terça-feira, 30 de junho de 2009

"De criar bicho"

Em 2009 já não devia haver disto, principalmente em mundos ditos civilizados como o nosso, tendo em atenção que temos aquela coisa da democracia, da igualdade de direitos e leis que controlam tudo e mais alguma coisa. Mas, aparentemente, continua a silenciar-se o "olha para o que eu digo fora de portas e não para o que eu faço dentro de paredes", e tudo em nome da família que há que manter, das contas que há para pagar, do "vai ser desta que vai mudar" ou, pior ainda, "no fundo, até é boa pessoa..." Refiro-me com todas as letras à continuação do "calar" da violência doméstica, da enorme falta de respeito que continua a pairar sob muitos tectos, da vergonha escondida atrás da roupa ou da maquilhagem, daquelas mentiras que tanto se esconde nos sorrisos sociais.
É triste o quanto ainda se agride em Portugal, seja qual for o sexo assinalado no cartão de cidadão. E estou a referir-me exclusivamente às agressões físicas, aquelas que são repetidas entre a novela e a hora de ir para a cama, na incerteza de que, se calhar, os vizinhos não ouviram os palavrões gritados a plenos pulmões. As outras, bem, as outras precisariam de ainda mais letras, mais "saliva"...
Todos sabemos que não são casos esporádicos, nem tão pouco são "moda" de gente mais velha, algo que tem mais a ver com a "tradição" do tipo "não sei porque lhe bato mas ela sabe porque leva".
E é por estas e por outras que, mesmo tentando ser a favor do conceito, cada vez mais repudio o "entre marido e mulher não se mete a colher". E um par de algemas, já se pode!? Será possível, ou apenas quando a vítima, moribunda, no mínimo, faça questão e muita força - com testemunhas - para que a sua queixa seja "aceite" pela autoridade que, infelizmente, ainda vai fechando os olhos a tanto estalo, tanto murro, tanto empurrão... "de criar bicho".

2 comentários:

Natacha disse...

É triste, muito triste mesmo pensar que SIM, não é um mito, ou não são águas passadas. Existe violência doméstica em TODAS as classes sociais, existe tanto naquela casa onde não há o que comer, e o desespero toma conta, como na casa daqueles que têm tudo, têm tanto que nem sabem o que lhe fazer...

Passam por mim muitos casos destes na primeira pessoa, e é triste ver a humilhação na cara dos outros que tento passe de humilhação a orgulho por uma tomada de posição, finalmente...

Sou, neste aspecto, contra o "entre marido e mulher não se mete a colher" - acho que se devia meter e muito!

beijos

FM disse...

Nota-se que sabes do que falo Natacha... É triste, muito triste.
Beijos.

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