos, irrita-nos aquele desfile, palavra a palavra, nome a nome, aquele composto pelo tudo e pelos todos que por lá passaram. E saímos dali em passo apressado porque há que despir a pele daquela banda sonora, a tal que só nos deu jeito para sonhar... Porque, acreditamos piamente, a vida é gira em jeito de comédia, mas temos mais de afazeres do que desperdiçar o tempo com baba e ranho... ou lenços.
Francisco Moreira
sábado, 28 de janeiro de 2012
Topo de Gama
Topo de Gama
Nota: Sou suspeito. Sempre gostei de Pedro Abrunhosa, da
pessoa, do poeta e do animal de palco que sempre foi e que sempre será.
Cruzei-me com ele nos primeiros passos de "Viagens",
fui dos primeiros a tocar o "Não posso mais", numa rádio, em Gaia...
E, desde essa altura, já lá vão 18 anos, confesso que me cansei de responder (defendendo-o)
às "bocas" do género : "- O gajo não canta!".
Hoje, sereno e atento, num Coliseu que me permitiu ver e
ouvir tantos e diferentes artistas, vi-o ser - uma vez mais - o melhor "entertainer"
da música Portuguesa... E, aos outros, os com vozes mais ou menos
"gritadas", conheço-os a quase todos, façam eles parte dos que ainda
sobrevivem, dos que ficaram pelo caminho e dos que, na verdade, nunca
conseguiram ser alguém mais do que os "15 minutos". O Pedro Abrunhosa,
que levei a visitar uma cadeia, porque os detidos assim o exigiram, sempre
comprovou ser um guerreiro, um perfeccionista, inquebrável, interventivo,
iluminado. Ou seja: mantém-se no topo, com mais ou menos platinas, cantando ou
nem por isso. Ele é topo, e topo de gama, já agora. Mas, esta noite, sem estar
à espera do melhor concerto de Abrunhosa - já que esse, dos que vi (nele), foi o primeiro
que deu nesta mesma sala, já lá vão muitos anos. - consegui, ironicamente e finalmente,
arranjar a resposta à tal pergunta, a tal de se ele canta ou não canta. Por
isso, mais do que esmiuçar o concerto de 3 horas - e que me perdoem os
"Comité Caviar" - excelentes., opto por resumir o todo e o tudo numa
frase:
- Cantor é aquele que consegue fazer chegar a mensagem a
quem o ouve, esteja o receptor com mais ou menos atenção. Cantor é aquele que
sabe usar a voz para transmitir sentimentos e fazer emergi-los em várias
gerações. Cantor é aquele que abre a boca para dar melodia à vida, ao instante
e ao sonho... E, que me perdoem os das "bocas" - incluindo amigos
meus, mas, talvez por ter estado atento mais do que nunca a um concerto dele,
sinto-me impelido a acrescentar que, Pedro Abrunhosa, além de ser o melhor "entertainer"
da música em Portugal, é o melhor cantor Português das últimas décadas. E sabem
porquê? Porque, além de conseguir aquilo que atrás referi, criou, editou,
interpretou e dá vida ao maior leque de hinos que iluminaram, iluminam e
iluminarão milhões de pessoas ao longo de quase 20 anos, inclusive quase todas
aquelas que, pelo vistos, não o conseguem ouvir a cantar.
Parabéns, Pedro! Gostei de te rever no "Santuário"
que crias e recrias como ninguém: o (teu) palco.
Francisco Moreira
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Sou não porque sim, talvez!
Sou não porque sim, talvez!
Não gosto que ousem
catalogar-me em dicionários de corredor, e menos ainda quando utilizados por
umbigos de grupos e grupinhos do "escárnio e maldizer". Prefiro o
sussurro dos óculos de sol, e em todas as horas do dia, prefiro todos aqueles
que não carecem de rímel para brilhar.
Entendo que as palavras,
mesmo que em pensamento, nunca são suficientemente autênticas, quer para o bem,
quer para o pior. E já sei que os grandes planos e pseudo-convites, na grande
maioria, não passam de desbloqueadores de conversa... E, em parte, dou graças
quando me sai um: ainda bem.
Gosto dos meus. E não
gosto do porque tem que ser, daqueles com quem não partilharei uma lágrima, uma
gargalhada, um pedaço de pizza num desbotado tapete de sala investido de
confessionário... Talvez por causa dos
santos, ou dos demónios, talvez porque já transbordei o pote dos fretes ...
E hoje, para não falar
do daqui a pouco, o relógio irrita-me. Irrita-me usar armadura, principalmente
num aperto de mão... E tudo isto, assumo, porque os anos ensinam e ditam que há
que evitar as correntes de ar vindas das janelas dos outros, são um risco, um
tremendo risco... Consta-se que quando
se abre a porta a desconhecidos, poderemos cair
no erro de estar a dar sumo a quem, ao primeiro brinde, nos venha a
tratar como parra... Valerá a pena arriscar tanto?! Não. Pelo menos hoje. Um
dia destes, ou nunca, quem sabe, ver-se-á...
Mas... E será que envelhecer
é assim tão lapidar, tão "colete de forças", tão fiel ao "é
melhor assim"?! Será que não podemos ser iguais aos filmes, será que não
podemos viver numa eterna comédia romântica, daquelas em que até fica bem
rirem-se de nós, já que a maldade não passou no "lápis azul" de Deus,
seja ele quem for?!
Incomoda-me querer ser
e não dever. Incomoda-me vestir a pose "militar-chique", ser
institucionalmente correcta e incorrecta, por mais fisgas que me estejam
apontadas, por mais "naif" que me apeteça acontecer numa 3ª feira
qualquer... Incomoda-me que me incomodem, incomoda-me que eu mesma me incomode,
principalmente antes da hora do café com cigarro a condizer...
Quem me terá vacinado
contra lugares comuns?
Será que só posso ser
mais uma na fila do supermercado da esquina, numa loja sem lustre ou em
conversas sem ponte para a feira das medalhas?! Será que não posso vestir o
pijama, calçar uns chinelos, por mais cansados que estejam e, simplesmente, rir
de mim, rir de nós, rir do nada, por nada, porque sim?!
Afinal, o que é ser
feliz? Afinal, quem pode ser feliz? Afinal, quantos minutos de felicidade
podemos ou devemos ter por dia?
E logo eu; que
trocaria facilmente os catedráticos da ignorância feitos lapas do poder pelas
histórias sem direito a palco de jornal daqueles "putos" armados em
gente que passam ao lado das montras do Chiado... Sim, aqueles que parecem
fixes, mesmo que nascidos no pós-retalhos de uma revolução, aquela que também daria
jeito, uma madrugada destas, só para limpar umas "coisitas", coisa
muita...
É, também fervo! E não
são raras as vezes em que me apetece esmurrar o mundo, e mais do que uma vez,
para ver se ele aprende, se reaprende.
Mas, porque carga de
água tenho que levar com este vazio que acorda aos gritos e me impede de
continuar a apreciar o lilás?
E que parvoíce é esta
de aceitar que um relógio me dite uma agenda e acrescente que sou uma sortuda?
São cada vez mais
repetitivas as manhãs em que me apetece deixar uma fotocópia da outra
"mim" nesta cadeira e rasurar o cartão da "adultice", só
para ser livre de verdade... um dia, um ano, ou, em alternativa, até quando me
apetecer...
É, um dia destes,
entre um chá e um absinto, mandarei o mundo que não é o meu à fava e voltarei a
abraçar a minha rua, aquela do "bom dia" e da alcunha, a mesma que me
tratava por tu e que, muito provavelmente, à conta de tantas modernices e
aniversários, já não me reconhece...
Uma manhã destas,
chegarei tarde ao propósito e farei da noite o meu dia, impedindo o sol de
nascer, nem que seja só para nos chatear, a mim e ao mundo...
Se correr mal, que se lixe!
Afinal, ainda há e haverá Chiado, montras e sonhadores, e eu até gostaria de
voltar a ser fixe, já que nesta manta de brilhos ambulantes em que se impõe
carburar, são muitas as linhas, e o todo nem se apercebe de que, mesmo eu contrariando-me,
o que mais procuro e desejo são...nós, daqueles que nos aquecem ao virar de
mais um dia.
Francisco Moreira
Janeiro de
2012
(texto em versão retrato escrito, por "encomenda", para alguém que, sem conhecer, julgo conhecer)
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Faz parte!
Consta-se que, em cada início de ano, injectamos inúmeros ideais e ideias em mente, mesmo que muitos dos objectivos já estejam algo ou imensamente recessos. Faz parte! E ainda bem - acrescento eu. - já que é sempre positivo alavancar o tanto que vamos deixando pelo caminho, ora por preguiça, ora por descrença, ora por culpa do nem sempre bem-fadado destino.
E 2012, aparentemente, sejam quais forem as "Troikas e Baldrocas" que nos coloquem ao pescoço, não começou de maneira diferente, independentemente do que o saldo dite ou anuncie: o precipício generalizado, já que há que continuar a soprar para as velas da proa da vontade e fazer das outras - aquelas às quais pedimos "isto, aquilo e aqueloutro" - um pavio que teime em sobreviver, faça chuva, granizo ou, ironizando, uma tremenda seca.
Há também quem recorra à nostalgia da memória e que, com fotografias antigas no "colo", recupere energias que "já lá vão"... Nem que seja para amenizar as cotoveladas e demais nódoas com que os dias mais recentes nos vão brindando. Faz parte!
Cá por mim, este será um ano melhor do que muitos. E digo-o arriscando-me a levar com um previsível volte-face nas bentas, dadas as previsões; as dos astros e as dos "opinion maker". Mas isso, assumo, não me impedirá de acreditar, de procurar agitar as águas, de tentar escalar novos e antigos sonhos, enfim, de fazer a minha parte no "faz parte" da vida: esta "coisa" a que prefiro chamar caminho, independentemente de os sinais teimarem em nos impor a inércia, a tal espécie de estrada sem saída que, na verdade, se pensarmos bem, mais não é do que um estratagema aglutinador vestido com um véu gigante que, à custa de muito marketing, pretende sugar-nos e comandar-nos, esquecendo-se porém de que todos somos e acabaremos iguais, principalmente quando chegar a altura de fazermos valer o cada um. E aí, sim, faremos parte, por mais "intoxicados" que possamos estar, por mais que nos atirem precipícios para os olhos.
E 2012, aparentemente, sejam quais forem as "Troikas e Baldrocas" que nos coloquem ao pescoço, não começou de maneira diferente, independentemente do que o saldo dite ou anuncie: o precipício generalizado, já que há que continuar a soprar para as velas da proa da vontade e fazer das outras - aquelas às quais pedimos "isto, aquilo e aqueloutro" - um pavio que teime em sobreviver, faça chuva, granizo ou, ironizando, uma tremenda seca.
Há também quem recorra à nostalgia da memória e que, com fotografias antigas no "colo", recupere energias que "já lá vão"... Nem que seja para amenizar as cotoveladas e demais nódoas com que os dias mais recentes nos vão brindando. Faz parte!
Cá por mim, este será um ano melhor do que muitos. E digo-o arriscando-me a levar com um previsível volte-face nas bentas, dadas as previsões; as dos astros e as dos "opinion maker". Mas isso, assumo, não me impedirá de acreditar, de procurar agitar as águas, de tentar escalar novos e antigos sonhos, enfim, de fazer a minha parte no "faz parte" da vida: esta "coisa" a que prefiro chamar caminho, independentemente de os sinais teimarem em nos impor a inércia, a tal espécie de estrada sem saída que, na verdade, se pensarmos bem, mais não é do que um estratagema aglutinador vestido com um véu gigante que, à custa de muito marketing, pretende sugar-nos e comandar-nos, esquecendo-se porém de que todos somos e acabaremos iguais, principalmente quando chegar a altura de fazermos valer o cada um. E aí, sim, faremos parte, por mais "intoxicados" que possamos estar, por mais que nos atirem precipícios para os olhos.
Francisco Moreira
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Desta vez!
Sei que em todos os virar de ano tem-se aquela sensação estranha mas positiva de que tudo ficará bem melhor, que conquistaremos muitos dos objectivos que deixamos estatelados num outro ano qualquer e, já agora, que conseguiremos ser - finalmente! - a pessoa que sempre desejamos ser: minimamente especial.
Pois. A missa repete-se. Só é pena que, na verdade, dure pouco mais do que uns minutos - ou, vá lá, um ou dois dias, os que antecedem 31 de Dezembro, já que, ao despertar de cada novo ano, depois de adormecermos, acabamos sempre por espantar a remela e encarar a vida como a continuação dos passos que já estavam a acontecer, sejam eles para trás, no mesmo sítio ou em frente - deseja-se.
Mas, se assim é - se tudo continua(rá) igual, ou parecido, que factores nos levam a sentir que "será desta", que "vamos mesmo acontecer", que "tudo será bem melhor"?!
Ainda não encontrei a resposta, e nem hoje, já sob o efeito das "uvas passas", consigo bases que solidifiquem o meu pensamento. Mas, aproveitando-me do "desta vez", estou em crer de que 2012 será um ano bem diferente dos anteriores, para o pior e para o melhor. É, estou com a sensação de que muita dor ainda está para acontecer, necessitando de fortes e repetidos analgésicos emocionais, e de que muitos objectivos se esvaziarão ao comprido, em jeito de aprendizagem.
Digamos que estou com a sensação de que 2012 será mesmo o ano da "separação das águas", o ano do abismo que nos poderá colocar nos carris de uma espécie de parente do paraíso, mesmo que as dívidas e o Euromilhões insistam em se manterem distantes um do outro, porque faz parte, julga-se.
Acredito, sim, acredito num melhor amanhã, numa nova consciência global, num novo rumo, no cicatrizar de feridas que estão a agudizar-se - muitas vezes em silêncio, entre paredes, e acredito que haverá amanhã depois de 21 de Dezembro de 2012, mesmo com a entrada numa nova era, ou melhor, graças à isso. Aposto no ser-se mais humano, aposto na maior entreajuda, aposto no "day after", embora sem o "apocalypse", tantas vezes erradamente propagandeado, tantas vezes gozado.
Não estou certo do que digo, nem tão pouco certo das minhas crenças - ninguém pode afirmar o que quer que seja., mas estou crente de que 2012 será o ano zero, o ano que nos dará um estalo tão grande que, das duas uma: ou acordamos de vez ou ficaremos sem calendário, ou melhor, sem "desta vez".
Francisco Moreira
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