sábado, 28 de janeiro de 2012

Topo de Gama


Topo de Gama

Nota: Sou suspeito. Sempre gostei de Pedro Abrunhosa, da pessoa, do poeta e do animal de palco que sempre foi e que sempre será.

Cruzei-me com ele nos primeiros passos de "Viagens", fui dos primeiros a tocar o "Não posso mais", numa rádio, em Gaia... E, desde essa altura, já lá vão 18 anos, confesso que me cansei de responder (defendendo-o) às "bocas" do género : "- O gajo não canta!".
Hoje, sereno e atento, num Coliseu que me permitiu ver e ouvir tantos e diferentes artistas, vi-o ser - uma vez mais - o melhor "entertainer" da música Portuguesa... E, aos outros, os com vozes mais ou menos "gritadas", conheço-os a quase todos, façam eles parte dos que ainda sobrevivem, dos que ficaram pelo caminho e dos que, na verdade, nunca conseguiram ser alguém mais do que os "15 minutos". O Pedro Abrunhosa, que levei a visitar uma cadeia, porque os detidos assim o exigiram, sempre comprovou ser um guerreiro, um perfeccionista, inquebrável, interventivo, iluminado. Ou seja: mantém-se no topo, com mais ou menos platinas, cantando ou nem por isso. Ele é topo, e topo de gama, já agora. Mas, esta noite, sem estar à espera do melhor concerto de Abrunhosa -  já que esse, dos que vi (nele), foi o primeiro que deu nesta mesma sala, já lá vão muitos  anos. - consegui, ironicamente e finalmente, arranjar a resposta à tal pergunta, a tal de se ele canta ou não canta. Por isso, mais do que esmiuçar o concerto de 3 horas - e que me perdoem os "Comité Caviar" - excelentes., opto por resumir o todo e o tudo numa frase:
- Cantor é aquele que consegue fazer chegar a mensagem a quem o ouve, esteja o receptor com mais ou menos atenção. Cantor é aquele que sabe usar a voz para transmitir sentimentos e fazer emergi-los em várias gerações. Cantor é aquele que abre a boca para dar melodia à vida, ao instante e ao sonho... E, que me perdoem os das "bocas" - incluindo amigos meus, mas, talvez por ter estado atento mais do que nunca a um concerto dele, sinto-me impelido a acrescentar que, Pedro Abrunhosa, além de ser o melhor "entertainer" da música em Portugal, é o melhor cantor Português das últimas décadas. E sabem porquê? Porque, além de conseguir aquilo que atrás referi, criou, editou, interpretou e dá vida ao maior leque de hinos que iluminaram, iluminam e iluminarão milhões de pessoas ao longo de quase 20 anos, inclusive quase todas aquelas que, pelo vistos, não o conseguem ouvir a cantar.
Parabéns, Pedro! Gostei de te rever no "Santuário" que crias e recrias como ninguém: o (teu) palco.

Francisco Moreira
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Sou não porque sim, talvez!


Sou não porque sim, talvez!

Não gosto que ousem catalogar-me em dicionários de corredor, e menos ainda quando utilizados por umbigos de grupos e grupinhos do "escárnio e maldizer". Prefiro o sussurro dos óculos de sol, e em todas as horas do dia, prefiro todos aqueles que não carecem de rímel para brilhar.
Entendo que as palavras, mesmo que em pensamento, nunca são suficientemente autênticas, quer para o bem, quer para o pior. E já sei que os grandes planos e pseudo-convites, na grande maioria, não passam de desbloqueadores de conversa... E, em parte, dou graças quando me sai um: ainda bem.
Gosto dos meus. E não gosto do porque tem que ser, daqueles com quem não partilharei uma lágrima, uma gargalhada, um pedaço de pizza num desbotado tapete de sala investido de confessionário...  Talvez por causa dos santos, ou dos demónios, talvez porque já transbordei o pote dos fretes ...
E hoje, para não falar do daqui a pouco, o relógio irrita-me. Irrita-me usar armadura, principalmente num aperto de mão... E tudo isto, assumo, porque os anos ensinam e ditam que há que evitar as correntes de ar vindas das janelas dos outros, são um risco, um tremendo risco...  Consta-se que quando se abre a porta a desconhecidos, poderemos cair  no erro de estar a dar sumo a quem, ao primeiro brinde, nos venha a tratar como parra... Valerá a pena arriscar tanto?! Não. Pelo menos hoje. Um dia destes, ou nunca, quem sabe, ver-se-á...
Mas... E será que envelhecer é assim tão lapidar, tão "colete de forças", tão fiel ao "é melhor assim"?! Será que não podemos ser iguais aos filmes, será que não podemos viver numa eterna comédia romântica, daquelas em que até fica bem rirem-se de nós, já que a maldade não passou no "lápis azul" de Deus, seja ele quem for?!
Incomoda-me querer ser e não dever. Incomoda-me vestir a pose "militar-chique", ser institucionalmente correcta e incorrecta, por mais fisgas que me estejam apontadas, por mais "naif" que me apeteça acontecer numa 3ª feira qualquer... Incomoda-me que me incomodem, incomoda-me que eu mesma me incomode, principalmente antes da hora do café com cigarro a condizer...
Quem me terá vacinado contra lugares comuns?
Será que só posso ser mais uma na fila do supermercado da esquina, numa loja sem lustre ou em conversas sem ponte para a feira das medalhas?! Será que não posso vestir o pijama, calçar uns chinelos, por mais cansados que estejam e, simplesmente, rir de mim, rir de nós, rir do nada, por nada, porque sim?!
Afinal, o que é ser feliz? Afinal, quem pode ser feliz? Afinal, quantos minutos de felicidade podemos ou devemos ter por dia?
E logo eu; que trocaria facilmente os catedráticos da ignorância feitos lapas do poder pelas histórias sem direito a palco de jornal daqueles "putos" armados em gente que passam ao lado das montras do Chiado... Sim, aqueles que parecem fixes, mesmo que nascidos no pós-retalhos de uma revolução, aquela que também daria jeito, uma madrugada destas, só para limpar umas "coisitas", coisa muita...
É, também fervo! E não são raras as vezes em que me apetece esmurrar o mundo, e mais do que uma vez, para ver se ele aprende, se reaprende.
Mas, porque carga de água tenho que levar com este vazio que acorda aos gritos e me impede de continuar a apreciar o lilás?
E que parvoíce é esta de aceitar que um relógio me dite uma agenda e acrescente que sou uma sortuda?
São cada vez mais repetitivas as manhãs em que me apetece deixar uma fotocópia da outra "mim" nesta cadeira e rasurar o cartão da "adultice", só para ser livre de verdade... um dia, um ano, ou, em alternativa, até quando me apetecer...
É, um dia destes, entre um chá e um absinto, mandarei o mundo que não é o meu à fava e voltarei a abraçar a minha rua, aquela do "bom dia" e da alcunha, a mesma que me tratava por tu e que, muito provavelmente, à conta de tantas modernices e aniversários, já não me reconhece...
Uma manhã destas, chegarei tarde ao propósito e farei da noite o meu dia, impedindo o sol de nascer, nem que seja só para nos chatear, a mim e ao mundo...
Se correr mal, que se lixe! Afinal, ainda há e haverá Chiado, montras e sonhadores, e eu até gostaria de voltar a ser fixe, já que nesta manta de brilhos ambulantes em que se impõe carburar, são muitas as linhas, e o todo nem se apercebe de que, mesmo eu contrariando-me, o que mais procuro e desejo são...nós, daqueles que nos aquecem ao virar de mais um dia.

Francisco Moreira
Janeiro de 2012

(texto em versão retrato escrito,  por "encomenda", para alguém que, sem conhecer, julgo conhecer)

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Faz parte!

Consta-se que, em cada início de ano, injectamos inúmeros ideais e ideias em mente, mesmo que muitos dos objectivos já estejam algo ou imensamente recessos. Faz parte! E ainda bem - acrescento eu. - já que é sempre positivo alavancar o tanto que vamos deixando pelo caminho, ora por preguiça, ora por descrença, ora por culpa do nem sempre bem-fadado destino. 
E 2012, aparentemente, sejam quais forem as "Troikas e Baldrocas" que nos coloquem ao pescoço, não começou de maneira diferente, independentemente do que o saldo dite ou anuncie: o precipício generalizado, já que há que continuar a soprar para as velas da proa da vontade e fazer das outras - aquelas às quais pedimos "isto, aquilo e aqueloutro" - um pavio que teime em sobreviver, faça chuva, granizo ou, ironizando, uma tremenda seca. 
Há também quem recorra à nostalgia da memória e que, com fotografias antigas no "colo", recupere energias que "já lá vão"... Nem que seja para amenizar as cotoveladas e demais nódoas com que os dias mais recentes nos vão brindando. Faz parte!
Cá por mim, este será um ano melhor do que muitos. E digo-o arriscando-me a levar com um previsível volte-face nas bentas, dadas as previsões; as dos astros e as dos "opinion maker". Mas isso, assumo, não me impedirá de acreditar, de procurar agitar as águas, de tentar escalar novos e antigos sonhos, enfim, de fazer a minha parte no "faz parte" da vida: esta "coisa" a que prefiro chamar caminho, independentemente de os sinais teimarem em nos impor a inércia, a tal espécie de estrada sem saída que, na verdade, se pensarmos bem, mais não é do que um estratagema aglutinador vestido com um véu gigante que, à custa de muito marketing, pretende sugar-nos e comandar-nos, esquecendo-se  porém de que todos somos e acabaremos iguais, principalmente quando chegar a altura de fazermos valer o cada um. E aí, sim, faremos parte, por mais "intoxicados" que possamos estar, por mais que nos atirem precipícios para os olhos.


Francisco Moreira
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Desta vez!

Sei que em todos os virar de ano tem-se aquela sensação estranha mas positiva de que tudo ficará bem melhor, que conquistaremos muitos dos objectivos que deixamos estatelados num outro ano qualquer e, já agora, que conseguiremos ser - finalmente! - a pessoa que sempre desejamos ser: minimamente especial.
Pois. A missa repete-se. Só é pena que, na verdade, dure pouco mais do que uns minutos - ou, vá lá, um ou dois dias, os que antecedem 31 de Dezembro, já que, ao despertar de cada novo ano, depois de adormecermos, acabamos sempre por espantar a remela e encarar a vida como a continuação dos passos que já estavam a acontecer, sejam eles para trás, no mesmo sítio ou em frente - deseja-se.
Mas, se assim é - se tudo continua(rá) igual, ou parecido, que factores nos levam a sentir que "será desta", que "vamos mesmo acontecer", que "tudo será bem melhor"?!
Ainda não encontrei a resposta, e nem hoje, já sob o efeito das "uvas passas", consigo bases que solidifiquem o meu pensamento. Mas, aproveitando-me do "desta vez", estou em crer de que 2012 será um ano bem diferente dos anteriores, para o pior e para o melhor. É, estou com a sensação de que muita dor ainda está para acontecer, necessitando de fortes e repetidos analgésicos emocionais, e de que muitos objectivos se esvaziarão ao comprido, em jeito de aprendizagem.
Digamos que estou com a sensação de que 2012 será mesmo o ano da "separação das águas", o ano do abismo que nos poderá colocar nos carris de uma espécie de parente do paraíso, mesmo que as dívidas e o Euromilhões insistam em se manterem distantes um do outro, porque faz parte, julga-se. 
Acredito, sim, acredito num melhor amanhã, numa nova consciência global, num novo rumo, no cicatrizar de feridas que estão a agudizar-se - muitas vezes em silêncio, entre paredes, e acredito que haverá amanhã depois de 21 de Dezembro de 2012, mesmo com a entrada numa nova era, ou melhor, graças à isso. Aposto no ser-se mais humano, aposto na maior entreajuda, aposto no "day after", embora sem o "apocalypse", tantas vezes erradamente propagandeado, tantas vezes gozado. 
Não estou certo do que digo, nem tão pouco certo das minhas crenças - ninguém pode afirmar o que quer que seja., mas estou crente de que 2012 será o ano zero, o ano que nos dará um estalo tão grande que, das duas uma: ou acordamos de vez ou ficaremos sem calendário, ou melhor, sem "desta vez". 

Francisco Moreira
sábado, 24 de dezembro de 2011

...


terça-feira, 29 de novembro de 2011

Pi's

O "Facebook" e demais utensílios "auto-propagandistas", apesar das suas vantagens - algumas, vieram pôr a nu muita da M*** que dizemos no dia-a-dia, seja em tom mais elevado ou inflamado, seja com recurso a imagens do C***, ou outras que tais. Mas, na verdade, o que mais me incomoda - porque incomoda., é assistir à infindável utilização de um curtíssimo mas marcante e "catalogante" dicionário que, aparentemente, não nos incomoda expelir mas que, eventualmente, e dependendo de cada um, nos incomoda "ouvir", tenha ele asteriscos ou as letras todas.
Por isso, faço notar que, além de não gostar de ler expressões insultuosas (e de não as escrever), mesmo que não sejam expressas com esse fim - porque na sua grande maioria não o são., estas "leituras", por outro lado, têm servido para que eu aprenda a retirar completamente do meu dialecto as F*** da P*** das palavras que, mesmo evitando, lá vão saindo, de quando em vez, embora e apenas em ambientes mais "familiares".
Não sei se algum dia o irei conseguir mas, "pelo andar da carruagem", estou em crer de que, para já, o "Phonix" é um excelente substituto para os vernáculos que deixamos escorrer, muitas das vezes sem nos apercebermos da quantidade de pessoas que nos lêem, e perante as quais jamais os utilizaríamos, aos palavrões.
Em jeito de remate, ironicamente, quando me sentir aprovado nesta disciplina, tentarei disciplinar outros palavrões: as parvoíces que escrevo, com esta, embora, e assumo desde já, isso será um autêntico doutoramento. E quando isso acontecer, se acontecer - já que tenho sérias dúvidas quanto à execução de tamanha tarefa., aí, sim, gritarei um sonoro "F***-se". (sorrisos)

Francisco Moreira

"Pró-à-Mostra"

Nunca se viu tanto despimento - sim, despimento. - como nos dias que correm. Começa a parecer demasiado banal assistir-se à conquista (veloz) de terreno por parte da pele, principalmente a feminina, como se a guerra dos tecidos estivesse a ser ganha pelo "tecido cutâneo".
Eu sei que há outros poros que agradecem - e muito!, e que ainda bem que já não se vive no tempo das ceroulas... Mas daí até ao exagero que nos é servido pelas revistas, televisões e "outdoors", convenhamos, deveria existir alguma distância, por mais que tais imagens e "convites ao quero mais" possam mexer connosco, porque mexem.
Qual puritanismo, qual quê?! Qual conservadorismo, qual quê? Qual moralismo, qual sim!?
E é extremamente fácil derrubar as teses daqueles que erguem a bandeira do "quanto mais nu, melhor" e, já agora, de enxurrada, empurro os outros, os adeptos do "ao menos animamos as vistinhas"...
Sim, é demasiado fácil derrubar os "pró-à-mostra", e recorrendo apenas a uma pergunta, esta:
- Como assimilariam ver essa "despido-figurinha" interpretada pela vossa mãe, avó ou filha?
Pronto, e com isto retiro-me, porque, muito provavelmente, para recuperarem do eventual choque mental que acabei de provocar, só mesmo olhando repetidas vezes para a foto que associei propositadamente a este "comentário", com o intuito de funcionar como "analgésico" às "dores" que uma comparação destas possa ter originado.

Francisco Moreira

* O que é bom é para se ver, mas não tanto, pelo menos nas "paragens", as públicas. (sorrisos)
sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Naftalina

Num esboço de livro acabado que ainda não tentei publicar e que dei a alguém para ler, fui sovado pela frase: "Como podes chamar idoso a quem tem a minha idade?!", sendo que, na verdade, essa idade pouco difere da que tenho.
E foi nesse instante que percebi de vez o significado do irritante "velhos são os trapos", mesmo quando não o são, e mesmo quando o são. E isto sem esquecer o porquê de tantas vezes ter ignorado a expressão "por dentro, sou um jovem" sem me aperceber de que o amanhã chegaria, que o ontem já se fez dia para ser eu a empunhar esse testemunho, hoje... E ele, nesta estafeta do aprender, está aqui, precisamente aqui, na minha mente.
Será que já cheguei ao ponteiro da naftalina? Será que já há filmes "para menores de..."? Será que o tempo é realmente mais rápido do que o que promete o refrão de Carlos Tê e Rui Veloso? Será que ainda vou a tempo de dar tempo ao puto que sonhava ser gente? E será que ainda o quero, agora que sou dono do tempo?
A naftalina tem o seu encanto, e com isto, ironicamente, mato de uma vez por todas aqueles "cabides televisivos" e demais imagens que tentam dizer-me que (eu) "já era", por mais que esperneie com o slogan "no meu tempo", por mais que venda o "Jackpot 84" ou me ria do silicone dos "degredos", só para me sentir melhor comigo mesmo.
Nesta balança do ser, do ter sido e do vir a ser, dizem que é o médico que faz o anúncio, o tal do "olhe que tem que cuidar de si" ou "há muitas cópias suas no Prado do Repouso"... E não deixa de ser verdade! Percebemo-lo de rajada quando temos que ser dopados, mesmo quando éramos contra as drogas, porque podiam domar a nossa liberdade e afins...
Mas, afinal, o que estou para aqui a escrever?! Que sou velho e que concordo com a tese de "The curious case of Benjamin Button", quanto mais não seja porque os epicentros da vida seriam muito mais interessantes se nascêssemos de "AVC" e morrêssemos num Orgasmo?!
Não, não estou a delirar. Estou apenas a dar um recado, em jeito de tertúlia, a mim, e a tantos como "mim".
É que; por muita pena que possamos ter do tanto que ficou por fazer, não há portefólio como o nosso, seja qual for o odor que transmitamos ou o guarda-fatos onde o cartão do cidadão nos tente estacionar.
E sabem porquê? Porque o relógio é como um cigarro. Começa por ser desejo, passa pela "traça" e termina no filtro, o tal ponto que nos ensina a saboreá-lo verdadeiramente, ao relógio, claro, e sem penas.

Francisco Moreira
quarta-feira, 23 de novembro de 2011

"Zeremo-nos"

Nunca fiz greve, mesmo concordando com muitas das suas questões e achando que os resultados, além dos prejuízos, pouco ou nada ditarão, principalmente num país de brandos costumes como o nosso.
Também não acho que estejamos a necessitar de um novo "25 de Abril" nem tão pouco de aderir (como li num panfleto de esquina) à Anarquia mais próxima; sem estado, sem regras, sem deveres, porque "é diferente"... Ou, pura e simplesmente, embarcar no fumar de um "arco-íris" qualquer para passar o tempo, enquanto se aguarda que o "Euromilhões" cumpra o que "merecemos"... Ou mesmo continuar a serpentear a roleta da vida gerando apostas na navalha do pensamento, porque "alguém" nos há-de "dar o braço", já que somos donos e senhores da "pólvora da razão"...
Assim sendo, afinal, sou contra ou a favor da "Greve Geral"?
Querem mesmo que vos responda? Querem mesmo que me responda?!
Sou a favor de uma consciência global e menos umbilical que, de uma vez por todas, entenda que os direitos devem ser analisados de um único lado desta barricada que construímos, defeito a defeito, empurrando as virtudes e afins para uma montra de vaidades, daquelas que, essencialmente, servem de pose ao ego.
Por vezes, chego a crer que deveríamos enclausurar os "umbigo-dementes" e obrigar-nos (a todos) a ser zero, só para ver no que "isto dava". Deveríamos entrar na fila do "nove's fora nada" e abortar todas as publicidades políticas e recados sociais.
O que defendo como solução, já que falar é fácil?!
Repensar-se tudo e abordar a vida de uma perspectiva muito mais humana, já que, no que diz respeito ao plano material, foi do zero que partimos e será ao zero que chegaremos, façamos o que fizermos, sejamos quem formos, argumentemos o que argumentarmos, exploremos ou sejamos explorados, vençamos ou percamos. Numa palavra: "zeremo-nos".

Francisco Moreira
quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Messias

Não são raras as vezes em que me pergunto o porquê de não se reunirem todas as "palavras do bem" e fazer delas uma tese única. Não digo que obrigatória, mas menos propícia a "maçãs podres" responsáveis pelo aumento da descrença e pela criação de fissuras ideológicas aparentemente irreparáveis.

Sim, já sei! A consensualidade é algo que não existe, principalmente quando o mote é a fé ancorada a uma religião, seja ela qual for. Se nem em relação à morte chegamos a pontos de vista comuns, quanto mais relativamente à vida!?!

Mas poderíamos tentar... Há tanto bem por este mundo fora, há tanta dádiva por estas janelas dentro... Há tanto querer que fica estagnado na fronteira do "seria bom acontecer"...

Não sei se algum dia chegarei a assistir à desejada consciência global, pelo menos tão abrangente como anunciada: solidária, desinteressada, pacificadora, tolerante, mais humana... E sem esquecer o seu lado espiritual, porque terá que o ter, já que, mesmo que só nos lembremos disso de tempos a tempos, mais do que corpos, somos almas, somos espíritos, e ninguém comprovou o contrário, ainda.

Seria de excelente tom dar-se de cara com um "Messias" que se desse ao trabalho sobre-humano de, depois de compilar todas as teorias, reescrever uma única "cartilha" que nos impelisse (a todos) a semear e a colher sem o selo do egoísmo. Seria excelente ser-se em vida tão bom ser humano como certamente seremos no minuto do nosso adeus a este mundo...

Há quem diga que as religiões lêem todas pelo mesmo livro, mas que têm a mania de se apoderarem da (sua) razão e fazerem dela a (sua) marca registada, diferenciando-se no acrescentar de pavio ou no retirar de sílabas, por uma questão de "separação das águas", mesmo que acabem por ir beber ao mesmo rio.

E nós, fieis ou descrentes, tantas vezes a olhar para o "palácio", acabamos por tomar opções simplesmente porque "faz parte" ou porque temos a necessidade de acreditar numa única palavra.

E cá para nós, "cheira-me" que: mais dia, menos dia, um novo ou velho "Messias" pegará em nós pelas orelhas e retirar-nos-á o xizato com que cicatrizamos os dias, já que este nosso "estágio" não deveria ser uma "aula de maquilhagem" mas sim o executar da sapiência que a história fez questão de imprimir, página a página, sílaba a sílaba, testemunho a testemunho.

Francisco Moreira

sábado, 12 de novembro de 2011

Salto-Alto

Estando eu no "meio" há mais de duas décadas, habituei-me a ver diariamente nascerem, brilharem, vegetarem e desaparecerem inúmeros projectos musicais Portugueses... E, ao aceitar o convite, sabendo da lotação esgotada, quis entender se Aurea era/é mais um daqueles postais que brilham imenso mas que, com o decorrer dos anos, acabam por se transformar em resquícios na gaveta do "Lembras-te daquela?".
Não. Este concerto foi diferente. Fez-me lembrar o primeiro "Coliseu" do Abrunhosa, embora a sala de hoje estivesse menos eufórica do que a de então, e compreendem-se as razões...
Hoje vi público atento, específico, conhecedor, apaixonado... de iPhone na mão, fosse para a posteridade ou para postar "live" no "Facebook"... E vi a equipa que acompanha Aurea a vibrar freneticamente com o sucesso que estavam a sentir...
Palco bonito, elegante, com excelentes efeitos luminosos a condizerem com os adereços (candelabros e candeeiros, sem esquecer a escrivaninha), numa espécie de "Cabaret" com muito estilo, bom gosto, com carimbo... Simples, eficaz, intenso.
E ela, a artista, além da voz soberba - comprovada nos "acapela", lá estava descalça - imagem de marca recuperada de outros... Aurea mostrou estar justificadamente confiante e bem trabalhada, seja por ela, seja pela "máquina" que a fez impor-se num panorama discográfico "moribundo" - o nosso, infelizmente.
Das versões, realço a de Prince, num "Kiss" muito bem orquestrado e, não muitos furos abaixo, "Valerie", de Amy Winehouse...
De resto, além dos bons músicos, excelente som - talvez com a necessidade de o microfone de Aurea estar mais alto nas "partes baixas"... E, claro, as incomparaveis Patrícias, nos coros, excelentes, como sempre.
Aurea tem uma imagem interessantíssima (o primeiro traje foi o que lhe assentou melhor), sabe estar, demonstra simpatia - não necessitando do dom da palavra e, não menos importante, trata bem a sua banda, transmitindo repetidas vezes a ideia de que faz parte de um todo. E faz, faz muito bem.
O menos interessante - sem ser uma critica, confesso, prende-se com o curto alinhamento. Tratando-se de um "Coliseu", uma hora e "picos" é pouco concerto para uma sala tão interessada, tão interessante. Mas dá-se um "desconto", inclusive à repetição do "Busy for me", principalmente por ter conseguido tanto, quer em disco, quer ao vivo, em tão pouco tempo.
Penso ainda que, na "ausência" de Elvis, o que levou à não interpretação de "Love me tender", justificava-se um convidado especial, quanto mais não fosse para que, além de plenamente satisfeitos, pudéssemos sair arrebatados de um concerto que, no meu ponto de vista, provou que Aurea pode não usar salto-alto, mas já é grande e tem tudo para dar certo, inclusive para lá de Portugal.
Gostei, mesmo. Parabéns.

Francisco Moreira

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Estalada

Se são tantos os que nos apreciam e merecem o nosso empenho,... Que lógica tem investir-mo-nos de "guelra de teimosia" para cair no repetido erro de dar "luz" aos que nos atiçam com o nada?!
Será assim tão difícil hastear a "bandeira do trigo", relegando o insignificante para o fundo do túnel?
Serão as rugas da felicidade menos interessantes e entusiasmantes do que as "escamas de latão"?
Sim, chega de dar pódio a quem jamais fará parte da nossa meta.
Há tanto para compartilhar! E o efeito "boomerang" é tão mais interessante quando feito de sorrisos...
Passamos o tempo a dar "antena" ao que e a quem deveriam hibernar no baú da ignorância...
E se assim é - porque o é!, porquê continuar a permitir que o insignificante nos cegue, ofusque e desvie do tanto que há para viver?
E por mais que demos razão à nossa constante e viciante perca de razão, não há maneira de aprendermos a resistir à tentação de "dar o litro" por "cinco tostões furados"...
Para quê?! A "bicicleta" valerá tanto protagonismo, tanta raiva, tanto de nós?
E o mais incompreensível é sabermos e verificarmos que é com a melhor essência do que somos que chegamos a um plano incomparavelmente melhor...
Há que parar de ser "guerreiro da fisga" e transformar-mo-nos em heróis do nosso mundo neste abraço de gente que nos merece muito mais do que qualquer sirene de urgência para andar à "estalada", levando-nos a trocar o tudo por absolutamente nada.

Francisco Moreira
quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Anjinhos

Isto de se ser anjinho dá cada vez mais trabalho. Se dá!
Já repararam na quantidade de vezes em que os anjinhos têm que se mascarar de diabinhos para, pelo menos, ficarem num aparente plano de igualdade para com os sabichões dos dias que correm?! É. A coisa não está fácil.
Este mundo de "faz de conta" engana-nos ao virar de um "Muito prazer!" ou de um "Passou bem?", quando não se cruza com o "Sempre que precises!".
Será que é com estas juras de "vão da conveniência" que aprendemos a não ser anjinhos? Fará algum mal ao mundo ser-se anjinho? E, já agora, é melhor ser-se diabinho, nem que seja em disfarce?
Eu - e sirvo como mero exemplo, sem recorrer a qualquer estudo, ainda prefiro os anjinhos, talvez por me identificar com eles, talvez por continuar a querer ser um deles, e talvez por devoção à religião "Naif", sem esquecer a teimosia e outras razões que tal, por mais movediças que possam ser ou parecer ao olhar dos que "sabem da poda". Manias. Enfim!
Neste teatro dos dias, infelizmente, já quase só vejo "glutões", sejam quais forem os "trapos e lantejoulas".
E sabem que mais?! Não me incomoda assim tanto ser anjinho por, ao me transformar em gente, ter acreditado que os "glutões" engoliam a "sujidade", porque, na verdade, são os anjinhos que continuam a "lavar mais branco", por mais que nos sirvam "lavagem".

Francisco Moreira
terça-feira, 8 de novembro de 2011

Tagarela

Sem mais demoras e sem recorrer a interposta pessoa, assumo que sou um"fala-barato". Sim, estou definitivamente a incluir-me no grupo, no incontável grupo de pessoas a quem os "cotovelos" já não chegam.
Não, não estou a penitenciar-me, embora, há que convir, muitos devem ter sido os ouvidos que, sem quererem ser menos simpáticos, devem ter implorado por tampões ou surdez momentânea. Muita deve ter sido a paciência em estado de pré-suicídio, muitas devem ter sido as desculpas esfarrapadas com coragem suficiente para me cortar o pio no (meu) êxtase de um pensamento com sabor a tangerina seca...
Quando falo de mim, e dando as palavras às "fisgas" - não confundir com "visgas", vulgo perdigotos, logicamente que me assolam à memória inúmeros exemplos de altifalantes ambulantes que, tal como eu, "não se calam por nada", quanto mais por "tudo". E, sim, refiro-me aqueles que não necessitam de desbloqueadores de conversa nem de "futebóis" ou "dividas soberanas" para meterem a colher, seja ela de que "métier" for.
Mas, por outro lado - porque também tenho de me/nos defender, ainda bem que há tagarelas neste mundo, caso contrário, como imaginam - e basta fazerem contas aos tantos tempos mortos que tiveram nas vossas vidas!, este "entretenimento", injustamente insultado de monólogo, ao estar ausente, faria do tempo um enfadonho diálogo entre o silêncio e o silêncio.

Francisco Moreira
segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Barro

Todos nos julgamos donos da verdade, nem que o gritemos para "Inglês ver"... E isso prende-se substancialmente com a necessidade de comprovar aos outros de que somos especiais, que somos correctos, incorruptíveis, quase Santos, embora com um ou outro pecado para podermos dar a ideia de que também somos humanos, iguais a todos, mas especialmente diferentes, para melhor, claro.
E que papel triste o nosso, ou melhor, o papel que tantos de nós assinam, mesmo que na tentativa de o esconder de todos em nome de um ou outro objectivo, por mais oco que ele seja.
Que triste é ver tanto ser humano a trocar a verdade verdadeira pela inverdade venenosa... E isto sem esquecer de sublinhar o tradicional: "sacudir a água do capote"... E como se sacode!
Consta-se que o ser humano não nasceu para ser perfeito, por isso é que é humano e (ainda) não espírito. E há quem - como eu - acredite que, nesta pele e osso, andamos "por cá" para melhorar enquanto almas nas aulas da vida, sejam quais forem os "canudos".
No entanto, mesmo acreditando na tal tese - por comprovar., são inúmeras as vezes em que me pergunto o porquê de tantos reprovarem em matérias tão essenciais e essencialmente simples. Porquê tanta mentira quando todos procuramos a verdade?
É. É lamentável que se assista com cada vez mais regularidade e permissividade à camuflagem do "eu" para cegar a montra do "ele", quando, interiormente, todos sabem que: "cá se fazem, cá se pagam"... E porque nada, absolutamente nada, fica para sempre, incluindo as pessoas, as tais de carne e osso, aquelas que se julgam especiais, quase Santos, embora sendo de barro.

Francisco Moreira

Replay

É um facto que cada percurso tem a sua própria gravação, seja ela mais pública ou mais reservada. E isso, convém sublinhá-lo desde já, tem marca própria, por mais que a desvalorizem ou valorizem.
O percurso de cada um é um constante processo de acumulação de informação individual e detalhada, sejamos mais ou menos "vistosos". E a gravação fica para sempre, por mais que se tente apagar ou substituir uma ou outra partícula. Ficará, pelo menos, em nós, e isso é incontornável.
Se pagaremos pelos nossos erros? Se seremos chamados à razão? Se sofreremos penitências?
Bem, isso, convenhamos, e pelo menos para já, ainda não tem resposta cientificamente comprovável. E por mais que se acredite numa justiça divina ou noutra qualquer.
É que, seja qual for a cassete, seja qual for o gravador, a vida, mais do que um desafio, é um constante desafino, e daqueles que passam todo o seu percurso em "aulas de auscultação", inúmeras vezes na tentativa de ensurdecer os outros e, melhor ainda, os próprios.

Francisco Moreira
sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Semear

Está na altura de colocar de lado os "trapos", vestir o "fato-macaco" e semear. Está na altura de investir na mudança de atitude e em vários cenários, sejam eles emocionais, económicos, sociais ou mesmo espirituais.
O mundo exige-nos essa mudança, uma mudança que deveria ser exigida por nós a nós. O mundo, mais atento e menos deslumbrado, exige que não fiquemos à espera do "ovo na galinha" e muito menos convictos de que seremos salvos pelo "Euromilhões" ou por uma herança divina.
É preciso avançar, é preciso ir muito mais longe. É preciso voltar a semear a humanização, com bondade, solidariedade, partilha e principalmente com acção. Não podemos continuar a olhar para os umbigos, nossos ou dos outros, embriagando-nos com teses de "marketing lapidar".
Se somos seres individuais vivendo num todo, temos que fazer a nossa parte. Temos que acontecer, temos que crescer ao nosso ritmo, temos que resolver o "cubo-mágico" que aclamamos.
E pode mudar-se tanto, fazer-se tanto, semear-se tanto, evoluir tanto, enquanto humanos. Lembram-se daquilo que nos ensinaram os nossos pais? "Para colher, é preciso semear.", e se é!
Por outro lado, não podemos dar-nos ao luxo de embarcar na teoria do caos nem podemos continuar a vestir o papel de "coitadinho" ou continuar a ter "mais olhos que barriga"...
Temos que parar. Parar para pensar. Pensar para criar. Não faltam novos caminhos, novos objectivos - provavelmente menos ambiciosos, mas mais fiáveis, mais dependentes de nós mesmos, mais equilibrados, mais reais.
Temos que avançar, visto que "isto" não nos leva a nada diferente do "cada vez pior".
Salvar-nos-emos? Claro que sim! Haverá destreza e força de vontade mais implacáveis do que as do homem? Claro que não.
O problema, ou seja, aquilo que nos faz continuar no sofá, como se o mal do mundo só acontecesse lá fora...
Há que mudar de "poiso", de "vícios" e de "arame", já que, mais vale semear hoje do que não ter amanhã, por mais falsamente confortáveis que estejamos, agora.

Francisco Moreira
quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Quentes e Boas

É o cheiro das castanhas assadas que me desperta para a entrada no Outono/Inverno, embora, para mim, se tivesse que dividir o ano em estações, muito provavelmente dividiria-o em apenas duas: verão e inverno, o resto, assumamos, são meras "passagens de testemunho".
E este ano, talvez pelo olfacto mais apurado ou influenciado pelos apelos do calendário, já senti o cheiro da bela castanha assada a ser servido em concorrência desleal para com um ou outro gelado... Ironias do S. Pedro ou culpas dos Pólos, dirão muitos.
Hoje, talvez, também influenciado pelas chuvas e ventanias emitidas pelas televisões e sentidas no corpo, declarei a mim mesmo que chegou a altura de trocar as "t-shirts" pelas "golas-altas", porque tem que ser, quanto mais não seja para estar a "rigor".
E nesta questão de sempre: se prefiro o verão ou o inverno, confesso, fico sempre com dúvidas. O verão, enérgico, desperta sentidos mil, enquanto o inverno, contemplativo, entretém-se com outros "toques".
É, nesta confusa mistura de estações, torna-se cada vez mais normal sentir o cheiro das castanhas e pedir um "Corneto", para descontentamento de quem, como eu, gosta de tudo no lugar e no tempo certos.

Francisco Moreira
quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Tentar

Não há tempestade que perdure, nem tão pouco há sol que brilhe para sempre. Mas isso não significa que temos que viver em função das "condições climatéricas" com que o mundo nos presenteia, já que há cor por detrás da paleta que os dias nos brindam.
Há momentos para tudo, há resoluções para quase tudo e alternativas para o demais. (ponto)
Por isso, e mais do que nos deixarmos ser velejados pelas marés dos outros, há que pegar nos próprios remos e usar os rios como itinerários da nossa vontade, e da forma que julgarmos ser a mais proveitosa, de acordo com o que pensamos e sentimos, sempre.
E por falar em sempre, nem sempre acertamos, é certo. Nem sempre conseguimos, é um facto. Nem sempre estamos bem, infelizmente. Mas podemos tentar, seja qual for a estação dos dias, e podemos tentar sempre, sempre.

Francisco Moreira
terça-feira, 25 de outubro de 2011

Laboratório

É estranho que, com o acesso cada vez mais veloz e massificado à informação, se pensarmos bem, ironicamente, andamos cada vez mais perdidos, demasiado confusos e exageradamente desequilibrados...
Será que esta imensa evolução não deveria gerar uma aproximação entre os seres? Será que esta globalização não consegue ensinar-nos nada, nem que seja à custa dos erros de quem espiamos em "3D"? Será que, hoje em dia, sem nos apercebermos, andamos a trocar as pontes por um novo "arame farpado"?
No fundo, no fundo, com este prometido desensarilhar, acabamos por transformar-nos em ratos de laboratório, daqueles que são despejados em labirintos, para que, de tribuna, os outros, ou nós - dependendo do lado da barricada -, se divirtam com as nossas tentativas em sair do buraco.
Por este andar, mesmo nesta autoestrada da simplificação, ou muito me engano, ou ainda nos perderemos de vez, quer uns dos outros, quer nós de nós, e por excesso de velocidade.

Francisco Moreira
segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Incolor

É uma pena.
Vivendo nós num mundo que coloca à nossa mercê uma gigante paleta de cores, é uma pena que a janela onde mais nos debruçamos seja aquela que nos mostra os tons carregados, as tantas histórias tristes, o tanto azedume, perfeitamente dispensáveis.
Mas, como se diz, "a vida não pára", e há sempre um outro pormenor que nos impele a continuar ladeira abaixo, uma convicção que nos incentiva a guerrear e a ir mais longe nas cicatrizes, mesmo desejando um abraço que nos aqueça nos momentos mais gélidos.
Não são raras as vezes em que dá vontade de fechar o (este) mundo fora de casa, tapar os ouvidos e fechar os olhos, só para ter um pouco de paz na plateia dos noticiários pintados de tragédias multicolores, injustiças repetidas vezes sem conta e demais "inevitabilidades" evitáveis... Mas não pode ser. O tempo exige atenção, exige sangue, suor e lágrimas, exige audiências, vendas, nem que seja por um "tostão".
É uma pena.
É uma pena que não saibamos e não consigamos ser exclusivamente arco-íris, daqueles que se sobrepõe com firmeza ao cinzento das tempestades, sejam elas mais densas ou mais especulativas. Porque, se assim fossemos, certamente que daríamos mais tempo de antena ao sol do que à lua, conseguindo finalmente inverter esta tentação pelo precipício.

Francisco Moreira
domingo, 23 de outubro de 2011

Caixa de Velocidades

Vivemos constantemente na pressa de chegar, mesmo que o chegar tarde possa não passar de uma espécie de miragem...
Somos assim, ou melhor, eu, pelo menos, sou assim: um apressado impulsivo que ainda não aprendeu o que é o amanhã, talvez por ter certas dúvidas quanto à sua real existência, já que a linha que separa a realidade do sonho, afinal, pode ser mais ténue do que se supõe.
E se não houver amanhã? E se nos limitarmos a viver num enorme hoje, eliminando assim o calendário que, graças às invenções e pressuposições do homem, aparentemente, pode não ser mais do que um estratagema para nos manter ocupados, para nos gerar objectivos sob a forma de entretenimento, para nos fazer cumprir tudo ou menos um pouco, mesmo que, no fim, o tudo redunde em ficar-se com "nada"?!
Sim, também faço parte daqueles tantos que acreditam que a vida e as suas disciplinas, as boas e as doloridas, são uma escola no caminho da evolução do ser, seja ele homem ou alma, seja ele físico ou mental.
Mas permitam que, por um instante, coloque tudo em causa. Permitam que me e vos pergunte o porquê de se fazer tanto para, na meta, nos limitarmos a levar o que trouxemos, embora muito "usado"...
É, em resumo, esta nossa pressa de chegar, na verdade, mais não é do que uma pressa sem sentido, já que, independentemente da maneira como manuseamos a "caixa de velocidades", todos, sem excepção, acabaremos por chegar ao mesmo resultado.
Com tudo isto, ironizando, só quis sublinhar que não há maneira de aprendermos a andar sem ser em excesso de velocidade, inclusive quando estamos parados.
Que mania!
Francisco Moreira
sábado, 22 de outubro de 2011

Fim do "Natal"

Já é Natal, principalmente na mente de tantos, Portugueses e não só. E já é Natal porque paira no ar a preocupação das prendas, a preocupação de como lá chegar sem o "plim" que permite oferecer-se o que se deseja, mesmo que isso passe(asse) pelo olhar para montras e... "pescar".
É, os cartões de crédito estão "furados" e em sintonia com o vazio que, em jeito de "estalo", passou a ser o "pão nosso de cada dia" para a grande maioria.
É, eu próprio já penso nas prendas. Não porque seja fã da veia comercial que abusa da época, mas porque gosto de presentear quem aprecio, seja no Natal, na 3ª Feira da semana passada ou no próximo dia 4 de Novembro, sem que esses dias tenham qualquer referência que o justifique.
Este ano, veremos, uma das maiores preocupações será a de passar a mensagem de que "dadas as circunstâncias", há que eliminar as prendas, ou optar pelo "mais fácil": crianças e/ou crianças e familiares.
Como emitir a mensagem? E essa mensagem, será automaticamente "silenciada" ou será dita sem "olhos nos olhos", embora seja das mais francas de sempre?
Preocupam-me as mazelas que daí advirão, sejam elas em termos de sentires (Deu ao outro e não deu mim. Que lata ter ido aos "Chineses"!) ou de um ainda maior endividamento (Haverá quem deixe de comer para manter a "imagem".), acredite-se ou não.
Eu, e referindo-me ao meu caso, embora a cerca de 3 meses de distância, até me sinto mais contente, e principalmente em termos globais.
Porquê? Porque sinto que, à custa destes cortes radicais, o espírito Natalício terá uma oportunidade única de voltar a ser o que era: mais abraços e menos laços. E isso, acredito, tem outro valor e muito mais sabor.
E, por outro lado, com esta política, tenha-se ou não tenha-se, dá-se automaticamente a hipótese de todos se poderem sentir enquadrados e não marginalizados, por não haver a necessidade de recorrer a justificações. Se o não se dar fizer parte, todos ficaremos salvaguardados de pensamentos e suposições menos interessantes.
Por estas bandas, as que me "tocam", o anúncio ainda não foi comunicado, principalmente para lá das portas, mas a decisão está tomada: faça-se Natal, e que os laços sejam os que nos unem e não os que nos tentam agradar.

Francisco Moreira
sexta-feira, 21 de outubro de 2011

E ainda bem!

Sem que (ainda) se note, está a crescer o número de pessoas que tentam ver o mundo por outras perspectivas, seja em termos sociais, económicos, religiosos, culturais ou outros quaisquer.
Estou em crer que o (tal) despertar para uma nova consciência humana está a somar simpatizantes, está a multiplicar-se a uma velocidade que, (ainda) pouco detectada, será impossível travar.
E isso acontece, claro, em função da descrença nas rotinas com que os dias vão sendo falsamente coloridos.
Há salvação, principalmente para quem quiser e fizer por se salvar. (sem qualquer conotação religiosa)
Aparentemente, sem pressão e de uma forma natural, cresce vigorosa e rapidamente o número daqueles que pretendem ter uma vida com padrões de existência mais humanos, mais de acordo com o verdadeiro conceito de globalização: todos diferentes, todos iguais, mas todos ligados por uma causa, todos unidos pela vida, pelo melhor da vida.
E a vida - a concretização - é a expressão e consequência-mãe que tantos e tantos procuram nesta transformação plena, razão pela qual esse crescendo, ao que tudo indica, não terá retorno mas sim solução.
E ainda bem!

Francisco Moreira
quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Fim do Mundo

Aparentemente, e fazendo (pouca) fé no pregador que, em Maio passado, se enganou na data, o mundo acabará amanhã. Sim, amanhã, 6ª Feira.
E esta afirmação, esteja ela à procura de "15 minutos de fama" ou envolta num desvio mental colossal, deve, no entanto, ser encarada como mais uma alfinetada na consciência de cada um, ou seja: é útil por nos fazer pensar.
E se o mundo acabar mesmo amanhã?
Não será melhor antecipar o que esteja agendado, por exemplo, para domingo à tarde?
E se morrermos amanhã?
Morreremos felizes por ter deixado a "casa" arrumada, tal como gostaríamos?
E se não houver amanhã?
Dar-nos-emos ao luxo de ser mais felizes hoje?
É, a mais que provável bizarrice de uns, se interpretada de ângulos diferentes - sejamos honestos, consegue trazer algo de real: o fim irá acontecer, quanto mais não seja para cada um de nós, independentemente das reencarnações que possam ou não existir...
E é por isso que é bom pensarmos na hipótese de o mundo, quanto mais não seja o nosso, poder acabar já hoje, um dia antes do amanhã.
É que, queiramos ou não, assumamos ou sim, naquele instante da partida, por mais vontade que tenhamos, acabaremos por deixar tanto por dizer, tanto por escrever, tanto por fazer... E porquê?
Porque temos essa maldita preguiça de deixar o mais importante para amanhã, o tal último dia que sabemos que irá chegar(-nos) mas que preferimos esquecer com a desculpa de que um qualquer pregador louco anda a gritar um enorme disparate...

Francisco Moreira
quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Fim do Dinheiro

O dinheiro está a caminho de perder quase todo o seu valor.
Não, não estou a delirar.
E, como todos sabemos, no tribunal do universo, o único culpado será o homem, este ser sempre insatisfeito que criou e investiu no vil metal por achar-se demasiado inteligente, esquecendo-se de que acabaria por vê-lo transformar-se no vil papel de subjugá-lo - a ele, homem - sem dó nem piedade.
Usou-o como sonho de arremesso e guloseima desenfreada. E, hoje, como em tantos "passados", continua a desculpar-se com matemáticas, tentando salvá-lo e salvar-se... O homem passou séculos a propagandear o milagre investido de escapatória para um mundo melhor, um mundo mais equilibrado, mais justo, mais promissor, mais paradisíaco,... mesmo que mais competitivo, embora com rédeas - sublinhava, e perdeu, uma vez mais.
E, tantas, tantas histórias depois, da mesma forma que o homem deu ao dinheiro a hipótese de reinventar o mundo, mais dia, menos dia, ele, dinheiro, na ressaca da droga de mais uma depressão, irá necessariamente e novamente ser usado para reinventar a vida, embora num sentido oposto, porque assim ditará a consciência global em nome da urgente e única "salvação".
Num mar de episódios de terror, o dinheiro arruinou o homem, transformando-o num ser maquiavélico e miserável. E o homem, pelo dinheiro, quase fez implodir o planeta. E, por sua vez - já que o ciclo completar-se-á!, o planeta, porque exige reintegrar o homem, vai destruir a sua invenção, vendo-se obrigado a curar muitos em troca da eliminação de tantos outros. E que tristes danos colaterais, que triste nota de vida...
Nada acontece por acaso, independentemente do crédito que se julgue ter. Nada é feito sem consequências, por mais controlado que pareça estar o poder. Nada tem fim, tudo se reinicia.
Não, o fim do mundo não está a chegar, o que está a chegar é o reinício do homem, a sua reinvenção.
Por isso, não nos espantemos se, um dia destes - mais próximo do que imaginamos, saídos do caos, largarmos de vez o vício, embora sem nunca esquecer que fomos uns tristes e iludidos viciados.
A tempestade há muito que já chegou, e promete piorar... Mas felizmente que haverá a bem-dita bonança, aquela com a qual voltaremos a ser donos de nós próprios, mesmo reprovando por egoísmo à custa de tantas faltas de mérito.

Francisco Moreira

Perdão.

Peço perdão aos tantos que as estatísticas revelam passar por este "cantinho" diariamente por, de quando em vez, não publicar os pensamentos que para aqui vou "expelindo".
Nem sempre o tempo condiz com a vontade, nem sempre encontro o equilíbrio entre o pensamento e a realização, nem sempre tenho a "caligrafia afinada", confesso.
Mas não me esqueço deste local tão próximo de mim, tão trabalhado ao longo de mais de 3 anos... E tenho saudades inúmeras vezes, saudades de me e vos escrever, de me ler lendo o mundo, de aprender e pensar comigo mesmo ancorando-me também nos outros...
Obrigado pelas Essências com que, visitando-me, me alavancam para não desistir de "postar", por mais "caducos" que estejam os Blogues.
Vou insistir comigo.

Francisco Moreira
segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Olhos nos Olhos

"Olhos nos Olhos"

Que tenhas luz eterna

Que sejas gente sem rótulo

Que consigas vencer sem saltar

Que te levantes sem raiva

Que não vistas de interesses

Que não compres o outro

Que tenhas fé em ti

Que lutes sem armas

Que não sejas escravo

Que cries sem temer

Que não percas o nome...

e que o teu olhar seja em frente.

Francisco Moreira

Acerca de mim

A minha foto
Portugal
Sempre algures entre o hoje e o amanhã, sem esquecer a memória.

JACKPOT

JACKPOT
Música Anos 70, 80 e 90

Porto Canal

Porto Canal

O Livro do Ano

O Livro do Ano
Escrito por uma Deusa e um Sonhador... em nome de um Ângelo

...Sempre...

...Sempre...

Blog Archive