quarta-feira, 17 de junho de 2009

Desemprego Intelectual

Recordo um período da minha vida em que estive inscrito no centro de emprego da minha área de residência, já lá vão mais de 10 anos. Senti-me um "anormal", um "deslocado", um cidadão "inferior", um "rejeitado".
Hoje, sei que essas sensações estavam erradas, que o desemprego acontece - mesmo quando se tratam de injustiças, como foi o caso. Mas, com tantos casos de pessoas que me falam da necessidade de emprego, seja ele qual for, penso diversas vezes no dia-a-dia dessas pessoas, na maneira como subsistem, principalmente em termos mentais. É que, caso não nos apercebamos e conduzamos tudo para a vertente económica, há um factor determinante que faz com que quem "cai" se consiga "erguer" com mais ou menos dificuldade.
Recordo que, nesses tristes tempos, refugiava-me nos 3 filmes por dia, nas longas horas a ver televisão, tudo com o objectivo de estar a dormir no normal horário laboral. Era um hibernar consentido à espera que a solução viesse do céu.
O "de 2ª a 6ª" era um martírio, um completo desperdício de vida, uma terrível sobrevivência mental. Senti-me um inútil e, verdade seja dita, pouco fiz para o alterar.
Por sorte, quase 1 ano depois, a "estrelinha" caiu do céu e iluminou-me com um novo e interessante caminho mas, hoje, principalmente hoje, com tanta gente (conhecida) desempregada, entendo que fui um mais um a habituar-se ao "deixar andar", algo que vai completamente contra aquilo que entendo ser a postura correcta; ir à luta, ir à procura, fazer por isso.
Com tudo isto, no fundo, quero expressar que, por vezes, mais do que crises económicas pessoais, existem crises de identidade que, convenhamos, conseguem operar uma espécie de aniquilação individual da qual, tantas vezes, é difícil sair, sendo, por isso, uma espécie de auto-despedimento por inacção.
(eu também sei que há muitos desempregados que não querem trabalhar)

2 comentários:

Eudemim disse...

É verdade que quando se fala de desemprego sobressai logo a sua consequência económica, mas de facto o alimento da alma é ter uma ocupação, ter um interesse, um ser-se útil. Também já vivi esse filme logo a seguir à EXPO 98. (bordei muito paninho a ponto cruz, Nossa Senhora ) O não ter horários, nem obrigações empurra-nos para uma inércia e um “deixa andar” que nem nós próprios nos apercebemos.
Mas é destes momentos de fragilidade que devemos retirar a força e “dar a volta ao texto”, ou fazer bordados...:)

Bjs daqui de longe

Natacha disse...

Tive a sorte de, desde que iniciei a minha vida "activa", nunca ter ficado desempregada.
"Vivo" o desemprego em todas as suas vertentes em virtude da minha própria profissão. Há de tudo, podem acreditar. Os que podem e não querem, os que querem mas não podem, os que tentam burlar, os que são ingénuos, os que vivem literalmente à custa dos subsídios e aqueles que nunca dele necessitaram e agora que precisam... enfim...

Mesmo sem ter ficado desempregada, o meu horário de trabalho, jornada contínua, permite-me algum tempo livre. notei, nas alturas que me senti mais no fundo, mais à deriva, o sofá era um convite, o fazer nada com tanto para fazer em casa era um martírio e a noção disso mesmo e a incapacidade para combater eram devastadoras. Saber o que tinha a fazer e o meu corpo não obedecer ao meu cérebro...
Mas venci essa fase, dei a volta, eu sabia que era muito mais do que aquilo em que me estava a tornar.
agora, cada vez que me sinto a ficar apática e sem acção, fechada em casa... arranjo-me, saio, e vou mostrar às montras da cidade o meu sorriso! Vou mimar-me, vou auto-motivar-me!

Com emprego é muito difícil, sem... nem posso imaginar!

Beijos e desculpa o longo discurso, deve ser da hora (sorrisos)

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