terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
“Carnaval”
Com o avançar das idades, a nossa e a dos tempos, presumo, o Carnaval - e tantas outras coisas., vai perdendo o encantamento vivido noutras décadas, no caso a década de 70, para onde hoje nos tento transportar. (Ou será que estamos a perder predisposição para a "coisa" e tratamos de nos convencer com o "antigamente é que era bom"?)
Por volta de 1975, sem a existência das lojas que hoje fornecem tudo e mais alguma coisa para que se possa brilhar, e principalmente porque não haviam (para a grande maioria) condições económicas que permitissem “ir às compras”, recorria-se à imaginação da mãe para vestir um personagem diferente do personalizado nos restantes dias do ano.
Do vulgar lençol aparentemente branco para a mais do que conhecida versão fantasma às roupas femininas para a não menos “tradicional” mudança de "identidade sexual", lá nos íamos divertindo com os “remendos” que os guarda-vestidos permitiam, mas sempre com empenho e gosto, por muito que ficássemos a dever ao "estilho".
Obviamente que os quase instantâneos desfiles Carnavalescos (na freguesia) limitavam-se a uma espécie de circular de fotocópias, já que, com todos a recorrerem à mesma táctica, era normal haver um “dress-code” semelhante, mesmo que ninguém combinasse com os outros.
Com o decorrer dos anos, claro, as coisas mudaram-se, havendo a compra de caretas (o adereço!) e bisnagas para nos proporcionarem um melhor desempenho, mesmo que a variedade ficasse “muito a desejar”.
Por isso, e para se tentar dar nas vistas, quanto mais não fosse para se poder dizer e sentir que se tinha Carnaval, além das máscaras e bisnagas, divertíamo-nos com outros pormenores (hoje em estado moribundo) que ajudavam a assinalar melhor o entrudo. Refiro-me em concrecto, e sob a forma de perguntas, a exemplos que, estou em crer, mexeram com cada um de nós:
- Quem não vibrava com as serpentinas a ficarem presas nas antenas dos carros que passavam na rua?
- Quem não tentou assustar as colegas de escola com os famosos “estalinhos”?
- Quem não corou por ter soltado bombinhas de (mau) cheiro numa sala de aula?
- Quem não andou a “faiscar” as paredes da rua com aquelas tiras de papel com “micro-pólvora” cor-de-rosa/castanha. (sim, não me estou a lembrar do nome, novamente – risos)
- Quem não apanhou confétis do chão para os voltar a atirar para a cabeça de alguém?
- Quem não pegou em serpentinas usadas para fazer “rolinhos”, de maneira a reutilizá-las?
Ou seja, e em resumo, todos, todos já vivemos o Carnaval de forma intensa, ou melhor, de forma muito mais intensa. E isso aconteceu naquela tal altura em que se “aguçava o engenho”, porque mais importante do que ter, na verdade, era acontecer. E nós, crianças remediadas, poderíamos não ter muito, ou mesmo não ter nada, mas acontecíamos, julgo eu (e perdoem se exagero!), de uma maneira muito mais Carnavalesca e verdadeira.
Kiko
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