quinta-feira, 30 de julho de 2009

Bunker

Cada vez se vêem menos pessoas à janela, até acho que as novas construções se limitam a colocar janelas por uma questão estética ou, claro, para permitir a entrada da luz amiga do ambiente.
É uma pena já não se ouvirem as conversas de uma varanda para a outra, isto nas casas que ainda sabem o que são varandas. É uma pena que se substitua a realidade do pulsar das ruas e vielas pela fantasia das televisões, pelo vazio dos contactos, pelo esconder do que somos, pensamos e tantas vezes desejamos dizer em voz alta, quando nos limitamos ao murmúrio opinativo que aquelas "caixas a cores" nos fazem soltar, quando há algo que chama pela nossa "intervenção" entre paredes.
Onde pára o ar que se respirava? Quem mora do outro lado da rua? Quem espera por quem? Quem viu, sem ser nos noticiários?
Pois, é a tal janela dos dias de hoje que, com fechos à vida, nos leva a optar por paisagens dignas de um "bunker".

2 comentários:

Natacha disse...

Hoje em dia, os apartamentos são meros depósitos de pessoas. Tentamos dentro destes depósitos obter o conforto, a paz que nos faz tanta falta, e esquecermos que existem mais pessoas com que temos de lidar no dia a dia em sociedade. Ali, buscamos o refugio... quando possível, porque muitas vezes e sem querer, graças à qualidade imensa das construções, podemos quase participar nas discussões familiares dos vizinhos... como se estivessem na nossa sala, e não na janela ao lado...
Hoje, são outras janelas que, mal ou bem, nos acenam um Mundo... como esta janelinha da qual te escrevo!

beijo

paulofski disse...

É pena, já não se vêm Glorinhas à janela!

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