sábado, 17 de março de 2012

Cair ao Poço


"Cair ao Poço" Sei lá! Tinha para aí uns 10 anos nas vezes em que, em termos de resultados, melhor participei no "Cair ao Poço", o jogo infanto-juvenil que geralmente tinha como palco a privacidade das traseiras de um pavilhão escolar, de um pinhal qualquer para os lados de Vila Nova de Gaia, ou, em férias grandes, as dunas, que ainda não "eram" do Reininho, mas que para lá caminhavam...

 Era inquietante e por vezes assustador entrar naquele jogo de perguntas que necessitavam de respostas e no qual, se não me falha a memória, o resultado poderia ser dar um abraço demorado em versão apressada ao parceiro masculino ou (expoente máximo!) ganhar um beijo com língua (ensaio para o futuro "linguado", uns anos à frente) da pretendida - a "mulher" que sonhávamos ter como namorada para sempre ou, sintetizando, até ao fim da escola preparatória...

 Convém sublinhar que o facto de ela (a tal, a única, a sonhada, a "desejada") estar ali e de aceitar entrar no jogo, já era uma vitória, sendo que, mentalmente, garantia-nos a hipótese de haverem hipóteses... Mesmo quando isso, quase sempre, originava inúmeros desconfortos, principalmente por causa das revelações públicas (que todos já conheciam) a que se estava sujeito... (estes jogos eram "armadilhados", por vezes, com semanas de antecedência, mas sempre dando a ideia de que, por não haver nada para fazer, podia sempre "cair-se ao poço" naquele dia "insignificante")

 E as perguntas doíam, principalmente para quem, como eu, não se dava nada bem com a mentira (moralismos ensinados desde pequenino)...
 - Estás apaixonado pela Maria João?
- Hmmm, bem... hmmm... (apetecia fugir)
 - Gostarias de fazer amor com a Maria João? (sabia lá o que era fazer amor!)
- Hmmm, bem... hmmm... (corava e corava, imagino)

 As respostas (que não se podiam dar, por mais "lata" que se tivesse) acabavam sempre por nos levar para a "queda" no "poço", claro!... E, depois, (se bem me lembro de como se jogava isto) haviam as consequências (com adrenalina), aquelas que, na maior parte do jogo, não eram as mais desejadas (dar um beijo na boca à rapariga menos bem cheirosa da escola) e as do "finalmente" (dar um "linguado" à mulher que, para nós, era a mais linda da escola).

 E era assim que, numa tarde qualquer, se passava do brincar aos "médicos e enfermeiras" para o mais "adulto" brincar às consequências. (expressão que, penso hoje, foi escolhida por, na prática, fazer-nos passar por grandes constrangimentos para se poder alcançar a vitória: beijar a eleita)

 Não sei se ainda se "cai ao poço", porventura na Internet, mas gostava de ver a vossa cara se, em público, vos fizessem as perguntas que se faziam naqueles tempos, sem maldade, com inocência e, mais interessante, com resultados práticos; os bons, claro. Responderiam ou apostariam a vossa sorte nas consequências?
 Kiko

2 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Creio que alguns jovens ainda vão caindo ao poço. Pelo menos na minha família, já ouvi os miúdos falarem disso...

FM disse...

É bom saber que há quem se entretenha com mais do que a vida virtual... (sorrisos)
Abraço.

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