sábado, 28 de janeiro de 2012
Topo de Gama
Topo de Gama
Nota: Sou suspeito. Sempre gostei de Pedro Abrunhosa, da
pessoa, do poeta e do animal de palco que sempre foi e que sempre será.
Cruzei-me com ele nos primeiros passos de "Viagens",
fui dos primeiros a tocar o "Não posso mais", numa rádio, em Gaia...
E, desde essa altura, já lá vão 18 anos, confesso que me cansei de responder (defendendo-o)
às "bocas" do género : "- O gajo não canta!".
Hoje, sereno e atento, num Coliseu que me permitiu ver e
ouvir tantos e diferentes artistas, vi-o ser - uma vez mais - o melhor "entertainer"
da música Portuguesa... E, aos outros, os com vozes mais ou menos
"gritadas", conheço-os a quase todos, façam eles parte dos que ainda
sobrevivem, dos que ficaram pelo caminho e dos que, na verdade, nunca
conseguiram ser alguém mais do que os "15 minutos". O Pedro Abrunhosa,
que levei a visitar uma cadeia, porque os detidos assim o exigiram, sempre
comprovou ser um guerreiro, um perfeccionista, inquebrável, interventivo,
iluminado. Ou seja: mantém-se no topo, com mais ou menos platinas, cantando ou
nem por isso. Ele é topo, e topo de gama, já agora. Mas, esta noite, sem estar
à espera do melhor concerto de Abrunhosa - já que esse, dos que vi (nele), foi o primeiro
que deu nesta mesma sala, já lá vão muitos anos. - consegui, ironicamente e finalmente,
arranjar a resposta à tal pergunta, a tal de se ele canta ou não canta. Por
isso, mais do que esmiuçar o concerto de 3 horas - e que me perdoem os
"Comité Caviar" - excelentes., opto por resumir o todo e o tudo numa
frase:
- Cantor é aquele que consegue fazer chegar a mensagem a
quem o ouve, esteja o receptor com mais ou menos atenção. Cantor é aquele que
sabe usar a voz para transmitir sentimentos e fazer emergi-los em várias
gerações. Cantor é aquele que abre a boca para dar melodia à vida, ao instante
e ao sonho... E, que me perdoem os das "bocas" - incluindo amigos
meus, mas, talvez por ter estado atento mais do que nunca a um concerto dele,
sinto-me impelido a acrescentar que, Pedro Abrunhosa, além de ser o melhor "entertainer"
da música em Portugal, é o melhor cantor Português das últimas décadas. E sabem
porquê? Porque, além de conseguir aquilo que atrás referi, criou, editou,
interpretou e dá vida ao maior leque de hinos que iluminaram, iluminam e
iluminarão milhões de pessoas ao longo de quase 20 anos, inclusive quase todas
aquelas que, pelo vistos, não o conseguem ouvir a cantar.
Parabéns, Pedro! Gostei de te rever no "Santuário"
que crias e recrias como ninguém: o (teu) palco.
Francisco Moreira
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Sou não porque sim, talvez!
Sou não porque sim, talvez!
Não gosto que ousem
catalogar-me em dicionários de corredor, e menos ainda quando utilizados por
umbigos de grupos e grupinhos do "escárnio e maldizer". Prefiro o
sussurro dos óculos de sol, e em todas as horas do dia, prefiro todos aqueles
que não carecem de rímel para brilhar.
Entendo que as palavras,
mesmo que em pensamento, nunca são suficientemente autênticas, quer para o bem,
quer para o pior. E já sei que os grandes planos e pseudo-convites, na grande
maioria, não passam de desbloqueadores de conversa... E, em parte, dou graças
quando me sai um: ainda bem.
Gosto dos meus. E não
gosto do porque tem que ser, daqueles com quem não partilharei uma lágrima, uma
gargalhada, um pedaço de pizza num desbotado tapete de sala investido de
confessionário... Talvez por causa dos
santos, ou dos demónios, talvez porque já transbordei o pote dos fretes ...
E hoje, para não falar
do daqui a pouco, o relógio irrita-me. Irrita-me usar armadura, principalmente
num aperto de mão... E tudo isto, assumo, porque os anos ensinam e ditam que há
que evitar as correntes de ar vindas das janelas dos outros, são um risco, um
tremendo risco... Consta-se que quando
se abre a porta a desconhecidos, poderemos cair
no erro de estar a dar sumo a quem, ao primeiro brinde, nos venha a
tratar como parra... Valerá a pena arriscar tanto?! Não. Pelo menos hoje. Um
dia destes, ou nunca, quem sabe, ver-se-á...
Mas... E será que envelhecer
é assim tão lapidar, tão "colete de forças", tão fiel ao "é
melhor assim"?! Será que não podemos ser iguais aos filmes, será que não
podemos viver numa eterna comédia romântica, daquelas em que até fica bem
rirem-se de nós, já que a maldade não passou no "lápis azul" de Deus,
seja ele quem for?!
Incomoda-me querer ser
e não dever. Incomoda-me vestir a pose "militar-chique", ser
institucionalmente correcta e incorrecta, por mais fisgas que me estejam
apontadas, por mais "naif" que me apeteça acontecer numa 3ª feira
qualquer... Incomoda-me que me incomodem, incomoda-me que eu mesma me incomode,
principalmente antes da hora do café com cigarro a condizer...
Quem me terá vacinado
contra lugares comuns?
Será que só posso ser
mais uma na fila do supermercado da esquina, numa loja sem lustre ou em
conversas sem ponte para a feira das medalhas?! Será que não posso vestir o
pijama, calçar uns chinelos, por mais cansados que estejam e, simplesmente, rir
de mim, rir de nós, rir do nada, por nada, porque sim?!
Afinal, o que é ser
feliz? Afinal, quem pode ser feliz? Afinal, quantos minutos de felicidade
podemos ou devemos ter por dia?
E logo eu; que
trocaria facilmente os catedráticos da ignorância feitos lapas do poder pelas
histórias sem direito a palco de jornal daqueles "putos" armados em
gente que passam ao lado das montras do Chiado... Sim, aqueles que parecem
fixes, mesmo que nascidos no pós-retalhos de uma revolução, aquela que também daria
jeito, uma madrugada destas, só para limpar umas "coisitas", coisa
muita...
É, também fervo! E não
são raras as vezes em que me apetece esmurrar o mundo, e mais do que uma vez,
para ver se ele aprende, se reaprende.
Mas, porque carga de
água tenho que levar com este vazio que acorda aos gritos e me impede de
continuar a apreciar o lilás?
E que parvoíce é esta
de aceitar que um relógio me dite uma agenda e acrescente que sou uma sortuda?
São cada vez mais
repetitivas as manhãs em que me apetece deixar uma fotocópia da outra
"mim" nesta cadeira e rasurar o cartão da "adultice", só
para ser livre de verdade... um dia, um ano, ou, em alternativa, até quando me
apetecer...
É, um dia destes,
entre um chá e um absinto, mandarei o mundo que não é o meu à fava e voltarei a
abraçar a minha rua, aquela do "bom dia" e da alcunha, a mesma que me
tratava por tu e que, muito provavelmente, à conta de tantas modernices e
aniversários, já não me reconhece...
Uma manhã destas,
chegarei tarde ao propósito e farei da noite o meu dia, impedindo o sol de
nascer, nem que seja só para nos chatear, a mim e ao mundo...
Se correr mal, que se lixe!
Afinal, ainda há e haverá Chiado, montras e sonhadores, e eu até gostaria de
voltar a ser fixe, já que nesta manta de brilhos ambulantes em que se impõe
carburar, são muitas as linhas, e o todo nem se apercebe de que, mesmo eu contrariando-me,
o que mais procuro e desejo são...nós, daqueles que nos aquecem ao virar de
mais um dia.
Francisco Moreira
Janeiro de
2012
(texto em versão retrato escrito, por "encomenda", para alguém que, sem conhecer, julgo conhecer)
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Faz parte!
Consta-se que, em cada início de ano, injectamos inúmeros ideais e ideias em mente, mesmo que muitos dos objectivos já estejam algo ou imensamente recessos. Faz parte! E ainda bem - acrescento eu. - já que é sempre positivo alavancar o tanto que vamos deixando pelo caminho, ora por preguiça, ora por descrença, ora por culpa do nem sempre bem-fadado destino.
E 2012, aparentemente, sejam quais forem as "Troikas e Baldrocas" que nos coloquem ao pescoço, não começou de maneira diferente, independentemente do que o saldo dite ou anuncie: o precipício generalizado, já que há que continuar a soprar para as velas da proa da vontade e fazer das outras - aquelas às quais pedimos "isto, aquilo e aqueloutro" - um pavio que teime em sobreviver, faça chuva, granizo ou, ironizando, uma tremenda seca.
Há também quem recorra à nostalgia da memória e que, com fotografias antigas no "colo", recupere energias que "já lá vão"... Nem que seja para amenizar as cotoveladas e demais nódoas com que os dias mais recentes nos vão brindando. Faz parte!
Cá por mim, este será um ano melhor do que muitos. E digo-o arriscando-me a levar com um previsível volte-face nas bentas, dadas as previsões; as dos astros e as dos "opinion maker". Mas isso, assumo, não me impedirá de acreditar, de procurar agitar as águas, de tentar escalar novos e antigos sonhos, enfim, de fazer a minha parte no "faz parte" da vida: esta "coisa" a que prefiro chamar caminho, independentemente de os sinais teimarem em nos impor a inércia, a tal espécie de estrada sem saída que, na verdade, se pensarmos bem, mais não é do que um estratagema aglutinador vestido com um véu gigante que, à custa de muito marketing, pretende sugar-nos e comandar-nos, esquecendo-se porém de que todos somos e acabaremos iguais, principalmente quando chegar a altura de fazermos valer o cada um. E aí, sim, faremos parte, por mais "intoxicados" que possamos estar, por mais que nos atirem precipícios para os olhos.
E 2012, aparentemente, sejam quais forem as "Troikas e Baldrocas" que nos coloquem ao pescoço, não começou de maneira diferente, independentemente do que o saldo dite ou anuncie: o precipício generalizado, já que há que continuar a soprar para as velas da proa da vontade e fazer das outras - aquelas às quais pedimos "isto, aquilo e aqueloutro" - um pavio que teime em sobreviver, faça chuva, granizo ou, ironizando, uma tremenda seca.
Há também quem recorra à nostalgia da memória e que, com fotografias antigas no "colo", recupere energias que "já lá vão"... Nem que seja para amenizar as cotoveladas e demais nódoas com que os dias mais recentes nos vão brindando. Faz parte!
Cá por mim, este será um ano melhor do que muitos. E digo-o arriscando-me a levar com um previsível volte-face nas bentas, dadas as previsões; as dos astros e as dos "opinion maker". Mas isso, assumo, não me impedirá de acreditar, de procurar agitar as águas, de tentar escalar novos e antigos sonhos, enfim, de fazer a minha parte no "faz parte" da vida: esta "coisa" a que prefiro chamar caminho, independentemente de os sinais teimarem em nos impor a inércia, a tal espécie de estrada sem saída que, na verdade, se pensarmos bem, mais não é do que um estratagema aglutinador vestido com um véu gigante que, à custa de muito marketing, pretende sugar-nos e comandar-nos, esquecendo-se porém de que todos somos e acabaremos iguais, principalmente quando chegar a altura de fazermos valer o cada um. E aí, sim, faremos parte, por mais "intoxicados" que possamos estar, por mais que nos atirem precipícios para os olhos.
Francisco Moreira
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