terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Meio Vazio ou Meio Cheio?

São cada vez mais as relações que não resistem às intoxicações dos "novos tempos", àquelas da "vizinha do lado", da "novela das 2 da tarde" ou mesmo do "escândalo do 24 Horas". Não faltam exemplos a entrarem diariamente pelos "poros a dentro" de quem se deixa intoxicar, como que dando a ideia de que o "próximo" pode ser qualquer um de nós.

E é assim, ao sabor do corriqueiro "não ponho a minha mão no fogo por ninguém" que muitas relações sobrevivem, sempre numa espiral de guerra aberta, sempre com novas e velhas armas, respostas na afiada língua, gerando constantemente novas cicatrizes. Muita da intoxicação desta aldeia global faz com que sólidas paredes acabem esmagadas pelo "disse-que-disse", pelo "fez-que-não-fez" em função do receio ao olhar dos outros.

Conheço muitas relações que nem deveriam ter começado porque, no fundo, nunca o foram. E conheço muitas ralações que não fazem sentido, tamanha é a "sintonia" dos laços que as unem. E ainda há as outras, as que se vão aguentando, pelo menos ao olhar dos outros, já que caminham para o "não se podem ver".

Com esta moda das "imagens reais", já não há apenas relações. Há também as ralações e os "apeadeiros", sendo que - ironizando, as relações pertencem aos vivos, aqueles que sabem o que valem. As ralações pertencem aos condenados, os que de "grito e apito" vão ficando surdos aos avisos. Os "apeadeiros", por sua vez, pertencem aos fantasmas, aqueles adeptos do "para o caso de me encornares, encornar-te-ei primeiro".

Há cada vez menos forca e cada vez mais fio de pesca. E é também por isso que se extremam posições, como se valesse a pena o "tudo ou nada" por causa de um simples "copo de vinho" que tantas vezes não passa de um incendiado "copo de água". E, quando se vai a ver, gota a gota, ora se enche, se equilibra ou se esvazia o copo, consoante o tipo de sede.

E quando chega o fim, lá traz ele a sina de combater a consciência com doses de orgulho, tentando ignorar a verdade que a todo o instante dita que o orgulho jamais conseguirá dopar a consciência.

Francisco Moreira

2 comentários:

Marta disse...

Como sempre, grandes verdades Francisco! Orgulho, consciência, egoísmo... há tantas coisas que "matam" as relações, mesmo antes de as podermos construir!
Um beijo muito grande!

julia disse...

Não há receita perfeita, há que saber dosear q.b. os ingredientes essenciais de uma relação (respeito, amizade, bom senso, capacidade de diálogo...... e nunca mais terminaria).
Beijinho grande e aproveito também para te desejar um novo ano em grande!

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