quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

"Nositos"

Um dia destes encontrei um amigo, daqueles que, sem a menor dúvida, seriam para sempre, daqueles com quem só me faltou fazer um pacto de sangue e a quem, sem reservas, dei um cheque vitalício em branco para ele usar quando quisesse.
Sim, falo daquele amigo, amigo, o tal do "tirar a camisa no meio do gelo" e perfeitamente disponível para me seguir "até ao fim do mundo" só para me dizer que era mesmo, mesmo, mesmo, meu amigo.
É, um dia destes vi-o, passeava-se num passeio, por sinal na minha direcção. Ia entretido com uma série de novos amigos, cheio de abraços e numa cumplicidade tal que, pelas minhas contas, deveriam ser amigos, amigos, ou mais do que isso, assim como nós.
Se me deu um abraço de saudade, quando, de soslaio, trocou de olhar comigo?
Não, por acaso não, devia estar com pressa. É que, mal me viu, apressou-se a atravessar a rua... Provavelmente para tirar a "camisa" prometida ou então para comprar uma viagem para "o outro lado do mundo", aquele tal lugar onde estrategicamente terá finalmente a coragem de assumir que deixou de o ser.
É uma pena. É que éramos mesmo amigos, quase irmãos, até ao dia em que percebi que eu continuaria aqui, sozinho no passeio, já sem o amigo, e cheio de frio, ainda por cima a pagar as prestações do cheque que ele jamais iria usar.
Francisco Moreira

(história ficcional inspirada numa "moda" que, infelizmente, está cada vez mais em voga)

12 comentários:

Barbie Boy disse...

Não sei se esse passeio existe mesmo, ou se faz parte de uma calçada sem nome atribuído! No entanto aqui por estas bandas, apesar do relógio não perdoar, a palavra AMIGO, continua a ser escrita todos os dias. As formas de a escrever, vai sendo reajustada conforme as necessidades, mas não deixa de ser escrita todos os dias.

Abraço

FM disse...

Olha quem regressou! (sorrisos)
Seja muito bem-vindo! Já faziam falta os seus comentários e os seus escritos... lá no seu cantinho.
Que assim continues, com a palavra AMIGO, escrita e reescrita.
Abraço, Barbie Boy.

julia disse...

Aqui vou eu, no mesmo passeio, ao teu encontro, para um abraço amigo!
Beijinhos

macaw disse...

Compreendo este sentimento na perfeição... li este post com imensa tristeza, pois acho que perdi alguém que considerava a minha melhor amiga...

*

Maurício disse...

É que há os amigos... e os AMIGOS.
Estes sim, são para sempre!
Mas a gente às vezes apanha cada desilusão...

Abraço

Hélder Ferrão disse...

É francisco, os valores mais importantes estão infelizmente e, cada vez mais, a serem esquecidos, menosprezados, passados para 2ºplano...Ás vezes questiono-me se, para alguns, eles chegaram realmente a existir. Digo isto porque, pelo menos para mim o valor da Amizade Verdadeira não tem preço, é algo de muito puro, e de todas as formas, insubstituivel. Por isso, quem não a encara, quem não a vive, (mesmo com a barreira do tempo a "separa-la") desta forma, é porque não chegou a conhecê-la de verdade...
Abraço, e encontramo-nos no passeio.

paulofski disse...

Os amigos não só para certas ocasiões, deveriam ser para todas, sem excepção.

FM disse...

Muito Obrigado, Júlia. Recebe-lo-ei com agrado, e de braços abertos.
Beijos.

FM disse...

Se perdeste, Macaw, é porque não valia tanto como imaginavas... Ou, também há o outro lado, podes ter deixado de regar a "flor"...
Beijos... E nnovos amigos surgirão no teu planeta, no nosso.

FM disse...

Cada uma, Maurício, cada uma... Mas também se vai aprendendo, mesmo que à força.
Abraço.

FM disse...

Pois!
Encontrar-nos-emos com toda a certeza, Hélder Ferrão.
Grande Abraço.

FM disse...

Pois!
É isso, Paulofski, é isso.
Abraço.

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