segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Plim!

O "Plim" é a tradução daquele instante em que, inesperadamente e sem hipótese de controlo, passamos de pessoas a seres humanos. É que, uma pessoa é o resultado provocado pela sociedade dos interesses pessoais. Um ser humano é a essência que o percurso de cada um ensina a valorizar. Todos nós, pessoas, temos um lado humano, embora, geralmente, só o usemos em sensações produzidas pelo "efeito estalo", aquele que vem sem se contar.
O "Plim" é isso mesmo, aquele "nó na garganta", aquele "doer por dentro", aquele "murro no estômago" que fere mas limpa, e que nos deixa imensamente tristes por perdermos "todo o tempo do mundo" com coisas tão insignificantes. Em resumo, é aquele momento em que faríamos tudo para voltarmos a ser puros, em que daríamos tudo para voltar a ter a essência das crianças...
É bom levar com um "Plim" na cara, mesmo quando só o "cumprimentamos" em vivências - ficcionadas ou não, nossas ou dos outros - que nos colocam naquele quase insuportável "final da linha", na finita "balança da vida".
- E se eu morrer amanhã? Que parte quero deixar de mim?
O "Plim" tem esse dom, o de vir do "nada" e levar-nos num ápice ao "tudo", como se, naquele instante, nos exigíssemos ser mais honestos, mais condescententes, mais perdulários, sermos apenas "o melhor de nós"...
O "Plim" é aquela lágrima que vem bem lá do fundo e que nos deixa quase sem palavras. Aquela lágrima, tantas vezes seca, que nos incendeia de tal forma que temos vontade de perdoar e esquecer tudo em função de um único propósito: salvar a nossa alma, seja lá ela o que for.
Quando um "Plim" sobe à tona, sentimo-nos finalmente Gente com Coração, Gente que finalmente entende o que é a razão.
Geralmente, o "Plim" surge naqueles filmes de "baba e ranho", nas reportagens televisivas do mesmo género ou, pior ainda, quando somos nós a própria ferida. É aí, e apenas aí, infelizmente, que sentimos perder a armadura da inviolabilidade e passamos a perceber que, afinal, todas as outras dores não passam de meras dores de cabeça. É que, dor, da autêntica, só mesmo a provocada pelo "Plim", aquele que, mais do que sublinhado com um ponto final, faz questão de nos alertar com um ponto de exclamação.
Francisco Moreira

8 comentários:

Nuno Graça disse...

Agora percebo o "Plim"..
Há coisas fantásticas, não há?
Abraço e espero que tenhas gostado...

Natacha disse...

Nos últimos meses a minha vida nada mais tem sido que ... PLIM ...

Que sirva para me fazer alguém melhor, mais forte e mais feliz, porque não ;)

Estou nessa luta, embora contra a saúde ( ou a falta dela) se possa muito pouco...

Grande beijo com carinho

FM disse...

Há, Nuno Graça, e há coisas tristes que, por vezes, nos alertam para olharmos melhor para o valor que damos ou não damos às outras coisas.
Obrigado. Abraço.

Marta disse...

Têm sido demasiados "Plim" ultimamente.
Tenho sentido que chegou a um ponto em que a dor é tal que "deixa de doer"!
Abana-nos, certamente, acorda-nos para as coisas realmente importantes da vida...
As lágrimas lavam-nos a alma e os "Plim" despertam a nossa humanidade, sem dúvida... mas gostava que não fosse preciso chegar a esse extremo para percebermos que vale a pena sermos Gente!

Um beijo grande! (:

FM disse...

Olá, Natacha!
Lamento tanto, mas tanto.
Confesso que, neste mês de Dezembro, tenho andado, como todos os anos, cheio de trabalho e, infelizmente, sem o tempo que gostaria para dar mais atenção a quem merece, como é o teu caso... São tantas as solicitações, tantas... E é nestes "comentários" que também aprendo que convém olhar mais para o lado.
Quero MUITO, mesmo MUITO que fiques BEM.
Votos de Muita LUZ, com mais ou menos "Plim!".
Beijos, Natacha.

FM disse...

É, Marta, disseste TUDO, e de uma forma mais explicita do que a minha.
Mas, infelizmente, convém termos "Plim!" vezes sem conta, para aprendermos o que é realmente IMPORTANTE.
Beijos com Carinho.

Natacha disse...

FM

:) Não precisas de te preocupar, tá? Tá tudo bem,ou vai ficar tudo bem ;)

Beijo grande

FM disse...

Que assim seja, Natacha, que assim seja.
Beijos de Luz.

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