quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Ladrões de Meia-Tigela

Dois maços de tabaco, dois carregadores de isqueiro (do telemóvel e GPS), um multi-ferramentas portátil, um cinzeiro carregado de moedas, talões e combustível de um ano, halls, chiclets, canetas e um vidro lateral estilhaçado no banco do "pendura", além de inúmeros telefonemas, um carro alugado para 4 dias, um amuo e um dia de trabalho perdido.
Em resumo, é este o balanço de um assalto numa das ruas mais movimentadas de Matosinhos a um carro chegado ontem da revisão.
O auto-rádio ficou, os documentos da viatura também... E, apesar de não parecer mal de todo quanto a balanço, esta história deixa-me profundamente irritado, principalmente porque o apuro do roubado não chega a 5% do valor total do prejuízo a suportar entre mim e a seguradora.
Para quê sujar as mãos e a consciência (se é que a há?!) a troco de míseros tostões? Para quê prejudicar o outro quase em vão?
Na semana passada foi o carro da minha cara-metade, sem vidro partido mas com prejuízo idêntico, já que levaram parte do auto-rádio e os documentos da viatura...
Para quê? Não paro de me questionar,... É que não parece ter a mínima lógica.
E por falar em lógica, quando procuro título para este Post, não me ocorre outro que não... Ladrões de Meia-Tigela.

Justo

Estou cheio das injustiças, estou cheio de ver o Justo, o António e a Manuela a pagarem pelo Pecador... E ainda por cima, nunca tive a honra ou desonra de lhe ser apresentado. Devia haver uma lei que obrigasse o tal do Justo a ser avaliado por outro Justo, nem que este Justo recebesse mais benesses do que o Pecador, talvez em senhas de refeição, não sei, ao menos não passava fome, nem andava a roubar para poder engordar...
Posso não entender nada de leis, inclusive daquelas que não estão escritas nos livros que apanham pó nos tribunais mas, se fosse alguém importante, punha um anúncio no jornal e fazia um casting a nível nacional do tipo "O mais Justo do País"... E logo de seguida mandava o Pecador para o subsídio de desemprego ou punha-o a fazer umas horas extra num qualquer manicómio. Sim, num manicómio! É que muitas das pagas que o Pecador manda pagar põe o Justo, o António e a Manuela a tomar enormes quantidades de comprimidos sem qualquer tipo de comparticipação do estado... É verdade!
O problema não é arranjar um júri Justo para fazer a selecção, a tarefa mais difícil é garantir que não haverá pecados infiltrados... Há sempre o receio de que todos os candidatos a Justo mal se sentem na cadeira possam cair na tentação de vestir a pele do Pecador, para pena também do António e da Manuela.

Pensamento... À Minha Maneira.

Não é nas verdades que os outros nos expõe que encontramos a solução para realizar os nosso dias, é que muitas dessas verdades não passam de ficção.
Francisco Moreira

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- Que canção se prende melhor ao teu dia de hoje?

- Psstt!

Muito se fala em pose, seja ela fotográfica, televisiva ou - a mais vulgar - pose de shopping. Entre elas não há grandes diferenças, se exceptuarmos a visibilidade da exposição e a quantidade de cifrões que originam, ou não.
No caso das poses fotográficas, passam horas à procura da melhor pose para, entre centenas de repetições, um iluminado escolher a mais "maravilhosa". Na televisão, por sua vez, a pose é sempre em movimento e não dá direito a grandes retoques, ou a câmara gosta ou não há milagres que lhe valham, à pose. E por último, mas não menos interessante, a pose de shopping é aquela que todos conhecemos e que passa simplesmente pelo "psstt" em versão visual, sim do "psstt". Então, quem faz pose no shopping tenta por tudo para que, à custa da roupa - de preferência pouca - e de uma maquilhagem menos suave, consiga chamar à atenção de todos e de cada um?!
Se calhar um "psstt" conseguia dar mais nas vistas, quanto mais não fosse em número de (verdadeiros) olhares. Só é pena que não apareça nas fotos e que funcione mal em televisão, caso contrário, não faltariam latas de spray para atirar a quem não reparasse.

Amargura

O nosso quadro pode sempre ser melhorado, pode sempre ser colorido, pode sempre mudar de parede... E é nas alturas em que julgamos que a paisagem que pior nos emoldura que devemos optar por vislumbrar novas filosofias, novas tonalidades, absorver novos sentidos e recriar o nosso próprio olhar...
Nenhum quadro é definitivamente cinzento nem eternamente colorido, nenhum quadro pode ser vendido ao desbarato sem dar a hipótese a licitações que imaginamos não existirem, nenhum quadro é desastrosamente mau ou indigno de restauração.
Todo e qualquer quadro tem uma estação do ano, uma rota e um sem número de perspectivas diferentes, algumas menos abonatórias, como não poderia deixar de ser, mas possíveis.
Mais do que pincelar no vazio ou sem sentido, há que procurar as cicatrizes e remendá-las com tintas mais resistentes... à amargura. A partir daí, a tela deixa de ser um obsoleto recanto de uma parede sombria para se transformar numa galeria de vontades.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Digo eu.

Acho que anda para aí muita gente a precisar de sair do "caixote" e mostrar quem é sem as tais das reticências, mesmo que isso custe um ou outro dissabor...
Refiro-me concretamente aos "encalhados", sejam eles homens ou mulheres.
O que não pára de proliferar é pessoas e mais pessoas que se refugiam no "eu estou bem é assim", sabendo todos - incluindo os próprios, que não é bem assim... Não fomos feitos para viver em "caixotes" individuais e muito menos desperdiçar os anos, por vezes dourados, na expectativa de que "se o sol nasce para todos também nascerá para mim, ou talvez não".
Somos diferentes, certo? Procuramos quem se "encaixe" em nós, certo? Por vezes até acreditamos saber quem é a tal da "cara-metade", certo?
Se há tantos "certos" na balança, porque carga de água é que cada vez mais gente prefere o "caixote" a um "T1+1"? Não sei mas, parece-me óbvio que o errado não tem mais vantagens do que o certo, ou terá?!
Não sei, estou a especular mas, por outro lado, não se compra uma casa como se compra uma camisa, seja ela de noite ou de dia... É preciso procurar, avaliar, avançar... e mais coisas terminadas em "ar" que não têm que ser obrigatoriamente esperar, digo eu.

Filmes

Um ano destes falei do fenómeno de bilheteira que está a ser o ganha-pão da sétima arte nacional, mesmo quando o estado e as televisões patrocinam grande parte dos "prejuízos".
E para quem não se lembra, tudo se resumia a um pormenor: ter a menina bonita vestida de Eva, mas não uma Eva qualquer, tem que ter um pacto com o Diabo e, de preferência, vestir-se e despir-se no tempo em que Satanás pisca um olho, mas sempre, claro, sem que possamos deixar de o entender como arte.
Sim, é verdade. A grande maioria do público que vai ver filmes Portugueses "dá-se ao trabalho" pela história, seja ela de um Padre com cara de Anjo, de um Autarca que se apaixona pela rapariga mais nova ou mesmo de um Dirigente desportivo que gosta de ir a bares com maior frequência feminina, entre outros.
E o mais interessante é que as histórias são tão cativantes que, quando se lê a imprensa, entre as fotografias de gente "da arte", destaca-se sempre um parágrafo onde se pode ler que a "Eva" aparece totalmente sem parra, e melhor ainda, num desempenho extraordinário.
Concordo, a actriz é sempre o protagonista, mesmo quando não é para o nome que se olha.

Sem Palavras

Outro dia li por aí que há gente feliz por ser gente nas páginas que também me passam pela mão... Sim, que há pessoas que não se importam de ser papel brilhante a troco de "rouge" e "pó de arroz", nem que para isso não mereçam uma única palavra a colorir a fotografia...
Pelos vistos há gente que tem mais o que fazer do que perder tempo com palavras que ninguém lê mas que todos vêem no retrato cinzelado a tons dourados.
É, as letras perderam a cor, a garra e o peso de outros tempos... Nesta era da cor, qualquer arco-íris virtual consegue dar mais nas vistas do que um mísero palavrão.

- Tens 1 Minuto?

Não terá o tempo uma "catrefada" de tempo para nos ensinar a não perder tempo com a falta de tempo?

Não terá o tempo mais do que fazer do que nos apontar os ponteiros do tempo perdido no que ainda está para acontecer?

Será que os relógios já vêm todos atrasados ou, pior ainda, comprámo-los com este terrível defeito de contarem o tempo?

Contas

São tantos e tantos os acasos que encontramos na travesseira das noite que, por vezes, dá vontade de estar definitivamente acordado. A noite e o silêncio em que nos permitimos embalar têm o defeito de nos fazer exorcizar grande parte dos passos que cometemos nos minutos do erguer.
Será a vida a fazer contas a nós?
Seremos nós a sentir o peso do débito que contraímos dia após dia?
Um dia destes troco de almofada e viro-me definitivamente para o travesseiro. Sempre terei mais "plafond" na conta corrente do existir, mesmo na altura de subtrair ao que deveria ser somar.

Pensamento... À Minha Maneira.


Não é no ser radical que se encontra a verdadeira experiência da vida, é na liberdade de poder acontecer.
Francisco Moreira

Penitência

Por vezes dou comigo "a solo" em penitência mental, naquele sentir de culpa que nos mói o pensamento em jeito de dor de cabeça. Esse mesmo!
Há tanto pelo que penitenciar, há tanto que corrigir, há tanto que evitar, há tanto que aprender, há tanto que evoluir... E o pior é quando a penitência sabe a "dejà vue", e nela sentimos a fotocópia do gesto, o reimprimir do erro, o decalque do que prometemos não voltar a "cumprir".
É, falar é sempre mais fácil, e se for para dentro - sem "ouvintes", ainda melhor. Dá-nos a hipótese de mentir no número de reincidências e vestir a pele do "desta vez é que será".
Se cumpríssemos à risca as penitências que nos impomos, não sei bem porquê, parece-me que passávamos as próximas 5 vidas ajoelhados, a cumprir penitências pelas penitências, claro.

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- Que melancolia te recorda o passado?
terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Fera Ferida

O mundo está cheio de feras feridas. Está a ficar perigosamente sobrelotado de cicatrizes que nos tentam transformar em novas feras... E nós aqui, à espera do próximo ataque, de dentes em riste, de lâmina pronta a ficar ensanguentada, de candeeiro aceso ininterruptamente, como se a vida fosse sempre um candidato ao Óscar da escuridão.
O mundo está a transformar-se numa jaula de loucos, num caminho minado onde o que conta é a arma e não o que a crença jura ou a convicção tenta comprovar. Estamos a perder aos pontos na guerra das palavras, e o que mais vale é o ceptro do gesto, o rasgar dos acordos, o prevalecer do mais temido.
O mundo está a esvaziar-se de abraços, está a sofrer de anorexia emocional num degelo de opções...
Por incrível que pareça, já há mentiras a preço de saldo, sejam elas fonte de sangue ou de sal. O que conta é o preço e não a conta.
E o caminho é este, entre a ferida e a cura, na esperança de que o retalho com que nos cobrimos não faça de nós mais uma fera "incuravelmente" ferida.

Pois!

A tua vida está de pernas para o ar?
Porque será?
O que fizeste?
Por onde foste?
O que ignoraste?
Quem não ouviste?
O que alteraste?
Porque arriscaste?
Quem ludibriaste?
Quem foste?
Quem és?
Quem gostarias de ter sido?
Pois! Tu, só Tu.
Então porque é que te trocaste por outro Tu?

Pensamento... À Minha Maneira.

A melhor das máscaras jamais consegue esconder o pior dos cenários, sejam eles de que tipo forem.
Francisco Moreira

- Que filme!

Não sei se há pés que cheiram a "alfazema", mas confesso que uma das situações que me deixa mais tenso é quando tenho que retirar os sapatos ou sapatilhas em público. Tenho sempre receio de lançar um odor perfeitamente detectável que leve os pescoços de quem estiver por perto a accionarem os músculos na minha direcção.
O problema é que existem várias situações em que tenho vontade de me descalçar, e uma delas é, por exemplo, quando vou ao cinema. Não sei, sinto-me mais confortável descalço, aprecio melhor o filme... Algo que funciona ao contrário quando aprisiono os dedos dos pés,... É como se não lhes permitisse verem o filme e, por consequência, o filme é "pior".
Se transpiro dos pés? Quem não transpira?!
Se se nota o cheiro a chulé? Sei lá, pelo menos tenho receio que tal aconteça... E quando pergunto dizem-me que não.
É por estas e outras razões que muitas vezes travo a vontade de "liberdade" que os pés exigem e obrigo-os a "não verem" o filme de maneira a evitar "outro" filme.
Em resumo, de cada vez que estou horas (parado) num determinado local, os meus pés fazem sempre um filme. E o pior é que não se eles já estão numa onda futurista de "película com aromas" ou se, por outro lado, são uma espécie de "drama a preto e branco" que vejo como um filme de terror.
Que há sempre um filme, lá isso há.

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- Quando foi a última vez que deste a mão a alguém?

Paranoias de um Locutor de Rádio 2

Uma das questões que mais suscita interesse junto de quem não está envolvido com o meio Rádio é a selecção das músicas ou, se preferirem, as Playlist. O que a imagem demonstra é isso mesmo, uma playlist no computador de emissão que uso diariamente com músicas, jingles, instrumentais e separadores.
Do lado direito encontra-se o que está(va) a tocar (1ª faixa) e o que será emitido. Do lado esquerdo encontra-se uma das listas onde estão as várias opções musicais, as quais, claro, respeitam a filosofia musical estabelecida para a estação emissora, isto segundo vários pressupostos.
No meu caso, trabalho com 7 playlists, às quais vou buscar os temas que, no meu entender, melhor se enquadram em função da hora de emissão e do target que se pretende atingir.
É uma grande verdade que, desde há uns anos atrás, com a formatação das Rádios, deixou de ser o locutor a assumir a plenitude das escolhas musicais. No máximo, como acontece comigo, pode escolher as canções a tocar as que "mais gosta ou menos desgosta", isto de entre um leque restrito de opções. Mas tem lógica. O objectivo principal é fazer com que a emissora tenha uma linha equilibrada e minimamente coerente.
O locutor já não toca nos CD e muito menos nos Vinil, ele deixou de ir à discoteca já que a discoteca está dentro do computador com que trabalha durante várias horas. Está tudo lá,... e ele "só" tem que ser um bom "cozinheiro" de maneira a conseguir que as iguarias que estão à sua disposição agradem ao maior número de pessoas que se encontram no seu público-alvo. As audiências, tal como em televisão, contam... e muito.
Como curiosidade, e contrariamente ao que faz a maioria dos outros locutores, eu alinho todo o programa de uma só vez... Muito raramente altero a playlist a seguir. Para terem uma ideia, um programa de 3 horas demora cerca de 30 minutos a alinhar, isto em simultâneo com a natural condução da emissão.
Por tudo isto e muito mais, quando ouvirem Rádio, imaginem um computador a debitar o que ouvem enquanto um locutor debita a informação que os "intervalos" musicais lhe permitem.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

"Arremediados"

O tema pobreza nunca esteve tão em voga como nos dias que correm... E, a sério, ainda bem que as notícias nos "escancaram" imagens tristes que, queiramos ou não, acabam por nos fazer pensar melhor no nosso próprio percurso, no caso desse percurso ter um "volte-face" amanhã... Um estudo diz que famílias com 2 filhos e rendimentos inferiores a €1350 mensais são consideradas pobres, mesmo contrariando aquilo que essas e outras famílias possam pensar, já que o termo "pobre" é facilmente direccionado para aquela imagem do pedinte que dorme nas ruas. Mas, pelos vistos, não é bem assim, há mais pobres do que aqueles que julgamos ver (quando temos coragem para olhar!) a olho nu...
Recorrendo uma vez mais ao "pelos vistos", segundo quem entende destas coisas com uma tabela de números como prova, não faltam pobres em Portugal, não falta quem trabalhe para pagar as despesas, não falta quem não tenha €1 a mais para poder ter um "luxo" de quando em vez...
Os patrões pagam mal, os empregados recebem pouco, as (novas) contas não param de aparecer e o cinto já não tem mais para onde "correr"... E o pior é que a próxima geração, pelo que nos é dado a perceber, terá ainda mais dificuldades, principalmente em arranjar emprego, ou melhor, salário.
É por estas e por outras que, afinal, ter um salário de €500 pode parecer uma sorte nos dias que correm mas, feitas bem as contas, pode ser um sinónimo de pobreza e não de se ser - como diz a minha mãe - "arremediado"... Mas, por outro lado, mais vale algum do que nenhum, sempre vai dando para "arremediar" as contas em que nos metemos...

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- Tens subido ou descido mais degraus, na vida?

Temos Tempo?

Muitos dizem que os trabalhadores Portugueses são uns "sornas", uns "deixa andar", uns "amanhã também é dia", etc. Obviamente que há exemplos para todos os exemplos, estejamos em Portugal ou na China mas, convenhamos que, afinal, somos um pouco mais dados ao "temos tempo" do que a maioria dos outros povos, isto quando não é necessário recorrer ao "é p'ra ontem" porque, nessas alturas, chegamos a ultrapassar todos os outros com uma vantagem descomunal.
E é por aqui que podemos avaliar onde e como reside o principal problema. De facto, não sabemos aproveitar o tempo que nos é dado com os mesmos minutos dos outros. No fundo, somos uns "desperdiçadores de tempo", daí dizer-se e comprovar-se que produzimos menos do que os outros, infelizmente.
Quando reclamamos da qualidade de vida dos estrangeiros, se exceptuarmos as questões salariais, podemos culpar-nos por não fazermos por conseguir produzir o mesmo que eles conseguem... E aí, claro que lhes sobra tempo para irem para casa às 4 da tarde, ir ao pub antes do jantar e deitarem-se antes da 2ª novela da TVI. E não menos interessante, é que a maioria dos "outros" não levam o trabalho para casa, ao contrário de nós que só levamos os seus problemas, os do trabalho,... aqueles que deixamos para resolver no "temos tempo".
Será que temos?
domingo, 25 de janeiro de 2009

Ângelo... Versão "Dormir"

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Cara de Parvo

O ficar-se com cara de parvo é algo comum em todos nós mas, há caras de parvo e caras de parvo.
Sei que, mais do que uma vez ao dia, todos acabamos por fazer figuras parvas que, por conseguinte, levam a que outros fiquem com cara de parvo mas, há caras de parvo e caras de parvo.
Faço muitas vezes parvoíces mas, por vezes, a cara de parvo com que fico é incomparavelmente superior às parvoíces que faço, e são muitas.
Ainda estou à espera do dia em que vou consegur dominar a minha cara, por tamanha que seja a parvoíce dos outros,... ou será que não somos capazes de avaliar o efeito que a nossa parvoíce provoca na cara dos outros?

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- O que te apetece admirar?

Trovoada

Todos dizem que as mulheres têm a língua afiada... E todos sabemos o que se pretende dizer com isso, certo?! Certo.
Não sei se a têm mais afiada do que os homens mas, convenhamos, têm-na mais "venenosa" do que nós, não acham?! Ok, opiniões.
Contudo, acredito que chegaremos ao consenso quanto ao facto das mulheres conseguirem gerar mais confusão com os seus "contos e ditos" do que os homens, verdade?! Talvez?!
Pronto, pronto. As mulheres, graças aos termos que rapidamente saem dos seus diálogos grupais, conseguem gerar mais desentendimentos do que a maioria dos elementos do sexo masculino. Não?!? Como não?!
Pois, é por negarem o que dizem que, quando se vai a ver, afinal, lançam as faíscas mas nunca querem pagar a conta da... "trovoada".

Manifestação contra a Manif

O meu Pai, no meu tempo, dizia que no seu tempo é que se aprendia, que no seu tempo é que se tinha que saber todos os rios, os reis e as cidades na "ponta da língua", que não era como no meu tempo em que, sublinhava, se "passeava os livros"...
Hoje, perto de 30 anos depois, vejo-me a copiar o seu papel e a dizer que no meu tempo é que se estudava e que nos tempos que correm quase se é obrigado a passar de ano... E por aí adiante...
No fundo, o que mais me espanta, é o grau de conhecimento que os estudantes de hoje têm relativamente a matérias que nem no "Espaço 1999" existiam e, em contra-partida, a ignorância que os atinge de maneira fulminante sem que façam nada por isso. A ignorância é fixe!
Será que saber fazer um programa de computador é mais importante do que saber escrever uma frase de 4 palavras sem dois erros ortográficos? Pois, se calhar é, e eu para aqui armado em "dicionário de papel" cheio de mofo quando, na verdade, são os correctores automáticos que ensinam o computador a escrever sem erros e não aquilo que raras vezes se "ouve dizer" nas tentativas de aulas ditas de Português.
Se o meu Pai lesse algumas mensagens de telemóvel que são enviadas a toda a hora, não sei bem porquê, acho que fazia uma manifestação estudantil contra os estudantes e contra os professores. Mais, punha-os a todos de castigo, a começar pelos governantes que acham que até ao 9º ano não se deve "repetir", já que chumbar ou reprovar deixou de fazer parte do dicionário, inclusive o virtual, por desuso.
Acho que o meu Pai, se fosse vivo, atiraria a primeira pedra contra quem escreve Manif sem "traduzir" para Português, fosse ele quem fosse.

Pensamento... À Minha Maneira.

Há alturas na vida em que perdemos a cabeça sem perceber que é graças a ela que podemos ultrapassar o que nos levou a perdê-la.
Francisco Moreira

Paranoias de um Locutor de Rádio

Poucos imaginam o valor que pode ter uma caneta para um locutor de rádio... Mas tem, e muita, pelo menos para mim, razão pela qual só uso as que a imagem representa... E, acreditem, não é a mesma coisa escrever com outro tipo de canetas.
A caneta serve essencialmente para tomar nota de ideias em forma de palavras ou pequenos títulos de assuntos que entendemos merecerem destaque naquela dia, naquele programa, isto sem esquecer o natural sublinhar das inúmeras notícias que diariamente nos chegam às mãos. A caneta ajuda, e muito, a separar o "trigo" do "joio".
Provavelmente, nesta era dos computadores, poderão achar que a caneta tem pouca "valia" mas, para perceberem melhor, um locutor sem uma caneta por perto - de preferência, a sua - não se sentirá minimamente confortável para fazer um programa.
Imaginem-se sem caneta em dia de exame... A sensação é idêntica.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

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- Que palavra te apetece gritar?

Atrasados

Há verdadeiros prazeres que, sem se reparar, deixamos passarem ao lado em nome dos assuntos importantes, dos temas inadiáveis, das decisões do minuto. E o mais (menos!) interessante é que, tais momentos, são vividos intensamente com o objectivo de se conseguir amealhar o "algo" que permita ter os tão desejados prazeres da vida e, de preferência, multiplicá-los por horas sem fim ou para o resto da vida.
Até aqui, tudo mais ou menos bem. O problema é quando se passa a dedicar a maior parte do tempo a escalar a pirâmide que permite chegar melhor e mais rapidamente aos tais prazeres. É que não faltam exemplos de exemplos que se perderam na teia do "amealhar" sem desfrutar.
E, já agora, é por estas e por outras que, quando se fazem as contas à vida, muitas vezes, chega-se à conclusão que chegamos,... mas muito atrasados.

Bailarinos

Sê bem-vindo ao baile,
despoja-te dos medos
e escolhe o teu ímpar.
Não te vistas de ser
nem ouses acontecer,
o que importa é fingir.
Sê bem-vindo ao baile,
veste a tua máscara
e reinventa a fantasia.
Não impressiones demais
nem abuses do teu olhar,
estás aqui para fintar.
Sê bem-vindo ao baile,
àquele palco de hoje
que te viciará amanhã.
Francisco Moreira

Pensamento... À Minha Maneira.

Não é nas curvas e contra-curvas que se encontram as linhas rectas mas, com mais ou menos demora, podem ser uma boa alternativa para se chegar ao destino com mais segurança.
Francisco Moreira

Vil

Que "a vida não está fácil" é o que mais se ouve um pouco por todas as bandas, sejam elas faladas em meios mais íntimos ou em planos mais abertos. Há mesmo que sublinhar que "a vida não está fácil" para ninguém, inclusive para aqueles a quem ela brindou com saldos mais generosos... Sim, é que mesmo quem muito amealhou acabou por perder "migalhas", por vezes de milhões.
Obviamente que "a vida não está fácil" principalmente para quem tem os tostões contados e recontados até uns dias antes da vinda dos "débitos" por conta. Mas, o que se há-de fazer? Viver da lágrima da desilusão ou da desculpa da razão?
Pode parecer em vão mas, a luta do primeiro passo deve passar pelo ancorar firme em novos alentos, daqueles que, sem números, incentivem a reerguer a vontade que nos permite continuar de cada vez que a nuvem do vil metal teime em enublar o nosso caminho.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Etiquetas

Nunca entendi muito bem o porquê de as "assinaturas" dos vestidos merecerem tanto destaque, principalmente quando se trata de exibi-los em eventos de renome, ao ponto de haverem sites que ajudam a que não hajam "repetições" nessas passarelas do exibicionismo.
Não seria melhor haver maior preocupação em fazer boa figura do que em mostrar a etiqueta?
Pois, provavelmente as melhores "figuras" dependem das assinaturas nas etiquetas, ou não.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Matar o Bicho

Isto do pecado "morar ao lado" tem cada vez mais que se lhe diga... Não sei porquê mas, não faltam árvores com maçãs apodrecidas que, à custa de uma maquilhagem de vão de escada, lá disfarçam as "sombras" nos esconderijos e prometem prazer fictício com arraiais de outros filmes.
A "fruta", pelos vistos - seja ela mais amarga ou adocicada, está ao "preço da chuva" e, com tanta aula televisiva, não faltam rasgos de marketing para se auto-promover, para se auto-oferecer... É a lei da concorrência ou, se calhar, da feroz procura, principalmente num mundo - dizem - onde não falta veneno, a maior parte do qual imune ao melhor dos pesticidas.
É, o pecado está cada vez mais "barato" e apresenta-se com extras ao preço dos "300", inclusive para quem evitar "pagar" com a consciência... ou com a desculpa da "oportunidade".
Sendo mais preciso, nos dias que correm, até parece que a "fruta" vem sempre "fora d'época", na procura de um "bicho" que morda a troco de carne, seja ela de "porco ou de vaca".

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- Em que altura te sentes mais livre?

Paragens

As paragens de autocarro já não são o que eram, inclusive nas "cores".
Antigamente, usavamos a curta espera que chegava a demorar uma hora para trocar "olá's" e falar dos "olé's" com que a rotina nos fintava. E o assunto não se limitava ao estado do tempo nem ao futebol que, diga-se, era ao domingo à tarde.
Hoje, quando se olha para a paragem do autocarro, somos ridicularizados pela beleza do photoshop despido que nos faz sentir que trajamos trapos ou, por outro lado, somos calados pela gravação que nos anuncia com voz de comando a chegada do meio de transporte que nos levará para o destino.
Eu sei que as filas já são menores, que não se cumprimenta quem se vê todos os dias àquela hora, que não se compram bilhetes ao "pica"... Mas, voltando à questão das paragens, que já nem sei se são de autocarro, metro, comboio de superfície ou autocarro turístico, fico sempre com a sensação que, com o conforto, perderam o brilho.

Velhos são os Trapos

Não sou daqueles que entende que a idade retira vontade, imaginação, garra e empenho. Provavelmente afirmo-o agora porque estou a chegar aos "enta", aquela etapa em que dizem que a "ternura" tem mais encanto. Será?!
Fico feliz de cada vez que encontro alguém com idade para avô mas que não se entrega à terceira idade, fico feliz de cada vez que encontro alguém que não precisa de fazer o pino para manter a elegância, fico feliz de cada vez que encontro alguém que não arrasta a voz mas a usa com a firmeza de quem se orgulha em saber.
E não faltam, cada vez mais, pessoas a quem o bilhete de identidade não consegue tramar, não consegue bloquear os passos e a vontade em acontecer.
É bom sentir que a "velhice é um posto" que não se limita a ficar no "banco de jardim".

Pensamento... À Minha Maneira.

A sombra nem sempre é fiel à imagem que reflecte. Por isso, antes de optar, há que confirmar.
Francisco Moreira

Yes, we can!

Quem teria coragem para estar na pele deste homem? Tu terias?
O que sentirá ele a poucas horas de se transformar no pseudo-homem mais poderoso do planeta? Quem já estará a tentar tramá-lo?
Todo um mundo, movido pelas suas palavras, gestos e energia, deposita uma grande fé no seu potencial, no seu "Yes, we can!".
Sei que o sonho e a fé são uma espécie de ópio que nos ajudam a encontrar "pretextos" para continuar a acreditar em dias melhores, em soluções de curto prazo, em caminhos mais férteis. Mas, e ele, será que ainda acredita nele mesmo? Será que terá força para romper as "teias" que a esta hora já devem estar a tentar impor-lhe o fato de marioneta? Será que Barack Obama é apenas mais um golpe de marketing que, por acaso, conseguiu atrair a atenção dos "descrentes"?
Também acredito nele, também quero que ele vença, e sou dos que acreditam que pode fazer melhor a um mundo doente, a um mundo viciado, a um mundo dividido e asfixiado.
O meu maior receio é que, apesar de acreditar nele mesmo, Obama possa ir perdendo a força que outras forças certamente já estão a operar.
Também sou pelo "Yes, we can!" mas com receio de que o peso do "outro lado" obrigue-o a ceder a um "No, we can not!"
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

In Vitro

Há cada vez mais poluição nos sentimentos, cada vez mais cinzentismo na alegria, cada vez menos vida e mais "filmes", tudo em prol da chamada evolução da humanidade.
Não falta quem evite viver, quem controle o abraço e quem renuncie ao sorriso verdadeiro. Não falta quem se esconda de si, quem aborte as qualidades e, pior ainda, quem subscreva linhas de orientação inquinadas.
É a evolução para o futuro sem viver o presente, o senso-comum dos dias de hoje que, mais do que nos ajudarem a evoluir enquanto pessoas, nos garantem um vestuário de época e nos transformam em vegetais sem sabor.
Do que falo? De quem falo? É simples, falo do agora, aquele instante em que evitamos olhar para o lado simplesmente porque não queremos ser "contaminados" pelo estranho que pode lembrar-se de nos pedir ajuda ou até mesmo um abraço.

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- Quem dá mais cor ao teu dia?

Pão

Ontem, ao ler uma grande reportagem no JN, fiquei longos minutos a pensar no tema pobreza, na fome de quem já viveu bem e que, pelas mais diversas razões, perdeu tudo, inclusive a vergonha de ir à "sopa dos pobres".
A dita reportagem - sem tecidos coloridos, tocava na ferida que tantas vezes não vemos ao lado da nossa porta, testemunhava a quantidade de novos pobres que vão para a fila da oferta de pão e que enganam o corpo com semi-refeições em dia sim, dia não.
Pensei em mim e nos meus, pensei no meu comportamento, nos desperdícios a que me sujeito, na sorte com que me levanto diariamente...
É uma pena que tenhamos que recorrer a imagens como as que li para aprendermos, nem que seja por instantes, que, afinal, não é pobre só quem "quer"... E muitos de nós, que nos lamentamos do que temos, nem nos apercebemos da sorte que temos e que dá para ter pão, inclusive com queijo e fiambre, quando mais de 300 mil "vizinhos" esperam na fila da "vergonha" pelo pão com pão.
sábado, 17 de janeiro de 2009

Ângelo de Almeida Moreira

3 Meses e 17 Dias de... Luz.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Continhos... Instantâneos

"Brinde"
Ela tinha uma paixão imensa por chocolate, uma adoração inquestionável pelo final de tarde e por aqueles 30 minutos de sossego absoluto que só aconteciam à 2ª feira, o dia que o patrão, amigo da sua família, entendia usar como prolongamento do fim-de-semana.
Num desses finais de tarde, deu consigo a olhar para a mensagem com que o Dr. Américo a despediu nesse mesmo dia. Foi num "post it" entregue pela sua substituta - 20 anos mais "descascada" - que Helena leu um simples "Põe-te a andar. Está aqui o cheque e bem gordo, já com as tuas contas todas feitas".
É, foi despedida da secretária onde envelheceu 15 anos entre berros e horas extra sem conta. Mas, por outro lado, estava finalmente livre de contar os tostões daquele salário de miséria pago a más horas que, todos os santos meses, ditava €560 e mal dava para pagar a renda do quarto, os remédios da mãe e o vício doce com que se presenteava todos os dias, um chocolate com brinde.
Este cheque, ao menos, tinha mais dois zeros e poderia descontá-lo no dia seguinte, para variar.
De repente, despiu o ar triste de quem não sabe onde encontrar o amanhã e abriu um sorriso. E porque era um dia diferente, naquela mesa de café que conhecia mesa a mesa, desta vez, pediu um chocolate quente.
- Espero que lhe saiba bem. - Disse o empregado.
- Saberá como nunca, acredite. - Respondeu.
Pegou no cheque e, centímetro a centímetro, colocou-o dentro da caneca a ferver.
O papel foi encorrilhando e os dígitos foram borratando ao sabor de um amargo dia... Adicionou-lhe os dois pacotes de açúcar e verteu uma lágrima que se diluiu pelo rosto naquele instante bizarro.
- Está tudo bem consigo? - Perguntou o empregado.
- Sim, obrigado. - Respondeu.
- Não precisa de nada? Tem a certeza? - Insistiu o empregado.
- Tudo o que preciso já tenho.
- Foi o seu patrão, o Dr. Américo...? Não ligue, ele é assim, isso amanhã passa-lhe...
- Não passa, não.
- Tenha calma menina Helena, verá que tudo se resolve...
- Eu sei, e resolver-se-á já amanhã... É que por cada chocolate que comi até hoje comprei uma acção da empresa e, por estranho que possa parecer, neste momento estou a dar início à minha dieta e, como accionista principal, vou começar por cortar nas "gorduras" da empresa, nos "pesos mortos"...
- Ah...
- Por acaso não tem aí um guardanapo daqueles fininhos? Sim, daqueles que deixam passar a manteiga das torradas para as mãos?!
- Tenho, claro que tenho.
- Então, se não se importa, arranje-me uns mil e um pacote de manteiga ressequida... Quero escrever ao Dr. Américo cada uma dos insultos com que me brindou até hoje para juntar à carta de despedimento dele. Acho que ele está a precisar de um fim-de-semana com "ponte", e é bom ter o que ler como brinde.

Francisco Moreira

?

- A que horas estás efectivamente para ti?

Estanque

Entre o vazio e a saudade há sempre um caminho estanque,
uma sensação de perda que consegue evaporar a vontade.
Na fotografia recortada há sempre uma curva de sangue,
um instante assassino que rouba a mais importante verdade.
Mas o caminho existe, está "aqui".
...E tem tempo, mesmo que demore uma vida.
Francisco Moreira

"Alimento"

Quem ainda não encontrou o Amor não consegue afirmar se ele é "carne" ou "peixe" e, pior ainda, não consegue degustar um dos maiores prazeres da existência humana, a essência do sentir sem o saber definir com exactidão.
Não há nada como o Amor para nos alimentar os sentidos, todos os sentidos... E deixar-nos respirar com recurso a todos os poros, inclusive aqueles que teimavam ao longo de uma grande parte da vida em resistir ao oxigénio que o Amor transporta, sem preço, sem reservas, sem obrigação...
Quem tem Amor pode não ter tudo, mas está lá perto... Seja ele, o verdadeiro Amor, feito de "carne" ou de "peixe".

Pensamento... À Minha Maneira.

Não é na espera que se avança, nem quando o desejado cai do céu.

Francisco Moreira

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Sempre algures entre o hoje e o amanhã, sem esquecer a memória.

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