quarta-feira, 2 de março de 2011

Besouros

Consta-se que, nos dias que correm, todos querem falar mas poucos tem paciência para ouvir, e não me refiro aos "fala-barato" como eu, refiro-me ao todo que somos, envolvidos que estamos - e cada vez mais! - nesta sociedade de ruídos mil, daqueles que nos chegam pelas mais diversas vias, incluindo as que não se propagam pelo som.

É triste quando se quer expressar algo e o receptor "faz de conta", para não lhe chamar o típico: "ouvidos de mercador". É triste ver-se e sentir-se a decadente escada do desinteresse geral a transformar-nos em besouros, autênticos besouros.

Mas, na verdade, o maior problema está no não nos apercebermos disso mesmo, continuando a falar sem pausas, inclusive sozinhos, como que teimando em comprovar que alguém nos há-de ouvir, quanto mais não seja pela insistência ou pelo elevar do tom de voz.

Das duas uma: ou estamos a ficar surdos ou, pura e simplesmente, não queremos ser incomodados pelas histórias dos outros, certos de que (apenas) as nossas merecem plateia.

Em que é que isto vai dar? Em silêncio, embora ruidosamente destrutivo, em termos de sociedade, em termos de relações.

Francisco Moreira

3 comentários:

Maurício disse...

Pois é!
Muitas vezes, enquanto falamos, escapamos à necessidade de escutar (que é bem diferente de, apenas, ouvir...)

Abraço

Misath disse...

Eu tenho uma opinião diferente, gosto de falar mas adoro ouvir... muitas vezes sendo mesmo "acusada" de ouvir demais ou melhor, ser ouvinte demais... o que me entristece de facto são as conversas chamadas "politicamente correctas" quando de facto já não existe a mesma vontade de se fazer ouvir ou numa tentativa de fazer "barulho" para não ouvir o que se tem a dizer!
confuso??? para mim não é! mas continuo sempre com a mesma linha de "paciencia" até novamente precisarem de serem "ouvidos" ou de quererem"ouvir"
Beijo de Luz.
Misath

Marta disse...

Modéstia à parte, alegro-me em sentir-me uma excepção a isto que escreves... foi a minha vontade de ouvir as histórias de quem me é mais próximo que fomentou o meu gosto pelas histórias dos outros, levando-me à Psicologia!

Não gosto desse silêncio... adoro falar e partilhar, mas dou muito valor ao "ouvir", incessantemente! :)

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