terça-feira, 22 de março de 2011

Ponto-Morto

Acho que já não sabemos o que é o "ponto-morto". E não me refiro apenas ao "ponto-morto" dos automóveis, refiro-me ao dos nossos passos, ao dos nossos pensamentos, ao dos nossos sentires, ao dos nossos aconteceres e, principalmente, ao do nosso ser(-se).
Está tudo e estamos todos constantemente em excesso de velocidade. E o pior é que continuamos a infringir os limites mesmo quando estamos parados, mesmo quando não tem razão de ser, e por nada deste mundo, quanto mais em nome de um outro qualquer.
Se não é o relógio, é o pensamento, se não é o pensamento, é o sentir, se não é o sentir, é o olhar, se não é o olhar, é o acontecer, se não é o acontecer, é o sobreviver, se não é o sobreviver, é o aprender, se não é o aprender, é o não poder perder, se não é o poder perder, é o ter que ser, se não é o ter que ser, é o viver... E mesmo quando não é o etc., é o outro etc.!
Ufa! Será que só o entendemos quando saímos dos carris e o sentimos na pele?! Será assim tão imprescindível ter que se andar sempre em 5ª, 6ª ou 7ª velocidade, e 7 dias por semana?!
Vá! Não me venham com a desculpa esfarrapada de que a dormir estamos sempre em "ponto-porto", quer o mundo queira ou não queira. Em "ponto-morto", a dormir?! Como?! Se já nos ensinamos a dormir a correr?!
Já sei. Há sempre a outra desculpa não menos esfarrapada, embora pouco convincente: teremos tempo quando passarmos para lá do cá, nos outros "carris".

Francisco Moreira

3 comentários:

Ana Pina disse...

Interessante o teu post, palavra de ponto-morto. O excesso de velocidade bloqueia. O bloqueio dá a noção de ponto-morto. Antes ponto-morto do que deixar o carro ir abaixo ou descair e bater no que está atrás...

Jota disse...

No que a mim me diz respeito, tento andar sempre em 5ª ou acima disso. Talvez seja a forma de me sentir e ter mais vida. E sempre foi assim comigo, tentar viver e absorver e dar ao limite, o que por vezes me tráz chatice por acreditar demais...nos outros.
Claro que há alturas do dia em que "desligo" completamente e arrefeço o motor.

Natacha disse...

Olá FM :))

Eu gosto de usar a caixa de velocidades, confesso, por isso adoro conduzir na minha Serra ;) Andar sempre em 5ª velocidade pode acabar por tornar a condução, da vida também, monótona :)

Um beijo grande, tinha saudades de por aqui passar e ler os teus posts sempre tão pertinentes :)

O beijo é x 3

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