segunda-feira, 20 de junho de 2011

Tinta

Se a vida fosse apresentada como: "ponto final, parágrafo", certamente que todos seríamos melhores pessoas, inclusive para os outros, além do para nós. E é isso que me incomoda, principalmente quando, por diversas vezes, ao longo do nosso caminho, mais longo ou nem por isso, equacionamos o que faríamos de morrêssemos AGORA, sem a necessária segunda oportunidade para corrigir pormenores ou "por maiores", sem uma segunda hipótese de dizer o que ficou por dizer, e certamente que ficará muito.

A pergunta que sufoca, mesmo que por instantes - quando reparamos nela!, é aquela que nos impele a agir como se este fosse o último dia da nossa vida, se é que ele existe. E se existe, e se chegamos a pensar nisso, porque será que continuamos a cometer o ERRO de deixar para o "tal" final a altura em que diremos e faremos tudo o que deveria ter sido feito e deveria ter sido dito, mais ainda quando SABEMOS que não teremos essa "tal" segunda oportunidade, ao que se consta?!
Certamente que, neste preciso momento, alguns estarão a pensar nisso: o que têm que fazer e dizer antes de o adeus se vestir de fim. Mas, infelizmente, ou natureza das coisas, essa sensação algo desinteressante, passará para segundas oportunidades, aquelas que nos são dadas todos os dias e que deixamos andar e andar, e andar... até que o ponto final passe a parágrafo, daqueles que acabam por ficar sem mais "tinta".


Francisco Moreira
domingo, 19 de junho de 2011

BIUTIFUL



Por vezes, há filmes que dizem mais do que uma resma de palavras. É o caso.

Recomendo.


Francisco Moreira
sexta-feira, 17 de junho de 2011

Nunca mais é 2ª Feira!

Principalmente à 2ª Feira, temos uma triste mania de reclamar de que "nunca mais é sábado". E isto não é de hoje, já tem umas décadas em cima, principalmente desde que se deixou de trabalhar ao sábado, imagino.

Mas o que mais me incomoda é o facto de passar-se a semana inteira a desejar o fim de semana e, quando ele chega, na verdade, além de se dormir mais umas horas e de se perder um pouco do stress do relógio, passa-se imediatamente para a fase do não fazer "nenhum", ou "quase nenhum", quando se compara com o tanto que se pretendia e se dizia poder fazer se a tal 2ª Feira fosse um sábado.

É, aproveitamos muito mal os fins de semana e pior do que isso é deixarmos a falta de acção roubar-nos o tempo útil para o entregar a futilidades ou "coisas que tais".

Estou em crer de que se aplicássemos no fim de semana a vontade que temos de o ter à 2ª Feira, teríamos fins de semana verdadeiramente interessantes, desgastantes mas interessantes, e cheios de actividades, de prazeres mil, aqueles que a semana nos "rouba" porque o tempo deles é, consta-se, ao fim de semana.

Pois. Mas o problema é que na grande maioria dos fins de semana não fazemos nada de extraordinário. Porquê? Porque, cá para mim, além só sabermos reclamar, somos "só garganta".

Ah! Espero que este texto vos motive a fazer algo de que realmente gostem, porque era essa a intenção, a de vos pôr a mexer.



Francisco Moreira
quinta-feira, 16 de junho de 2011

Notícia

Amanhã, um pouco por todo o mundo, será notícia o baptizado de Cristiano Ronaldo Júnior. E tenho a certeza de que não será notícia apenas na imprensa cor-de-rosa, já que não faltarão carros de exteriores e jornalistas vindos de todos os cantos do planeta "Ronaldo".

Não tenho nada contra isso, confesso, mas faz-me imensa confusão haver tanta notícia a lutar por ser notícia e com contornos muito mais importantes (ou preocupantes) e o povo - porque é o povo que quer estas notícias, comprovando-o com as audiências. - o povo, dizia, quer é saber dos "bordados madeirenses" nas oferendas e dos convidados de destaque, ao bom jeito do "sumo de laranja" com ou sem "croquete", mas com festa.
Obviamente que não devemos estar sempre a ver o mal dos outros, mesmo que, em muitos casos, ele(s) sirva para amortecermos as nossas próprias dores, mas estou em crer de que, amanhã, à hora do baptizado do ano, haverá inúmeras notícias que fariam toda a diferença se o chegassem a ser... E, infelizmente, ficarão no "monte" de muitas outras, aquelas que, por falta de espaço informativo, irão directamente para o balde do lixo.

Francisco Moreira
terça-feira, 14 de junho de 2011

Link

Gosto de funcionar e de levar a vida num conceito de "teia", mas daquelas que não estão preocupadas com: "o que vem à rede é peixe" nem com as outras - as do "hermeticamente fechadas" em torno de si mesmas.

Quando me refiro a "teias", refiro-me ao funcionar em "link", ao usar o que está ao nosso alcance para se ser útil e apoiar quem sabemos que nos apoiaria, independentemente de podermos ou não, um dia, recorrer a uma dessas ligações. O que conta é a forma como nos disponibilizamos, a maneira como nos empenhamos, a vontade com que nos entregamos.


Gosto especialmente de ser útil, ao ponto de ficar feliz (e o termo é mesmo este!) de cada vez que participo ou comparticipo, por pouco que seja, com o meu contributo. Gosto de ajudar, mesmo não encarando a "coisa" com o termo que acabei de enunciar: o tal do ajudar. É que: no meu entender - pelo menos é assim que o assimilo e o sinto, quem coloca as suas "ferramentas" ao dispor dos outros, basicamente, está a desempenhar o papel de amigo. (mesmo sabendo que a "moda" pende para o: "gato escaldado de água fria tem medo)


Todos, todos podemos ser úteis, todos deveríamos sê-lo sempre, e mais ainda nos tempos que correm. E faz-me imensa confusão quando vejo aqueles "torcer de nariz", os "sim, claro, vou tentar" completamente falsos ou, pior ainda, quando quem pede a mão recebe um "não" descarado.


Será assim tão difícil ser-se útil, mesmo que não nos peçam nada? Será assim tão "doloroso" poder fazer-se mais e melhor pelos outros, principalmente quando, ao fazê-lo, de verdade, estamos também a fazer por nós, conquistanto um sentirmo-nos melhor?!


É, gosto de usar os meus "links" - e não se entenda "links" como "cunhas" - em prol dos outros, especialmente daqueles que me dizem muito, aqueles que encaro como "meus", tenham eles laços de sangue ou não, tenham eles a proximidade de uma vida ou a distância de uma hora.


E sabem que mais?! Este é o meu "passatempo" favorito, e é daqueles que não trocaria por nenhum outro, principalmente porque à custa dele sinto-me mais gente, mais completo, mais eu. Por isso, não será de estranhar que a minha resposta a quem me agradece seja muitas vezes: - Obrigado eu!, porque, na verdade, eu é que me sinto grato estar na "ligação".


Francisco Moreira

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Vírus

Num mundo onde todos andam aos gritos, inclusive os que não encontram quem os queira ouvir, torna-se cada vez mais necessário reencontrar a própria voz e a daqueles que, noutros tempos, ouvíamos com especial atenção.

Há que regressar aos conselheiros, àqueles que, com o seu saber, mesmo que a quilómetros desta era, sabiam oferecer-nos a sua sabedoria, o seu instinto, o seu ser, depois de tantos acontecer e ver acontecer.

Sou daqueles que acreditam que "a idade é um posto", ao jeito da tropa. Sou daqueles que entende que há sempre quem saiba mais do que nós, por muitas décadas que já tenhamos em cima dos ossos. Sou daqueles que se queixa de um "novo" mundo onde os "putos" não se dão ao trabalho de auscultarem os "velhotes".

E longe, longe vão os tempos em que se respeitavam as opiniões contrárias, em que, mesmo pensando, jamais se contrariava publicamente a experiência, a pirâmide do crescer.

Infelizmente, pelos vistos, não há tempo para dar tempo a quem já tem todo o tempo do mundo e, pior ainda, a pressa faz com que os mais novos tentem desenvencilhar-se o mais rapidamente possível dos mais velhos, não vão eles - julgarão! - transmitir-lhes o vírus da idade, já que, com todas estas tecnologias, o saber está no "Google" - acrescentam - e não na vida, a vivida.


Francisco Moreira
sábado, 11 de junho de 2011

Portas

Gosto especialmente de "bater à porta" das pessoas. E não me refiro ao literalmente, refiro-me ao ligar-lhes, dizer-lhes que as aprecio, ir além do "eles sabem ou deverão saber". E tenho pena de não o fazer as tantas vezes que deveria ou que tenho vontade, o relógio nem sempre dá para tudo e, muitas das vezes, caio naquele do: "mais tarde, -lo-ei", deixando os segundos diluírem-se porque surge "isto" e o "aquilo"...

Acho que necessitamos de mais contacto humano, mesmo que o aperto de mão, o beijo ou o abraço não estejam à distância quilométrica necessária, mesmo que já não nos lembremos bem da cor dos olhos ou do cabelo de quem recordamos com carinho, afecto, satisfação, com vontade.
Gosto, gosto especialmente de saber que "fulano" e "sicrano" estão bem, que têm a sua vida encaminhada, que fizerem "isto" e "aquilo" ou que estão a pensar no "aquele outro", gosto de sentir que os caminhos continuam, mesmo quando não os posso ver de mais perto, mesmo quando não consigo estar mais íntimo, gosto de pessoas, e muito, e é esta última expressão que, afinal, resume tudo.
Já agora, e especialmente para aqueles que não vejo ou com quem não contacto à algum ou à muito tempo, permitam que vos dedique aquilo que acabei de escrever, por mais ínfimo que vos possa parecer. Bem hajam!


Francisco Moreira
quinta-feira, 9 de junho de 2011

Divina

Todos procuram justiça, inclusive aqueles que aguardam pelo denominada "Justiça Divina", aquela que, pelos vistos, acontece num tribunal de última instância, mas daqueles que estão acima, muita a cima - consta-se, dos tribunais terrenos.

Não sei se existe tal entidade e ninguém pode afirmá-lo, pelo menos com provas comprovadas, mas que deve existir, lá isso deve, quanto mais não seja para que possamos continuar a acreditar que tudo terá um desfecho justo, independentemente de, por estas bandas, na terra, muito se "brincar" ao "justo e ao pagador", seja qual for a relevância que "isto ou aquilo" possam ter.

Francisco Moreira
quarta-feira, 8 de junho de 2011

Augúrio



Encaminhamo-nos a passos largos para transformar a nossa vida numa espécie de torre de computador, daquelas que, tal como o aparelho citado, armazenará tudo o que nos for acontecendo, independentemente do grau de relevância. Mas não só. Estamos a encaminhar-nos para acontecer sem sair da cadeira.

É, pelo "andar da carruagem", corremos em "banda larga" para o "nada fazer", pelo menos em termos práticos, daqueles que impliquem sairmos da Internet para vivermos na vida real. É, caso ainda não tenham reparado bem, já nos damos ao trabalho de ficar exageradamente cansados sem sair do lugar, mesmo que esse cansaço, em termos práticos, signifique que não estivemos a fazer nada, pelo menos de útil.

Na verdade, muitas das horas que passamos ligados a um computador são gastas como se estivéssemos a jogar um qualquer jogo (e por vezes, está-se!), sem produzir ou, melhor ainda, a deixar de produzir.

Obviamente que - e cada vez mais! - muito se produz e gera-se à custa dos computadores, já ligados a quase tudo o que nos rodeia, mas isso não deveria implicar que deixássemos que ele nos "trocasse as voltas", levando-nos a quase não existir sem ele.

Como dizia de início, encaminhamo-nos rapidamente para uma vida armazenada e controlada por um servidor qualquer, esteja ele instalado na rua ou lado ou num paraíso fiscal, já que, feitas as contas em função das perspectivas que se avizinham, uma grande percentagem do nosso acontecer já está dentro de uma torre, algo que, dizem as cartas de "Tarôt", não é propriamente um bom augúrio, a torre, claro.


Francisco Moreira
terça-feira, 7 de junho de 2011

Carreiros

Um dos principais desvios do caminho humano prende-se com a procura incessante de atalhos alternativos, numa espécie de tentativa de melhorar aquilo que eventualmente é apresentado desde a nascença: o destino.

Sei que o tema destino, só por si, merece uma profunda reflexão, uma catadupa de suposições e contra-suposições, como tudo o que não tem resultado comprovado. Contudo, voltando à questão caminho, permitam que afirme que mais do que procurar, deveríamos olhar melhor para a estrada que nos conduz, já que são inúmeros os pormenores (termo exageradamente pequeno relativamente ao pretendido) que nos escapam, são inúmeras as perdas que desperdiçamos por estarmos demasiado focados nos caminhos dos outros ou nos caminhos que idealizamos, mesmo sabendo que, à partida, não teremos "rodas" para lá chegar.

Não, não custa tentar. Mais. Devemos sempre tentar melhorar, devemos sempre procurar alternativas ao que, no nosso entender, possa estar "menos bem", devemos sempre tentar fazer mais e melhor, por mais dificuldades que encontremos.

O que me leva a chamar à atenção para o caminho de cada um prende-se exclusivamente com o facto de andarmos demasiado distraídos com a luminosidade das estradas dos outros enquanto os outros, provavelmente, andarão demasiado interessados com os nossos caminhos. E porquê? Porque, na verdade, nunca estamos satisfeitos: quando temos muito procuramos conseguir sobreviver no pouco e quando temos pouco procuramos atingir o muito.

Manias de caminhos, sempre à procura de atalhos, independentemente de andarmos em carreiros ou em auto-estrada.


Francisco Moreira
segunda-feira, 6 de junho de 2011

(des)Uso

Andamos encantados com o "marketing" dos nossos dias, ao ponto de já não sabermos valorizar o tanto que "saboreávamos" nos outros tempos, aqueles em que tínhamos pouco mas julgávamos que tínhamos muito, ficando felizes por e com isso, o tal do nada, quando "transladado" para o presente.

Hoje, essencialmente pela oferta que nos chega "impostamente" embalada pelos laços reluzentes da dita necessidade (mesmo que desnecesária), não nos damos ao trabalho de perder segundos com o que, noutras décadas, nos entretinha horas a fio, e com repetições mil.
Hoje, embalados pela ribanceira do chegar às novidades, esquecemo-nos do quanto está ao nosso alcance, e sem pagar mais por isso. Chegamos ao ponto de esquecer os "nossos" e o que sempre nosso foi pela necessidade de "parecer", mesmo que a "maquilhagem" não se aguente mais do que o tempo necessário para a "fotografia da praxe".
É, entre outras "doenças", estamos a ficar cegos e surdos, principalmente naquelas alturas em que deveríamos ser chamados à tábua da razão, nem que fosse tão só para percebermos que o mundo não é (somente) aquela montra virtual que a troco de "cêntimos" nos pode dar prazer, principalmente quando (eventualmente) descartável ao fim do rápido (des)uso.
De que é que estou para aqui a falar? Se do cão ou do "pirulito"?!
Não estou a falar de nada, embora me refira a quase tudo.

Francisco Moreira
domingo, 5 de junho de 2011

Troika

Começo por referir que, à décadas, adoro seguir as noites televisivas em dias de eleições, principalmente a "solo" e em eleições legislativas. E hoje, como não poderia deixar de ser, lá estive de "zapping" na mão.

Sem ir directamente para a análise aos resultados, permitam que o meu primeiro sublinhar seja direccionado para aquele que, no meu ponto de vista, foi, até à data, o melhor discurso de derrota das últimas décadas: o de José Sócrates, o principal derrotado, ou talvez não.

Gostei do que disse, gostei da sua postura e gostei da forma como assumiu a derrota e parabenizou os vencedores, se é que os há. (sim, acho que ainda teremos saudades dele, ou melhor, acho que regressará, seja como primeiro-ministro, seja como presidente da república)
Quanto aos resultados, e quando faltam apurar 30 freguesias, permitam que escreva que, no meu ponto de vista, não há um vencedor, pior, há vários derrotados, mas a isso já estamos habituados, embora, quase sempre, "todos" se assumam como vencedores.
Pedro Passos Coelho, apesar de ter tido o maior número de votos, não ganhou como deveria, dadas as circunstâncias politico-económicas do País. No mínimo, para ser considerado um vencedor, deveria ter ganho com maioria absoluta. Recordo que Sócrates, à 6 anos, venceu com maioria absoluta com condições muito menos favoráveis do que as actuais para o líder do PSD. Mais, acho que ainda ninguém percebeu que este será um governo refém de um PP - Paulo Portas ou Partido Popular (será egocentrismo ter escolhido esta sigla?!), que, dada a campanha e o não (aceite) acordo pré-eleitoral, custará bem caro a Passo Coelho, aparentemente com vontade mas sem a "estaleca" necessária para assumir um papel forte e inquestionável, algo que Sócrates sempre conseguiu junto dos seus ministros, todos, mesmo quando as coisas estavam mais "azedas" em termos de popularidade.
Faço uma "vénia" ao PCP, ou CDU, se preferirem, por continuar "estoicamente" a sobreviver, independentemente do envelhecimento do seu eleitorado e da sua "cassete".
Quanto ao BE, ficou provado que, afinal, as "fintas" (apoio a Manuel Alegre seguido de Moção de Censura) deram para o "torto", prevendo-se que, a médio prazo, possa diluir-se, tal como aconteceu com o PRD (um partido que existiu sob a "capa" de Ramalho Eanes).
E para não me alongar muito mais, em jeito de remate, até acho que é "bom" voltarmos a ter uma AD, mesmo com "submarinos" e "torpedos" ao longo de uma nova legislatura que, ou muito me engano, nos bastidores, terá inúmeros episódios, ao jeito da era Durão Barroso. Só espero é que ninguém deserte!

Por outro lado, sublinho que é irónico passarmos a ter um governo que, friso, é composto pelos grandes responsáveis pela vinda da "Troika" e que, não menos ironicamente, começará a ser colocada em prática já amanhã. Por isso, mais do que celebrar - e refiro-me aos vencedores, estou para ver se os votos de hoje conseguirão o efeito anunciado ou se teremos uma "Troika" dentro da "Troika" com a desculpa da "Troika". É que, pelo menos para mim e muitos outros, fico com a sensação de que, ao contrário do que Cavaco Silva anunciou como desejo, não teremos um governo forte e determinado, mas sim um governo que vai ter que usar vários remos para conseguir sobreviver ao "Triunvirato", o tal "restaurante" que abriu "Portas" antes do tempo e deu "Passos" errados para algo que, desejo, não se venha a transformar num abismo.

Francisco Moreira


* Ah! Só mais uma nota: espero que os milhões que não foram votar que, pelo menos desta vez, não andem a "gritar" que os políticos são "isto e aquilo", porque foram eles - os cidadãos que só o são quando lhes interessa ou têm que o ser - que também os escolheram, a estes.
quinta-feira, 2 de junho de 2011

Tenho Dito

O assunto em questão, no meu ponto de vista, merece uma aprofundada reflexão e, mais do que isso, um volume de dissertações e opiniões que, confesso, evitarei, principalmente porque, na verdade, tudo o que seja mais do que "duas palavras", geralmente, é interpretado como "seca", já que "ninguém" tem pachorra para ouvir falar de política, quanto mais "lê-la", esquecendo-se de que é a política que dita o nosso amanhã, queiramos ou não, votando ou nem por isso... Porque vai estar um excelente dia de praia no Domingo.

Em resumo, assumo desde já que votarei em José Sócrates, mesmo sabendo que, neste preciso momento, as minhas orelhas "arderão" por estar a assumi-lo, e principalmente quando os tantos que votarão no PS não se dão ao "trabalho" de o dizer, talvez por receio de serem considerados "maus da fita", tamanha é a quantidade de vozes que se ergue nos mais diversificados meios. A estes, aos que se "calam", coloco a seguinte pergunta:

- Acham mesmo que serão os únicos a votarem no Sócrates? Acham mesmo que "calando-se" estão a dar força ao vosso voto? Acham mesmo que o silêncio consegue rebater o murmurinho que se faz ouvir? Acham mesmo que a democracia vive de silêncios?

Bem, permitam que vá directamente ao ponto, um ponto que, neste caso, é de exclamação, independentemente dos pontos de interrogação que se possam tentar "colar".

Eu voto em Sócrates porque, mesmo com erros e números que, de longe, são piores do que aqueles que ele sempre prometeu, para mim, dos candidatos em questão, ele é o único que "OS" tem no sítio, o único que, em termos de experiência governativa, nos últimos anos, mesmo em "tanga", não abandonou o "barco" nem se deixou engolir pelo "pântano", independentemente das calúnias (quem nunca meteu uma "cunha" que levante o braço) ou verdades (que me interessa se ele fez o exame ao Domingo ou à 6ª), já que o que interessa MESMO é o seu desempenho, e principalmente dadas as circunstâncias.

Como costuma dizer um amigo meu: "é preferível alguém que aja do que alguém que se deixe manipular", mesmo que para isso, aqui e ali, se vá "colorindo" os acontecimentos. (algo que todos fazem e farão, já que "faz parte", inclusive na oposição, ou não?!)

Por outro lado, uma parte gigante do nosso problema (porque é de todos), convenhamos, foi criada por quem não o deixou governar, por quem ajudou - e muito! - à especulação financeira (e outras) e, não menos importante, pelo menos para mim - repito, uma das maiores culpas vai para quem tomou a decisão (derrubando-o) de recusar um "Pack 4" ontem para o assinar (com mais espinhos) no dia seguinte, e, "assobiando para o lado", com um acréscimo de 78 mil milhões de euros. Alguém tem dúvidas de que os "juros" estão gratos à tanta fragilidade provocada pelo ruído interno e externo?! (houve uma deputada do PP que, pelos vistos, em entrevista a uma televisão Norte-Americana recomendou que não se emprestasse dinheiro a Portugal porque o governo iria cair dali a uns meses - Grande patriotismo este, uns dias antes de Portugal vender dívida pública)

Sim, acreditei que o Sócrates conseguiria manter Portugal sem essa dívida, sem escancarar as portas ao FMI como tantos acenaram (porque convinha eleitoralmente). É que, mesmo em minoria e com tudo o que isso representa (pelo menos em Portugal), mesmo com todas as vozes oposicionistas a ajudarem ao aumento dos juros, e por aí fora, sempre acreditei que o governos conseguiria fazer-nos "sobreviver" a mais uma crise em cima da crise... (Lembram-se da última vez em que não se ousou fazer referência à palavra Crise? Isso foi há quantas décadas?! Até parece que foi o Sócrates que a inventou.)

Não sou perfeito, nem pretendo sê-lo. Mais, quem almeja sê-lo, por muito que tente agradar a "Gregos e Troianos", infelizmente, também não o conseguirá. Para mim, José Sócrates é um primeiro-ministro que conseguiu ter "pulso de ferro" e que, mesmo com erros (todos os cometem, todos os cometerão), conseguiu fazer muito, por muito que esse muito "incomodasse" alguns sectores, originando coros de vozes que, julgavam, conseguiriam sempre manter a sua, quando, em grande parte dos casos, a palavra que se manteve foi a do primeiro-ministro. A isto chama-se: "tê-los no sítio", algo que precisávamos, precisamos e precisaremos, digam o que disserem.

Sem ir muito longe, gostei especialmente do seu primeiro mandato, aquele em que pôde tomar decisões contra "tudo e contra tolos" em favor da "maioria", gostei da forma com atacou algumas das muitas injustiças sociais, gostei de como facilitou as burocracias, gostei de como recuperou dinheiro "perdido", gostei de como avaliou "funcionários especiais" (mesmo com exemplos negativos, porque os haverá sempre, basta descobrir-se um exemplo para se culpar a "regra"), gostei das "novas oportunidades" (sempre vale mais ter 0,1 do que continuar a 0, ou não?!), gostei de inúmeras coisas, mesmo tendo que pagar mais impostos, mesmo vendo outras regalias a desaparecerem. Sim, em termos gerais, entendo que, dadas as circunstâncias e as regras Europeias e Mundiais, ele conseguiu mais do que qualquer um dos seus actuais adversários conseguiriam ou conseguirão, principalmente os que, à custa da utopia, tentam provar que, por exemplo, sem a privatização do "BPN", o País estaria melhor. Sim, estaria, sem dúvida. E se o banco não fosse privatizado, conseguiria limitar-se a "causa-efeito" e o caos?!? Pois. (falar é bem mais fácil do que fazer)

Para mim, o Sócrates, mesmo num período extremamente difícil, manteve o discurso positivo, contrariando o "nacional negativismo" com que tanto "gostamos" de nos lamentar... sempre, seja na porta do "café" ou nas "Maldivas", e mesmo que não nos desloquemos às urnas.

José Sócrates, infelizmente, irá perder as eleições. Mais, mesmo que as ganhe, não formará governo. Primeiro porque a "esquerda" acredita no "não pagamento do que se deve" e noutras "loucuras do século passado" e depois porque o primeiro-ministro demissionário (que nunca fugiu, reforço!) não aceitará - e bem! - aquilo que o Passos Coelho já aceitou: ficar refém de um "Porta-Submarinos"; o grande vencedor destas legislativas, inquestionavelmente (muito graças aos votos dos socialistas desempregados e aos socialistas que perderam parte do seu salário).

Lamento que, nesta altura difícil, o bem intencionado Passos Coelho (parece-me ser boa pessoa!) não consiga resistir à pressão dos seus "boys" (provavelmente terá mais do que Sócrates) e muito menos às "matreirices" e "chantagens" ("indoor" e "outdoor") de um Portas que "sabe-a toda".

Não tenho fé na nova "AD" e não creio que o próximo primeiro-ministro tenha mais qualidades (nem defeitos) que Sócrates e, acima de tudo, não acredito que esta maioria chegue a bom porto.

Se Sócrates deixará saudades?! Deixará, acreditem.

E, mesmo sentindo que perderá estas eleições, razão pela qual, aparentemente, anda mais cansado, mais em baixo, mais desiludido, menos confiante, menos "o melhor" - porque o é! - em termos de intervenções (debates incluídos), Sócrates merece o meu Voto, convicto Voto, e o voto de milhões que perceberam que, dado o elenco que se apresenta, não há melhor, muito menos numa Europa que decide quase tudo (ao menos, ele já lá estava, e com "links" bem estruturados, presumo).

Não sei se o PS permitirá que Sócrates regresse, mas, se regressar, voltará a primeiro-ministro, se não lhe passar pela cabeça suceder a Cavaco Silva, o verdadeiro "primeiro ministro" de Portugal neste "machadado" mandato.


Francisco Moreira




* Evitei referir-me aos "tiros no pé " constantes que Passos Coelho (futuro primeiro-ministro gerido pelo "porta-submarinos") foi dando todos os dias na campanha e, logicamente, acrescento que TODOS devem votar, principalmente aqueles que dizem "cobras e lagartos" e que, quando devem assumir o seu papel, não o fazem. Votem em branco, se não encontrarem nenhum candidato à "vossa altura".
quarta-feira, 1 de junho de 2011

Votos



Estou para aqui a pensar se exprimo ou não o que penso de eleições, destas eleições... E acho que vou mesmo fazê-lo mais tarde... Deixem-me juntar os "pontos"... Mais tarde volto, e falarei de Sócrates. (sorrisos)


Francisco Moreira
terça-feira, 31 de maio de 2011

Entrada

Anda "meio mundo" à procura de uma saída quando, no meu entender, o mesmo "meio mundo" deveria andar à procura de uma entrada, de uma nova entrada. É que, para que se perceba, muitas das questões aparentemente "insolúveis" - aquelas que tantas "correntes de ar" provocam -, em termos de resultados, dependem mais de "entradas" do que de "saídas". Nós é que teimamos em continuar a ver pelo ângulo errado, ao jeito do "tudo se resolve por obra de uma Sta. qualquer".
Estou em crer de que se fizéssemos mais e melhor por encontrar novas ou renovadas alternativas não teríamos que ficar à espera que a "porta" nos caísse do céu ou do vizinho do lado ou que a janela com vista para a "solução" não se limitasse a ficar entreaberta entre a vontade e o sonho, principalmente naquelas alturas em que o delírio do desejo leva o acreditar para uma espécie de oásis de fantasia. Mais, estou em crer de que procurando novas perspectivas, muito provavelmente, além de contornarmos aquelas que não param de nos incomodar, passaríamos (ou passaremos, melhor dizendo!) a dedicar mais atenção (e tempo) ao verdadeiro avançar.
É que, por muito que procuremos saídas, na verdade, temos mais hipóteses de sair entrando do que de sair esperando. E só não o percebemos e aceitamos de uma vez por todas, porque habituamo-nos ao conforto desconfortável da espera.


Francisco Moreira
segunda-feira, 30 de maio de 2011

Multa

Não paramos de andar em excesso de velocidade, e não me refiro apenas e tão só aos limites rodoviários, refiro-me aos excessos que transportamos diariamente às costas: a velocidade vertiginosa em que conduzimos a nossa vida.

E o principal problema, acredito, está ao nível do pensamento. Passamos demasiado tempo preocupados com o que nos acontece e com o que nos pode vir a acontecer, antecipando eventuais cenários, antecipando danos que, muitas das vezes, nem se justificam.

Este viver-se preocupado vezes sem conta é responsável por um desgaste acima do "permitido", esta "vida locca" a que nos entregamos repetidamente, transformando a "modalidade" em hábito, faz com que passemos ao lado do que é mais importante, faz com que tenhamos todo o tempo do mundo, ou melhor, toda a "preocupação do mundo", para o que tem menos essência, para o que tem menos significado.

E é por isso que não param de nos chegar multas e mais multas, daquelas sem talão mas com efeitos práticos, daquelas com que já não nos remendamos, deixando os "fiapos" à deriva, embora "certos" de que haverá sempre maneira de a "livrar" - à multa e não ao desgaste.



Francisco Moreira
quinta-feira, 26 de maio de 2011

Puzzle

Madrugada dentro, o assunto era "puzzles": aquelas peças que se encaixam umas nas outras ou que se tentam encaixar, seja à força, por conveniência, crença ou alegando uma outra qualquer justificação.

E entre um e outro exemplo, independentemente da prateleira em que se servem as opiniões, eis que se chega à conclusão inconclusiva de que todos somos pequenas peças de pequenos "puzzles" que, entrelançando-se umas nas outras, acabam por formar um mundo de "puzzles", um mundo de vidas e "vidinhas".

O problema - poderá dizer-se - é encontrar todas as peças - as certas e acertadas, aquelas que permitem resolver a equação final, aquelas pelas quais também nos vamos entretendo na novela dos episódios dos dias, aquelas que - presume-se! - determinarão a importância do nosso papel nesta encruzilhada de sonhos que mais parece um coma profundo à espera do apito final do árbitro.

O meu "puzzle", esse, como muitos outros, por ironia, tinha logo que conter inúmeras peças, e daquelas bem pequeninas, com mais cantos e recantos do que o mais ilusório dos enigmas. E logo comigo que não sou nada fã de "puzzles", mesmo quando a peça mais importante do meu "puzzle" - o meu Anjo - me obriga a montar os dele, e peça a peça, paciência a paciência, repetição a repetição... E por mais fáceis que aqueles "brinquedos" sejam de completar, principalmente quando comparados com aquele "a sério" que a vida insistentemente me impõe: fôlego a fôlego, chego à conclusão de que o meu "puzzle" vai-se formando e compactando degrau a degrau, embora também à custa de muitas peças que aparecem como "extra", e só para atrapalhar.

Francisco Moreira
terça-feira, 24 de maio de 2011

Sótão

Por muitos exemplos que a vida me continue a mostrar ao jeito do contrariar, ainda sou daqueles resistentes que dizem em voz alta que as pessoas valem a pena, por maiores que possam ser as hecatombes. Sim, continuo a apostar nas pessoas, mesmo que "às cegas", mesmo que equilibrado no fio do "tudo ou nada".

E porquê? Porque é no "separar das águas" que se faz a verdadeira "vindima", é no meio do trigo que se destaca o "joio".

A brincar - ou talvez não, gosto de dizer que "em cada dez pessoas que passo a conhecer, se se aproveitar uma, já valeu a pena".
E para justificar a contabilidade, posso recorrer ao simples argumento que frisa que antes das "10" tentativas tinha "0" de acréscimo e que, depois delas, passei a ter mais "1", mesmo que, na "prova dos nove" - aquela que soma as "conquistas" e subtrai os "adeus", se possa manter a balança no "meio-meio", sem grandes alterações, mesmo existindo - já que se vai "apurando os ombros".
Não, não se passa nada. Estava apenas para aqui "encostado" às amizades, a olhar para a minha lista de números de telemóvel... Estava a deslizar o "botão do abecedário" e a reparar naqueles para quem mais ligo e nos que mais me ligam (mesmo que isso não seja um "medidor" - não o é!), e a notar que, como em tudo na vida, o tempo faz questão de nos direccionar ao sabor dos instantes. É, até as listas de números de telemóvel mudam, e muito!
Claro que há números que, infelizmente e pelas mais diversas razões - umas mais normais do que outras, deixaram de se "fazer ouvir", claro que há pessoas que deixaram de se "fazer contar"... Mas, por outro lado, o que realmente interessa, é poder reparar-se que: enquanto uns se transformam em nevoeiro e outros se vestem de sol, dá um gozo tremendo sentir que se pode continuar a ser valorizado e valorizar, independentemente da estação do ano, aquela "ventania" que, de quando em vez, faça chuva ou faça sol, nos ajuda a limpar o pó ao "sótão" da amizade.


Francisco Moreira
segunda-feira, 23 de maio de 2011

Letras

Apesar de nem eu conseguir decifrar a minha própria assinatura, gosto de assinaturas, daquelas que vão muito além das sílabas. Gosto de quem assina com honra, com a certeza de que está a honrar a sua história, o seu portefólio, a sua linha de acção.

E este "reparo" surge em sequência daquilo que os novos tempos apresentam: o decréscimo acentuado do valor do nome, a perda de peso na assinatura, por mais importante - ou não - que seja o "papel" onde se coloca o "carimbo".

Gosto de assinaturas com carisma, com personalidade, de assinaturas que não se limitam a rubricar por rubricar, daquelas que não são assentes no tal do: "depois vê-se"... E não faltam!

Não sei se este meu pensar (e pensar de tantos outros) se prende com o "de pequenino se torce o pepino" nem tão pouco se o "acontecer ao contrário" (falta de cumprimento de compromissos) tem a ver com o que ditam os novos tempos... Mas sei e sinto que é bom ter nome, que é bom ter-se orgulho em mantê-lo longe das curvas e desalinhos, por mais dificuldades que possam surgir.

Definitivamente, aprecio quem aprecia o seu nome, quem faz sempre por apreciá-lo, do mais pobre ao mais rico, do mais culto ao mais analfabeto. E que pena sinto de quem se deixa "desonrar" por "tuta e meia", crente de que os dias ou as mentiras diluirão as letras mais "tortas" com que (sem palavra) assinam.


Francisco Moreira
sexta-feira, 20 de maio de 2011

Conta

Todos temos uma luz natural, uma luz interna, uma luz que, sem nos apercebermos, é mais intensa do que imaginamos, uma luz que consegue melhores resultados do que os "interruptores" a que recorremos regularmente. E é uma pena não acreditemos ou tenhamos a capacidade de a perceber, de a aceitar, de a quantificar e - pior ainda - de a usar mais e mais vezes, ou tantas quanto necessário.
Andamos vezes de mais às escuras, e sem nos darmos conta de que somos uma conta que conta e não apenas um caminho a caminho da factura.
Por mais apagados que pareçamos, todos somos iluminados, todos podemos iluminar, todos podemos ser "túnel", todos podemos ser melhores, quer para nós, quer para os outros.
O problema - julgo eu!, passa por não acreditarmos o suficiente no nosso "pavio", não valorizarmos suficientemente a nossa chama, não encandearmos mais do que meros "mínimos exigidos". O problema - afirmo eu!, passa por passarmos demasiado tempo a esconder-nos dentro de uma espécie de lamparina, e daquelas que se "abanam" mais do que iluminam.
Estou certo de que se fôssemos mais crentes na importante "conta" que somos pagaríamos muito menos "conta", principalmente à conta de outros.


Francisco Moreira
quinta-feira, 19 de maio de 2011

Nações Unidas

Fazem-me alguma confusão os alguns exageros cerebrais em função de coisas tão banais como o futebol. Mas começo por fazer notar que esses exageros ainda são uma minoria, pelo menos pelo que vejo.

Para mim, o futebol deve ser encarado como puro entretenimento, já que o é, e não como determinante no fluxo do quotidiano de cada um.
Não estou a tocar em clubes, ou melhor, toco em todos, dos mais pequeninos aos mais "gigantinhos".
E, pior do que embarcar nesses quase fanatismos, julgo eu, é patrociná-los, dar-lhes visibilidade, acrescentar-se-lhes as próprias vozes.
Que bom era o futebol quando não se degladiava tanto em insultos e em agressividade. Que bom era o futebol quando não se fazia do adversário (mesmo quando está fora de jogo) o principal lema para se festejar uma vitória. Que bom era o tempo em que, independentemente dos emblemas que apreciassem, todos ficavam felizes com uma equipa a representar o seu País.
Hoje, infelizmente, as coisas são mais "guerrilheiras". E de quem é a culpa? Dos outros e, claro, de nós, aqueles que se riem dando a ideia de que tais atitudes "têm piada", por mais infelizes que o sejam e independentemente de quem as protagonize.

Francisco Moreira

* Já agora, e fugindo um pouco do tema, confesso que fiquei algo triste ao ler um jornal de hoje que chamava a atenção (demonstrando-o) para o facto de na celebração da vitória do FCP em Dublin não se terem visto jogadores com a Bandeira Portuguesa (exceptuando o Beto com uma micro-bandeira) e de, ironicamente, se ver um jogador da selecção Portuguesa com a Bandeira do país onde nasceu, que não é Portugal. Exagerando, quem visionou o jogo por este mundo fora, provavelmente pensou que quem ganhou a Liga Europa não foi uma equipa Portuguesa mas sim uma equipa das Nações Unidas.
quarta-feira, 18 de maio de 2011

Gosto

Quantas serão as vezes em que quem se dá ao prazer de escrever neste aparelhómetro a que chamam teclado desiste a meio de um ou outro pensamento?

Esta é uma pergunta que me faço muitas vezes, principalmente naqueles tantos momentos em que não me sinto minimamente inspirado, mesmo continuando a escrever, ancorado na velha desculpa de que "convém não deixar de o fazer", quanto mais não seja para não perder o hábito e, acima de tudo, para não deixar desmoronar, neste caso, um "cantinho" que já tem para cima de 3000 textos: a grande maioria feita à pressão, nesta pressão, na tentativa de não "abandonar o barco".

Já vi muita gente a iniciar Blogues. Já insisti com muita gente para que os criassem, nem que fosse para "excomungarem" alguns pensamentos, nem que fosse para se lerem mais tarde, mesmo que nunca o venham a fazer.

Fico triste de cada vez que vejo um Blogue amigo a deambular entre o "caio ou não caio", entre o "continuo ou continuo", entre o "para que serve"... E há tanta gente, tanta gente a escrever tão bem, tanta gente a quem a palavra, neste caso "impressa", fica tão bem.

Não, este não é um grito na tentativa de acordar quem anda adormecido por estas bandas, quase se esquecendo de lá voltarem...

Na verdade, com este texto, e já que estava sem assunto, tento dizer-me e dizer a tantos que, mesmo quando as teclas não estão em sintonia com a inspiração, há que continuar a escrever, há que continuar a teimar, mesmo quando se é assediado por um "Facebook" qualquer, onde, para se continuar, em grande parte das vezes, basta clicar num "gosto", mesmo que não se goste muito do conteúdo "impresso".


Francisco Moreira

*Ah, e o melhor é fazer como eu (ou talvez não!): escrever sem reler, para que não nos sintamos impelidos a fazer "não gosto", ou melhor, "delete".
terça-feira, 17 de maio de 2011

Cotovelos

Uma das principais questões dos "dia de hoje" prende-se com a falta de comunicação, com a falta de "percebas", isto apesar da sufocante globalização, principalmente em termos de comunicação e informação.

Apesar de estarmos cada vez mais próximos uns dos outros, na verdade, estamos cada vez mais distantes, mesmo quando os "Facebook" e afins tentam comprovar o contrário.

Como? Simplesmente porque, com tamanha informação, ficamos aparentemente mais "surdos", menos interessados em saber dos outros, já que o que interessa terá que ter o título de "calamidade" ou, em alternativa, o que interessa é que os outros saibam de nós, nem que seja à força.

Vivemos na era da comunicação mas, infelizmente, comunicamos menos, ou melhor, falamos mais (mesmo por teclas) mas dialogámos menos, pelo menos no que diz respeito à qualidade dos conteúdos.

Onde param as conversas de tudo e do nada esmiuçadas até ao tutano? Onde param as expressões adjacentes às impressões do que era ouvido, do que era sentido? Em que soleira paramos nós para um frente a frente, daqueles que poderiam não chegar a primeira página mas chegavam-nos ao cérebro?

É, caso ainda não tenham reparado, apesar de "falarmos" cada vez mais, dizemos cada vez menos e, não menos importante, estamos a ficar mais egoístas do que nunca, não dando espaço aos "cotovelos" dos outros, já que achamos que os nossos precisam da "banda larga" toda.



Francisco Moreira
segunda-feira, 16 de maio de 2011

Recreio

Anda meio mundo à procura de respostas e outro meio mundo a tentar vendê-las, mesmo que de borla, ou nem por isso.

Onde há perguntas não falta quem se apresente como dono do saber, mesmo sem se ter dado ao trabalho de se ter dado ao papel de cobaia para o resultado final que, mesmo sem dúvidas, mesmo que duvidando, jura ter todas as certezas e mais algumas.

É demasiado fácil dar respostas aos outros. Difícil é dar resposta às perguntas que nos colocamos ou àquelas que a vida nos coloca.

Mas ainda bem que assim é, ainda bem que há uma balança que permite um pouco de tudo, quanto mais não seja para nos entreter o pensamento enquanto andamos a experimentar o certo e o errado, enquanto aguardamos pelo dia em que não serão necessárias perguntas, já que o enlace - respondo eu! - far-se-á exclusivamente de respostas, já que nesse ponto não haverá mais "recreio" para perguntas.


Francisco Moreira
quinta-feira, 12 de maio de 2011

Todo

Tal como a imagem que aqui apresento, a vida tem dois lados, apesar de pensarmos que vivemo-la predominantemente num estado intermédio, ora com raios de sombra, ora com raios de luz.

E se é assimcom o todo, há que aceitar que o particular não pode ser assim tão diferente, independentemente das tonalidades com que nos possamos vestir um dia ou outro.


Francisco Moreira
quarta-feira, 11 de maio de 2011

Colecções

Todos temos fragilidades por mais musculado que esteja o nosso acontecer, por mais inquebrável que pareça o nosso caminho. Todos, sem excepção, são demasiado frágeis, demasiado vulneráveis.

Mas, por outro lado - porque há sempre dois lados na mesma moeda!, todos somos suficientemente fortes, por mais defeitos que tenhamos, por mais "calcanhares" coleccionados ao longo do mapa do nosso caminho.

Assim sendo, e tal como numa qualquer outra balança, há que saber dosear a vida, há que encontrar o peso e a medida certos que permitam ir "andando"... Que permitam serpentear os obstáculos e armazenar energia extra.

Em jeito de observação, há que sublinhar que o "balançar" seria muito menos "preclitante" se não andasse meio mundo à procura das fragilidades do outro meio mundo para se sentir mais forte, principalmente porque, na verdade, todos continuaremos fortes e frágeis, independentemente das "colecções".


Francisco Moreira
terça-feira, 10 de maio de 2011

Ponto

No meio de tantas lágrimas, tantas delas escondidas por detrás da maquilhagem dos dias, é inspirador ver um ou outro sorriso, sentir uma ou outra alegria, por mais simples, por mais ténue que pareça.

E é nesses "raros" exemplos que se encontra a luz para iluminar tantas das "candeias" que quase já não têm "pavio"... É nesses sorrisos que podemos reaprender a ficar mais felizes com "pouco" na procura de mais...

Não é no aguardar de dissabores nem tão pouco estar sempre à espera do pior que se conquistam sorrisos. Não é no erguer da voz da negatividade nem no levantar do muro das lamentações que se conquistam melhores dias. É no acreditar que se conquista. É no procurar que se encontra. É no querer que se chega "lá", por mais distante que pareça, por mais que insistamos em cenários menos interessantes.

Cá por mim, quem perde demasiado tempo a resguardar-se do pior, geralmente, deixa passar ao lado o melhor. (ponto)


Francisco Moreira
quinta-feira, 5 de maio de 2011

Primavera

Gosto especialmente desta imagem. Faz-me lembrar imensas ideias e ideais, daqueles que floriram, mesmo em ambientes, aparentemente, pouco dados a "verdura", mesmo envoltos em "arame farpado" ou em muros anunciados como impossíveis de ultrapassar.
É bom, mesmo bom, de cada vez que se assiste ao romper da "primavera", por mais "invernos" que se movimentem em prol de um qualquer "desassossego". É bom, muito bom, quando vemos ramos a ramificarem no cinzento de uma auto-estrada cinzenta.
E esta imagem, esta ideia, estas palavras, dirijo-as a quem tem coragem de continuar, quem não se associa ao "tem que ser" ou ao "é a vida", a todos aqueles que fazem do seu querer um novo dia, independentemente dos percalços e rasteiras que possam atrasar os seus passos...
Acreditar na bandeira do Viver e Vencer e fazer dela o mote para um caminho melhor é sempre de enaltecer, mesmo quando a derrota teima em anunciar que (também) faz parte de todo e qualquer resultado final.


Francisco Moreira
quarta-feira, 4 de maio de 2011

Intervalo

Estou a precisar de dar descanso às teclas, principalmente porque sinto que, mais dia, menos dia, elas se soltarão do teclado para me darem uma valente "porrada".

Já estou a imaginá-las a, num repentino ataque de fúria, a soltarem-se uma para cada lado, deixando o seu "habitat" natural naquela conjunto ordenado a que chamam de teclado.

Não é por acaso que já lhes sinto um "olhar de lado" anormal, tamanho é o gasto que lhes tenho dado, tamanhas são as horas extra que lhes exijo.

Vou mais longe. Sinto que as minhas desculpas já não as convencem.
O melhor mesmo, acredito, será dar-lhes umas "pontes" ou um fim-de-semana prolongado numa secretária paradisíaca, de maneira a, como quem não quer a coisa, ter justificação para o próximo "embate", um daqueles que, pelo que prevejo, será ainda mais cansativo do que agora chegou ao fim, ou melhor, ao intervalo.


Francisco Moreira
segunda-feira, 2 de maio de 2011

Instantes

O calendário tem sempre o engenho de nos fazer rever memórias, principalmente aquelas que não queremos esquecer, que nunca devemos deixar abandonadas num qualquer baú.

Ontem, dia da mãe, entre um e outro instante, lá fui recordando um ou outro episódio, daqueles com anos, com décadas, com vida...

É interessante ver e sentir como o tempo, por mais que ajude e tente disfarçar certas cicatrizes, jamais nos permite esquecer os sorrisos, principalmente os nossos e daqueles com quem nos sentimos especiais.

E é por isso que, por mais cinzenta que possa ser a saudade, há sempre uma ou outra cor que nos faz sorrir, sinal de que valeu a pena.


Francisco Moreira

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