terça-feira, 12 de julho de 2011

Sinais

Provavelmente por andarmos constantemente entretidos com os nossos problemas mais superficiais - aqueles que temos entranhados no pensamento de todos os dias, nós, humanos, nem reparamos nos sinais que a vida nos apresenta amiúdas vezes.

Sim, é verdade, não faltam sinais!

A vida, ou quem nos a "ofereceu", também tem esta "missão" especial, a de nos tentar ajudar a conseguir melhores opções no que diz respeito aos percursos que podemos ou devemos escolher.

Ou alguém tem dúvidas de que nem tudo está traçado, que temos influência nos resultados finais, quanto mais não seja à conta de um tal de livre arbítrio?!

Obviamente que nem todos os pormenores são sinais. Mas certamente que já todos ficamos a pensar num ou noutro acontecimento "curioso", ficando entregues, mesmo que por breves instantes, à "pulga atrás da orelha".

E é uma pena, uma imensa pena, não sabermos ler os sinais que nos são colocados "à mão de semear", inclusivamente quando acabamos por seguir "ao calhas" exactamente por onde eles nos indicam.

Sorte? Talvez sim, talvez não.

Por outro lado, se calhar, com o tal manual explicativo, "isto" não teria tanta "piada" nem tanto "sabor"... Mas que ganharíamos muito mais enquanto pessoas se soubéssemos ler e escrever o "livro do acontecer", lá isso ganharíamos, quanto mais não fosse para aprendermos a não nos desculparmos de tudo e mais alguma coisa à custa do destino: a vitima e desculpa perfeita para todas as nossas reclamações.


Francisco Moreira
segunda-feira, 11 de julho de 2011

E tempo?

Tentando ser completamente frio, e porque por vezes temos que o ser, quanto mais não seja para percebermos o que achamos perceber mas que nunca o encaramos convenientemente nem o encarnamos, neste preciso momento estou com vontade de classificar a morte como um conjunto de fotografias focadas e desfocadas que, dependendo da durabilidade das molduras, melhoram ou não o resultado final da tal banda sonora com que nos vamos sintozinando dia após dia, ano após ano. Com isto, em resumo, tento apenas relembrar que o pior da vida não é o que perdemos quando morremos ou nos morre alguém especial. O pior da vida é aquele tanto que deixamos de viver por acharmos que acabaremos por ter tempo para dar tempo ao tempo que tanto desejamos, enquanto, irononicamente, o vamos desperdiçando.
Confuso? Exagerado?
Não acho.
Se morrermos neste preciso instante e se nos derem tempo para beber um copo de água, estou certo de que, além das fotografias, aproveitaremos esses instantes finais para nos penitenciarmos por termos perdido demasiado tempo com páginas e páginas de nada, deixando tanto por escrever.
Será exagero? Estão confusos?
Eu também, principalmente por continuar(mos) a recorrer à velha máxima do: "olha para o que eu digo e não para o que eu faço", tal como todos.


Francisco Moreira
quarta-feira, 6 de julho de 2011

- Que se lixem!





Que me perdoe todo o lixo do mundo e derivados, mas não gosto nada de ver o País do qual tanto me orgulho, a história que me serve de referência e tudo o resto serem atirados literalmente para o lixo por uns "agiotas quaisquer" - daqueles que, provavelmente, só conhecem um resort do "AllGarve", deixando-nos ainda mais à mercê de outros "agiotas" - abutres.
Eu sei, eu sei que temos esta mania do "deixar andar" e que, se pudermos, só pagamos no último dia o que deveria ser tratado ontem. E até aceito que - esticando a corda - podemos ser fãs de fuga aos deveres e às legalidades, mas daí até ao tratamento de lixo, convenhamos, vai uma grande diferença, e para muito pior.

Somos pequenos mas já dominamos o mundo. Somos pobres mas sempre soubemos sobreviver. E, acima de tudo, temos o prazer e a honra de poder afirmar que somos gente da autêntica, com raízes, e bem vincadas.

Não, não sou apologista do "orgulhosamente sós", e também acredito no ter que se aprender a viver numa globalização competitiva, já que fazemos parte do mundo. Temos que aceitar as regras, temos que cumprir o estabelecido e "diabo a quatro"... Mas permitam que sublinhe que é inadmissível usarem um País tão grande como o nosso e com futuro - porque o temos! (e certamente que existem outros casos!) - para chegarem a fins que mais não são do que alimentar o umbigo esfomeado de quem tenta acreditar que à custa de "calcanhares de Aquiles" conseguirá vergar uma Europa, esquecendo-se de que ela é velha e demasiado sabida.

Sim, refiro-me ao tratamento de lixo que uma tal de "Moody's" decidiu aplicar-nos em nome de uma feroz tentativa de ferir o Euro, para ver se, finalmente, conseguem recuperar o moribundo Dollar.

Só há um pequeno problema, o problema que nos criaram. Aquele que, se bem conheço os Portugueses, é bem capaz de, em efeito "boomerang", criar um grande problema a quem nos julgou "pequenitos à beira-mar plantados".

Ironizando; os senhores que ditam as "cobranças" e juros mundiais, muito provavelmente, caíram no displicência de "comerem com os olhos", e sem se aperceberem que, quando "picado", Portugal consegue ser maior do que o próprio Mundo.

Independentemente das contas que tenhamos que pagar - e pagaremos!, estou certo, acabaremos por mostrar que eles - sim, eles!, não têm qualidade suficiente para servirem de saco do lixo já que: nós, sim, nós, somos um poderoso contentor, mesmo que não saibamos reciclar.

Que se lixem!

Francisco Moreira
segunda-feira, 4 de julho de 2011

Carrocel

Todos sabemos que cada caminho, independentemente das decisões, tem dois sentidos, duas hipóteses de sentido, pelo menos. E, mesmo assim, não são raras as vezes em que entramos em contra-ão, mesmo sem nos apercebermos.

A vida, como se consta, é uma longa e sinuosa estrada, por mais atalhos que procuremos, por mais desvios a que nos obriguem. É assim. Faz parte, acrescentam quase todos.

No entanto, neste caminho a que damos cor, ora mais lúcida, ora mais acinzentada, não faltam sinais, sejam eles mais visíveis ou mais discretos, embora sempre presentes.

Digamos que o caminho de cada um é provavelmente uma espécie de mapa do tesouro, haja ou não haja "prémio", hajam ou não hajam respostas definitivas.

Há também quem julgue que com as descobertas dos "tempos", mais tarde ou mais cedo, acabaremos por encontrar à venda num qualquer hipermercado um "GPS" tecnologicamente eficaz, daqueles que nos permitirão evitar estradas secundárias e - melhor ainda! - corrigir erros de navegação, aqueles que cometemos todos os dias e que teimosamente não fazemos por rectificar.
Por outro lado - e pensando melhor, estou em crer de que se continuamos perdidos, mesmo achando que estamos na direcção certa, é porque este caminho, o nosso, mais não é do que uma espécie de carrocel onde, volta a volta, não saímos do sítio, por mais fichas que possamos investir, por mais evoluídos que nos possamos julgar.


Francisco Moreira
sexta-feira, 1 de julho de 2011

Montanha-Russa

O mundo é-nos servido com todas as condições e mais algumas - muitas delas por descobrir, imagino. No entanto, do alto deste nosso "sedentismo", não parámos de escarafunchar centímetro a centímetro, numa avidez sufocante.

E o mundo, de mão dada com o planeta - já que os vejo como distintos, embora interligados, olha desconfiado para este nosso acontecer precipitado e egoísta - como se não houvesse amanhã.

E é exactamente aqui que a "porca torce o rabo". É que, caso não nos apercebamos, ninguém pode afirmar que haverá amanhã, já que a única certeza pela qual podemos assinar é a de que se vive exclusivamente no hoje. No máximo, em cada acordar - se é acordamos!, poderemos dizer que tivemos ontem, mas nunca garantir que o amanhã irá acontecer, já que isso depende do mundo e do planeta, custe-nos o que custar.

Por esta e outras razões, ironicamente, o mundo e o planeta, divertem-se e entristecem-se à nossa custa, principalmente porque fazemos deste "recreio" que é a vida uma espécie de "montanha-russa", e daquelas que, "ficha a ficha", nos dá constantes picos de adrenalina mas sem nunca garantir que se dará a volta a isto ou àquilo, e muito menos em nome de um calendário.


Francisco Moreira
quinta-feira, 30 de junho de 2011

T'EU

AMO-TE é daquelas palavras que se sobrepõem a qualquer PARABÉNS.

E fica tudo dito, Amor.


T'EU
quarta-feira, 29 de junho de 2011

Testo

Chegado o verão e, como em todos os anos, o enquadramento visual feminino assume contornos mais, mais, mais... vistosos, seja pela positiva, seja pela negativa, seja pelo "assim-assim". Obviamente que nem todas podem ser perfeitas, e ainda bem, já que a perfeição depende, quer se queira, quer não, dos olhos e dos sentires de quem observa, e a tese do "testo" merece ser sublinhada antes de qualquer ilação mais extemporânea.
Nem todos gostam de loiras, nem todos gostam de morenas, nem todos gostam de magras, nem todos gostam de tanta, tanta coisa... Mas ainda bem que há quem goste, e volto à questão do "testo", nem que seja para frisar uma vez mais que tudo depende de muita coisa.
No entanto, este "post" pretende atingir outros objectivos: aqueles que têm a ver com a falta de sensualidade - e não me venham com a tese da "bela e da monstra", para que não tenha que vos atirar uma vez mais com o "testo".
Entendo que, acima de tudo, a beleza física - que é o mote desta questão, depende do bom gosto e não do que se veste ou, neste caso, despe. E, com poucos dias de calor, infelizmente, já brotam exemplos bizarros um pouco por todo o lado, independentemente do nível cultural, social ou económico das visadas, ao ponto de, em certas alturas, dar graças a "Deus" por andar quase sempre protegido com óculos de sol.

Porquê? Porque, convenhamos, tenho receio de que esses "exemplares" consigam perceber a expressão que a minha vista faz ao deparar-se com determinados "quadros". Sem esquecer o oposto, muito bem-vindo, está claro!


Francisco Moreira
terça-feira, 28 de junho de 2011

Cartão

Um dia destes, fiquei surpreendido com um número que me passou pela frente dos olhos e que dava conta de existirem 150 milhões de toxicodependentes em todo o mundo, o mesmo mundo onde, claro, também habita Portugal.

150 milhões? Isso não dá quase 15 "Portugais"?!

Costumo dizer que sou anti-drogas ou - dizem muitos - "cartão", mas acho que vou deixar de o dizer publicamente, principalmente porque, pelo que "vou percebendo" - contrariando a tese (oficial) que alega que, desde que se despenalizou o consumo de drogas à 10 anos, o consumo em Portugal tem diminuído bastante, algo que me deixa com tantas dúvidas como "certezas", ou melhor: com dúvidas quanto a essas certezas.

É, acho que vou deixar de dizer que sou "anti-drogas" porque, pelo que vejo, o número de quem o afirma como eu, afinal, tem uma elevada percentagem consumidores, principalmente daqueles que o fazem "discretamente", já que não o assumem. E lá terão as suas razões!

Só espero é que este "movimento" - porque já é um movimento, incluindo "insiders" e "outsiders", não se transforme - se é que ainda não se transformou?! - em mais um "lobby", daqueles onde o "hall" determina quem pode e não pode acontecer.

Mas, voltando aos números, permitam que, "naifmente", apresente uma pergunta parva, extremamente parva:

- Será que o número de 150 milhões de "viciados" anunciado se refere a quem se droga diariamente ou também lá estão incluídos os milhões e milhões que se drogam ao "fim de semana", ou melhor, em dias de "festa"?

Sublinho que entendo que cada um sabe de si, e, obviamente, concorde-se ou não, também sou daqueles que entendem que no nosso corpo e acções mandamos nós, desde que não interfiramos nas "costas" dos outros.

E quanto à questão do número, sejam referentes a drogas mais pesadas, mais ligeiras ou "medicamentosas", acho que quem faz a contabilidade da "coisa", das duas, uma: ou anda a ver mal ou... (poupo-me a continuar a frase.) É que, como todos imaginam, o número que tem baixado é o de fumadores (mais dia, menos dia, tenho que ajudar à estatística!) e não o de toxicodependentes, e muito menos o de "toxico-independentes".


Francisco Moreira
segunda-feira, 27 de junho de 2011

Pois.

Lamentavelmente, é quando as vidas mais públicas se transformam em notícia que a grande maioria dos vivos acordam por instantes para repensar nas suas próprias vidas, embora à custa do adeus ou do caminho do adeus dos outros.

É nestas alturas que dá vontade de viver mais e melhor, com mais atenção, com mais predisposição. Não menos interessante, embora desinteressante, é o facto de, por instantes, à custa das imagens de outros, passar-se a subvalorizar aquilo que diariamente se valoriza tanto.

Estou em crer que uma das melhores perguntas que surge nessa altura é esta:

- E se me acontecer a mim, o que farei à pressa que tenho de fazer isto e conseguir aquilo?

Pois.

Outra das perguntas que deve surgir logo a seguir, imagino, será esta:

- E se me acontecer a mim, de que valerá aquilo pelo qual tenho desleixado tudo e mais alguma coisa?

Pois.

Mas, mesmo elucidados, permitam que adicione mais uma pergunta, uma das muitas que surgem de gás e desaparecem suavemente com uma rapidez não menos impressionante:

- E se me acontecer a mim, o que deixei de viver para sobreviver?

Pois.


Francisco Moreira
sábado, 25 de junho de 2011

Jogo

São inúmeros os que são "picados" pelo facilitismo da desistência, seja pelos próprios, pelas circunstâncias que uma derrota gera ou pura e simplesmente porque alguém tenta balizar as derrotas como "goleadas", independentemente de se ter, ou não, ficado a "um bocadinho assim".

Obviamente que há circunstâncias em que os resultados são demasiado evidentes e - daí - ser necessário não partir para o canteiro da humilhação. Há que saber avaliar os "pormenores" e, se necessário for, aceitar o que "não tem volta a dar". Mas daí a "arrumar as botas" da vontade, da crença e, acima de tudo, da capacidade, convenhamos, vai uma enorme distância. E se vai!

Desistir de algo ou de alguém não deve ser feito de ânimo leve, principalmente se os "prós e contras" não forem levados em conta ou, pior ainda, se não se conseguir visualizar o verdadeiro alcance daquele que pode ser o resultado, por mais tentativas que sejam necessárias.

Quando se acredita no difícil, deve-se dar corpo e força ao acreditar, já que o mais difícil, provavelmente, é ultrapassar a barreira da dúvida, da incerteza, por menos bases ou provas que se possam somar em determinadas alturas, principalmente quando se perde ou se está indeciso quanto ao peso da "factura" do caminho.

Desistir é um verbo que não combina com agir. Existir significa agir, pelo menos enquanto se achar que é válido apostar em nós ou naquilo que se pretende alcançar, mesmo que não se consiga lá chegar.

Glória aos derrotados: aqueles que continuam a fazer por vencer. Muitas das vezes, mais do que a medalha, a grande vitória pessoal é ir-se a jogo.

Francisco Moreira
quarta-feira, 22 de junho de 2011

Elos

Gosto de elos de ligação, daqueles que atam as pessoas umas às outras, daqueles que, a dada altura, até podem não ter grande futuro mas que, em determinadas circunstâncias e cenários, funcionam como laços com substância, e por vezes com grande qualidade, humana inclusive.

E gosto especialmente de dar nós, daqueles que são firmes, nós que assentam pilares em relações humanas, daqueles que cada vez mais vão escasseando mas que existem, que fazem sentido, mesmo nos dias que correm.

No entanto, e olhando para o que me rodeia, reparo amiúdas vezes que as relações interpessoais andam diferentes, andam mais ténues, mais interesseiras, mais "pantanosas".

E porquê? Porque, na verdade, nos dias que correm, quando se encontra um novo alguém, o primeiro pensamento, quer de um, quer de outro, vai para as vantagens que aquele "contacto" pode proporcionar.

Cá por mim, mesmo assumindo que os contactos são importantes e muitas vezes determinantes, vou preferindo gerar relações de amizade. Porquê? Porque não há elos mais fortes do que esses, mesmo sabendo que muitos deles se diluirão com o tempo.


Francisco Moreira
terça-feira, 21 de junho de 2011

Asco

Há quem pense, quem diga e quem pratique uma política de anti-proibição, achando com isso que o mundo será muito mais interessante e válido, se no mundo não existissem regras impostas por alguém ou alguns. Eu, por acaso, ou talvez não tanto como pode parecer, gosto de regras, gosto de me conduzir sob regras, mesmo levando com algumas que não estão de acordo com o que penso.
Mas é a vida, o tal de: "a minha liberdade termina quando afecta a liberdade dos outros", e esta é, convenhamos, uma frase feliz.
Não acredito em anarquias, sejam elas mais "minorias" ou mais "interesseiras". Acredito que podemos ser melhores e fazer melhor se nos pautarmos por princípios, por valores, por linhas de acção consentâneas com o evoluir dos dias, com o evoluir da raça humana.
Mas neste campo, o das proibições, o que me gera mais confusão e "asco" é a forma sorrateira e mesquinha com que muitos de nós, seres humanos e eventualmente humanizados - já que necessitamos da sociedade e não resistiríamos numa "cabana junto à praia", não se importam nada de ultrapassar as regras e as proibições para chegarem ao seu "paraíso", mesmo que ele, o tal "paraíso", não valha mais do que 1 cêntimo, e muitas das vezes acabe abandonado pelo "comprador".

É que; feitas as contas na balança da vida, mais tarde, ou mais cedo, os prevaricadores acabarão por sentir em dobro o veneno que instalam sorrateiramente pelas vias do bem, mesmo que, no tribunal final, se desculpem com os "vipes" de uma anarquia infectada que, na verdade, nunca foi a deles, ou melhor, só o é ou o foi quando lhes interessa ou enquanto interessou.
Em resumo; enojam-me os comportamentos incorrectos de quem tanto se arvora de correcto, quando, na verdade, vivem à sombra da correcção e do nome que outros criaram, poro a poro, batalha a batalha, sem falsos moralismos. Ou seja: neste mundo de regras, no meu ponto de vista, deveria ser proibido dar ouvidos a "maçãs podres", principalmente quando se tentam promover como "de marca". Mas, por outro lado - e aqui é que está o epicentro da questão!, não há colheita que perdure, principalmente quando a podridão se transforma em lema, mais ainda quando as "frutas" chocam umas com as outras.

Francisco Moreira
segunda-feira, 20 de junho de 2011

Tinta

Se a vida fosse apresentada como: "ponto final, parágrafo", certamente que todos seríamos melhores pessoas, inclusive para os outros, além do para nós. E é isso que me incomoda, principalmente quando, por diversas vezes, ao longo do nosso caminho, mais longo ou nem por isso, equacionamos o que faríamos de morrêssemos AGORA, sem a necessária segunda oportunidade para corrigir pormenores ou "por maiores", sem uma segunda hipótese de dizer o que ficou por dizer, e certamente que ficará muito.

A pergunta que sufoca, mesmo que por instantes - quando reparamos nela!, é aquela que nos impele a agir como se este fosse o último dia da nossa vida, se é que ele existe. E se existe, e se chegamos a pensar nisso, porque será que continuamos a cometer o ERRO de deixar para o "tal" final a altura em que diremos e faremos tudo o que deveria ter sido feito e deveria ter sido dito, mais ainda quando SABEMOS que não teremos essa "tal" segunda oportunidade, ao que se consta?!
Certamente que, neste preciso momento, alguns estarão a pensar nisso: o que têm que fazer e dizer antes de o adeus se vestir de fim. Mas, infelizmente, ou natureza das coisas, essa sensação algo desinteressante, passará para segundas oportunidades, aquelas que nos são dadas todos os dias e que deixamos andar e andar, e andar... até que o ponto final passe a parágrafo, daqueles que acabam por ficar sem mais "tinta".


Francisco Moreira
domingo, 19 de junho de 2011

BIUTIFUL



Por vezes, há filmes que dizem mais do que uma resma de palavras. É o caso.

Recomendo.


Francisco Moreira
sexta-feira, 17 de junho de 2011

Nunca mais é 2ª Feira!

Principalmente à 2ª Feira, temos uma triste mania de reclamar de que "nunca mais é sábado". E isto não é de hoje, já tem umas décadas em cima, principalmente desde que se deixou de trabalhar ao sábado, imagino.

Mas o que mais me incomoda é o facto de passar-se a semana inteira a desejar o fim de semana e, quando ele chega, na verdade, além de se dormir mais umas horas e de se perder um pouco do stress do relógio, passa-se imediatamente para a fase do não fazer "nenhum", ou "quase nenhum", quando se compara com o tanto que se pretendia e se dizia poder fazer se a tal 2ª Feira fosse um sábado.

É, aproveitamos muito mal os fins de semana e pior do que isso é deixarmos a falta de acção roubar-nos o tempo útil para o entregar a futilidades ou "coisas que tais".

Estou em crer de que se aplicássemos no fim de semana a vontade que temos de o ter à 2ª Feira, teríamos fins de semana verdadeiramente interessantes, desgastantes mas interessantes, e cheios de actividades, de prazeres mil, aqueles que a semana nos "rouba" porque o tempo deles é, consta-se, ao fim de semana.

Pois. Mas o problema é que na grande maioria dos fins de semana não fazemos nada de extraordinário. Porquê? Porque, cá para mim, além só sabermos reclamar, somos "só garganta".

Ah! Espero que este texto vos motive a fazer algo de que realmente gostem, porque era essa a intenção, a de vos pôr a mexer.



Francisco Moreira
quinta-feira, 16 de junho de 2011

Notícia

Amanhã, um pouco por todo o mundo, será notícia o baptizado de Cristiano Ronaldo Júnior. E tenho a certeza de que não será notícia apenas na imprensa cor-de-rosa, já que não faltarão carros de exteriores e jornalistas vindos de todos os cantos do planeta "Ronaldo".

Não tenho nada contra isso, confesso, mas faz-me imensa confusão haver tanta notícia a lutar por ser notícia e com contornos muito mais importantes (ou preocupantes) e o povo - porque é o povo que quer estas notícias, comprovando-o com as audiências. - o povo, dizia, quer é saber dos "bordados madeirenses" nas oferendas e dos convidados de destaque, ao bom jeito do "sumo de laranja" com ou sem "croquete", mas com festa.
Obviamente que não devemos estar sempre a ver o mal dos outros, mesmo que, em muitos casos, ele(s) sirva para amortecermos as nossas próprias dores, mas estou em crer de que, amanhã, à hora do baptizado do ano, haverá inúmeras notícias que fariam toda a diferença se o chegassem a ser... E, infelizmente, ficarão no "monte" de muitas outras, aquelas que, por falta de espaço informativo, irão directamente para o balde do lixo.

Francisco Moreira
terça-feira, 14 de junho de 2011

Link

Gosto de funcionar e de levar a vida num conceito de "teia", mas daquelas que não estão preocupadas com: "o que vem à rede é peixe" nem com as outras - as do "hermeticamente fechadas" em torno de si mesmas.

Quando me refiro a "teias", refiro-me ao funcionar em "link", ao usar o que está ao nosso alcance para se ser útil e apoiar quem sabemos que nos apoiaria, independentemente de podermos ou não, um dia, recorrer a uma dessas ligações. O que conta é a forma como nos disponibilizamos, a maneira como nos empenhamos, a vontade com que nos entregamos.


Gosto especialmente de ser útil, ao ponto de ficar feliz (e o termo é mesmo este!) de cada vez que participo ou comparticipo, por pouco que seja, com o meu contributo. Gosto de ajudar, mesmo não encarando a "coisa" com o termo que acabei de enunciar: o tal do ajudar. É que: no meu entender - pelo menos é assim que o assimilo e o sinto, quem coloca as suas "ferramentas" ao dispor dos outros, basicamente, está a desempenhar o papel de amigo. (mesmo sabendo que a "moda" pende para o: "gato escaldado de água fria tem medo)


Todos, todos podemos ser úteis, todos deveríamos sê-lo sempre, e mais ainda nos tempos que correm. E faz-me imensa confusão quando vejo aqueles "torcer de nariz", os "sim, claro, vou tentar" completamente falsos ou, pior ainda, quando quem pede a mão recebe um "não" descarado.


Será assim tão difícil ser-se útil, mesmo que não nos peçam nada? Será assim tão "doloroso" poder fazer-se mais e melhor pelos outros, principalmente quando, ao fazê-lo, de verdade, estamos também a fazer por nós, conquistanto um sentirmo-nos melhor?!


É, gosto de usar os meus "links" - e não se entenda "links" como "cunhas" - em prol dos outros, especialmente daqueles que me dizem muito, aqueles que encaro como "meus", tenham eles laços de sangue ou não, tenham eles a proximidade de uma vida ou a distância de uma hora.


E sabem que mais?! Este é o meu "passatempo" favorito, e é daqueles que não trocaria por nenhum outro, principalmente porque à custa dele sinto-me mais gente, mais completo, mais eu. Por isso, não será de estranhar que a minha resposta a quem me agradece seja muitas vezes: - Obrigado eu!, porque, na verdade, eu é que me sinto grato estar na "ligação".


Francisco Moreira

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Vírus

Num mundo onde todos andam aos gritos, inclusive os que não encontram quem os queira ouvir, torna-se cada vez mais necessário reencontrar a própria voz e a daqueles que, noutros tempos, ouvíamos com especial atenção.

Há que regressar aos conselheiros, àqueles que, com o seu saber, mesmo que a quilómetros desta era, sabiam oferecer-nos a sua sabedoria, o seu instinto, o seu ser, depois de tantos acontecer e ver acontecer.

Sou daqueles que acreditam que "a idade é um posto", ao jeito da tropa. Sou daqueles que entende que há sempre quem saiba mais do que nós, por muitas décadas que já tenhamos em cima dos ossos. Sou daqueles que se queixa de um "novo" mundo onde os "putos" não se dão ao trabalho de auscultarem os "velhotes".

E longe, longe vão os tempos em que se respeitavam as opiniões contrárias, em que, mesmo pensando, jamais se contrariava publicamente a experiência, a pirâmide do crescer.

Infelizmente, pelos vistos, não há tempo para dar tempo a quem já tem todo o tempo do mundo e, pior ainda, a pressa faz com que os mais novos tentem desenvencilhar-se o mais rapidamente possível dos mais velhos, não vão eles - julgarão! - transmitir-lhes o vírus da idade, já que, com todas estas tecnologias, o saber está no "Google" - acrescentam - e não na vida, a vivida.


Francisco Moreira
sábado, 11 de junho de 2011

Portas

Gosto especialmente de "bater à porta" das pessoas. E não me refiro ao literalmente, refiro-me ao ligar-lhes, dizer-lhes que as aprecio, ir além do "eles sabem ou deverão saber". E tenho pena de não o fazer as tantas vezes que deveria ou que tenho vontade, o relógio nem sempre dá para tudo e, muitas das vezes, caio naquele do: "mais tarde, -lo-ei", deixando os segundos diluírem-se porque surge "isto" e o "aquilo"...

Acho que necessitamos de mais contacto humano, mesmo que o aperto de mão, o beijo ou o abraço não estejam à distância quilométrica necessária, mesmo que já não nos lembremos bem da cor dos olhos ou do cabelo de quem recordamos com carinho, afecto, satisfação, com vontade.
Gosto, gosto especialmente de saber que "fulano" e "sicrano" estão bem, que têm a sua vida encaminhada, que fizerem "isto" e "aquilo" ou que estão a pensar no "aquele outro", gosto de sentir que os caminhos continuam, mesmo quando não os posso ver de mais perto, mesmo quando não consigo estar mais íntimo, gosto de pessoas, e muito, e é esta última expressão que, afinal, resume tudo.
Já agora, e especialmente para aqueles que não vejo ou com quem não contacto à algum ou à muito tempo, permitam que vos dedique aquilo que acabei de escrever, por mais ínfimo que vos possa parecer. Bem hajam!


Francisco Moreira
quinta-feira, 9 de junho de 2011

Divina

Todos procuram justiça, inclusive aqueles que aguardam pelo denominada "Justiça Divina", aquela que, pelos vistos, acontece num tribunal de última instância, mas daqueles que estão acima, muita a cima - consta-se, dos tribunais terrenos.

Não sei se existe tal entidade e ninguém pode afirmá-lo, pelo menos com provas comprovadas, mas que deve existir, lá isso deve, quanto mais não seja para que possamos continuar a acreditar que tudo terá um desfecho justo, independentemente de, por estas bandas, na terra, muito se "brincar" ao "justo e ao pagador", seja qual for a relevância que "isto ou aquilo" possam ter.

Francisco Moreira
quarta-feira, 8 de junho de 2011

Augúrio



Encaminhamo-nos a passos largos para transformar a nossa vida numa espécie de torre de computador, daquelas que, tal como o aparelho citado, armazenará tudo o que nos for acontecendo, independentemente do grau de relevância. Mas não só. Estamos a encaminhar-nos para acontecer sem sair da cadeira.

É, pelo "andar da carruagem", corremos em "banda larga" para o "nada fazer", pelo menos em termos práticos, daqueles que impliquem sairmos da Internet para vivermos na vida real. É, caso ainda não tenham reparado bem, já nos damos ao trabalho de ficar exageradamente cansados sem sair do lugar, mesmo que esse cansaço, em termos práticos, signifique que não estivemos a fazer nada, pelo menos de útil.

Na verdade, muitas das horas que passamos ligados a um computador são gastas como se estivéssemos a jogar um qualquer jogo (e por vezes, está-se!), sem produzir ou, melhor ainda, a deixar de produzir.

Obviamente que - e cada vez mais! - muito se produz e gera-se à custa dos computadores, já ligados a quase tudo o que nos rodeia, mas isso não deveria implicar que deixássemos que ele nos "trocasse as voltas", levando-nos a quase não existir sem ele.

Como dizia de início, encaminhamo-nos rapidamente para uma vida armazenada e controlada por um servidor qualquer, esteja ele instalado na rua ou lado ou num paraíso fiscal, já que, feitas as contas em função das perspectivas que se avizinham, uma grande percentagem do nosso acontecer já está dentro de uma torre, algo que, dizem as cartas de "Tarôt", não é propriamente um bom augúrio, a torre, claro.


Francisco Moreira
terça-feira, 7 de junho de 2011

Carreiros

Um dos principais desvios do caminho humano prende-se com a procura incessante de atalhos alternativos, numa espécie de tentativa de melhorar aquilo que eventualmente é apresentado desde a nascença: o destino.

Sei que o tema destino, só por si, merece uma profunda reflexão, uma catadupa de suposições e contra-suposições, como tudo o que não tem resultado comprovado. Contudo, voltando à questão caminho, permitam que afirme que mais do que procurar, deveríamos olhar melhor para a estrada que nos conduz, já que são inúmeros os pormenores (termo exageradamente pequeno relativamente ao pretendido) que nos escapam, são inúmeras as perdas que desperdiçamos por estarmos demasiado focados nos caminhos dos outros ou nos caminhos que idealizamos, mesmo sabendo que, à partida, não teremos "rodas" para lá chegar.

Não, não custa tentar. Mais. Devemos sempre tentar melhorar, devemos sempre procurar alternativas ao que, no nosso entender, possa estar "menos bem", devemos sempre tentar fazer mais e melhor, por mais dificuldades que encontremos.

O que me leva a chamar à atenção para o caminho de cada um prende-se exclusivamente com o facto de andarmos demasiado distraídos com a luminosidade das estradas dos outros enquanto os outros, provavelmente, andarão demasiado interessados com os nossos caminhos. E porquê? Porque, na verdade, nunca estamos satisfeitos: quando temos muito procuramos conseguir sobreviver no pouco e quando temos pouco procuramos atingir o muito.

Manias de caminhos, sempre à procura de atalhos, independentemente de andarmos em carreiros ou em auto-estrada.


Francisco Moreira
segunda-feira, 6 de junho de 2011

(des)Uso

Andamos encantados com o "marketing" dos nossos dias, ao ponto de já não sabermos valorizar o tanto que "saboreávamos" nos outros tempos, aqueles em que tínhamos pouco mas julgávamos que tínhamos muito, ficando felizes por e com isso, o tal do nada, quando "transladado" para o presente.

Hoje, essencialmente pela oferta que nos chega "impostamente" embalada pelos laços reluzentes da dita necessidade (mesmo que desnecesária), não nos damos ao trabalho de perder segundos com o que, noutras décadas, nos entretinha horas a fio, e com repetições mil.
Hoje, embalados pela ribanceira do chegar às novidades, esquecemo-nos do quanto está ao nosso alcance, e sem pagar mais por isso. Chegamos ao ponto de esquecer os "nossos" e o que sempre nosso foi pela necessidade de "parecer", mesmo que a "maquilhagem" não se aguente mais do que o tempo necessário para a "fotografia da praxe".
É, entre outras "doenças", estamos a ficar cegos e surdos, principalmente naquelas alturas em que deveríamos ser chamados à tábua da razão, nem que fosse tão só para percebermos que o mundo não é (somente) aquela montra virtual que a troco de "cêntimos" nos pode dar prazer, principalmente quando (eventualmente) descartável ao fim do rápido (des)uso.
De que é que estou para aqui a falar? Se do cão ou do "pirulito"?!
Não estou a falar de nada, embora me refira a quase tudo.

Francisco Moreira
domingo, 5 de junho de 2011

Troika

Começo por referir que, à décadas, adoro seguir as noites televisivas em dias de eleições, principalmente a "solo" e em eleições legislativas. E hoje, como não poderia deixar de ser, lá estive de "zapping" na mão.

Sem ir directamente para a análise aos resultados, permitam que o meu primeiro sublinhar seja direccionado para aquele que, no meu ponto de vista, foi, até à data, o melhor discurso de derrota das últimas décadas: o de José Sócrates, o principal derrotado, ou talvez não.

Gostei do que disse, gostei da sua postura e gostei da forma como assumiu a derrota e parabenizou os vencedores, se é que os há. (sim, acho que ainda teremos saudades dele, ou melhor, acho que regressará, seja como primeiro-ministro, seja como presidente da república)
Quanto aos resultados, e quando faltam apurar 30 freguesias, permitam que escreva que, no meu ponto de vista, não há um vencedor, pior, há vários derrotados, mas a isso já estamos habituados, embora, quase sempre, "todos" se assumam como vencedores.
Pedro Passos Coelho, apesar de ter tido o maior número de votos, não ganhou como deveria, dadas as circunstâncias politico-económicas do País. No mínimo, para ser considerado um vencedor, deveria ter ganho com maioria absoluta. Recordo que Sócrates, à 6 anos, venceu com maioria absoluta com condições muito menos favoráveis do que as actuais para o líder do PSD. Mais, acho que ainda ninguém percebeu que este será um governo refém de um PP - Paulo Portas ou Partido Popular (será egocentrismo ter escolhido esta sigla?!), que, dada a campanha e o não (aceite) acordo pré-eleitoral, custará bem caro a Passo Coelho, aparentemente com vontade mas sem a "estaleca" necessária para assumir um papel forte e inquestionável, algo que Sócrates sempre conseguiu junto dos seus ministros, todos, mesmo quando as coisas estavam mais "azedas" em termos de popularidade.
Faço uma "vénia" ao PCP, ou CDU, se preferirem, por continuar "estoicamente" a sobreviver, independentemente do envelhecimento do seu eleitorado e da sua "cassete".
Quanto ao BE, ficou provado que, afinal, as "fintas" (apoio a Manuel Alegre seguido de Moção de Censura) deram para o "torto", prevendo-se que, a médio prazo, possa diluir-se, tal como aconteceu com o PRD (um partido que existiu sob a "capa" de Ramalho Eanes).
E para não me alongar muito mais, em jeito de remate, até acho que é "bom" voltarmos a ter uma AD, mesmo com "submarinos" e "torpedos" ao longo de uma nova legislatura que, ou muito me engano, nos bastidores, terá inúmeros episódios, ao jeito da era Durão Barroso. Só espero é que ninguém deserte!

Por outro lado, sublinho que é irónico passarmos a ter um governo que, friso, é composto pelos grandes responsáveis pela vinda da "Troika" e que, não menos ironicamente, começará a ser colocada em prática já amanhã. Por isso, mais do que celebrar - e refiro-me aos vencedores, estou para ver se os votos de hoje conseguirão o efeito anunciado ou se teremos uma "Troika" dentro da "Troika" com a desculpa da "Troika". É que, pelo menos para mim e muitos outros, fico com a sensação de que, ao contrário do que Cavaco Silva anunciou como desejo, não teremos um governo forte e determinado, mas sim um governo que vai ter que usar vários remos para conseguir sobreviver ao "Triunvirato", o tal "restaurante" que abriu "Portas" antes do tempo e deu "Passos" errados para algo que, desejo, não se venha a transformar num abismo.

Francisco Moreira


* Ah! Só mais uma nota: espero que os milhões que não foram votar que, pelo menos desta vez, não andem a "gritar" que os políticos são "isto e aquilo", porque foram eles - os cidadãos que só o são quando lhes interessa ou têm que o ser - que também os escolheram, a estes.
quinta-feira, 2 de junho de 2011

Tenho Dito

O assunto em questão, no meu ponto de vista, merece uma aprofundada reflexão e, mais do que isso, um volume de dissertações e opiniões que, confesso, evitarei, principalmente porque, na verdade, tudo o que seja mais do que "duas palavras", geralmente, é interpretado como "seca", já que "ninguém" tem pachorra para ouvir falar de política, quanto mais "lê-la", esquecendo-se de que é a política que dita o nosso amanhã, queiramos ou não, votando ou nem por isso... Porque vai estar um excelente dia de praia no Domingo.

Em resumo, assumo desde já que votarei em José Sócrates, mesmo sabendo que, neste preciso momento, as minhas orelhas "arderão" por estar a assumi-lo, e principalmente quando os tantos que votarão no PS não se dão ao "trabalho" de o dizer, talvez por receio de serem considerados "maus da fita", tamanha é a quantidade de vozes que se ergue nos mais diversificados meios. A estes, aos que se "calam", coloco a seguinte pergunta:

- Acham mesmo que serão os únicos a votarem no Sócrates? Acham mesmo que "calando-se" estão a dar força ao vosso voto? Acham mesmo que o silêncio consegue rebater o murmurinho que se faz ouvir? Acham mesmo que a democracia vive de silêncios?

Bem, permitam que vá directamente ao ponto, um ponto que, neste caso, é de exclamação, independentemente dos pontos de interrogação que se possam tentar "colar".

Eu voto em Sócrates porque, mesmo com erros e números que, de longe, são piores do que aqueles que ele sempre prometeu, para mim, dos candidatos em questão, ele é o único que "OS" tem no sítio, o único que, em termos de experiência governativa, nos últimos anos, mesmo em "tanga", não abandonou o "barco" nem se deixou engolir pelo "pântano", independentemente das calúnias (quem nunca meteu uma "cunha" que levante o braço) ou verdades (que me interessa se ele fez o exame ao Domingo ou à 6ª), já que o que interessa MESMO é o seu desempenho, e principalmente dadas as circunstâncias.

Como costuma dizer um amigo meu: "é preferível alguém que aja do que alguém que se deixe manipular", mesmo que para isso, aqui e ali, se vá "colorindo" os acontecimentos. (algo que todos fazem e farão, já que "faz parte", inclusive na oposição, ou não?!)

Por outro lado, uma parte gigante do nosso problema (porque é de todos), convenhamos, foi criada por quem não o deixou governar, por quem ajudou - e muito! - à especulação financeira (e outras) e, não menos importante, pelo menos para mim - repito, uma das maiores culpas vai para quem tomou a decisão (derrubando-o) de recusar um "Pack 4" ontem para o assinar (com mais espinhos) no dia seguinte, e, "assobiando para o lado", com um acréscimo de 78 mil milhões de euros. Alguém tem dúvidas de que os "juros" estão gratos à tanta fragilidade provocada pelo ruído interno e externo?! (houve uma deputada do PP que, pelos vistos, em entrevista a uma televisão Norte-Americana recomendou que não se emprestasse dinheiro a Portugal porque o governo iria cair dali a uns meses - Grande patriotismo este, uns dias antes de Portugal vender dívida pública)

Sim, acreditei que o Sócrates conseguiria manter Portugal sem essa dívida, sem escancarar as portas ao FMI como tantos acenaram (porque convinha eleitoralmente). É que, mesmo em minoria e com tudo o que isso representa (pelo menos em Portugal), mesmo com todas as vozes oposicionistas a ajudarem ao aumento dos juros, e por aí fora, sempre acreditei que o governos conseguiria fazer-nos "sobreviver" a mais uma crise em cima da crise... (Lembram-se da última vez em que não se ousou fazer referência à palavra Crise? Isso foi há quantas décadas?! Até parece que foi o Sócrates que a inventou.)

Não sou perfeito, nem pretendo sê-lo. Mais, quem almeja sê-lo, por muito que tente agradar a "Gregos e Troianos", infelizmente, também não o conseguirá. Para mim, José Sócrates é um primeiro-ministro que conseguiu ter "pulso de ferro" e que, mesmo com erros (todos os cometem, todos os cometerão), conseguiu fazer muito, por muito que esse muito "incomodasse" alguns sectores, originando coros de vozes que, julgavam, conseguiriam sempre manter a sua, quando, em grande parte dos casos, a palavra que se manteve foi a do primeiro-ministro. A isto chama-se: "tê-los no sítio", algo que precisávamos, precisamos e precisaremos, digam o que disserem.

Sem ir muito longe, gostei especialmente do seu primeiro mandato, aquele em que pôde tomar decisões contra "tudo e contra tolos" em favor da "maioria", gostei da forma com atacou algumas das muitas injustiças sociais, gostei de como facilitou as burocracias, gostei de como recuperou dinheiro "perdido", gostei de como avaliou "funcionários especiais" (mesmo com exemplos negativos, porque os haverá sempre, basta descobrir-se um exemplo para se culpar a "regra"), gostei das "novas oportunidades" (sempre vale mais ter 0,1 do que continuar a 0, ou não?!), gostei de inúmeras coisas, mesmo tendo que pagar mais impostos, mesmo vendo outras regalias a desaparecerem. Sim, em termos gerais, entendo que, dadas as circunstâncias e as regras Europeias e Mundiais, ele conseguiu mais do que qualquer um dos seus actuais adversários conseguiriam ou conseguirão, principalmente os que, à custa da utopia, tentam provar que, por exemplo, sem a privatização do "BPN", o País estaria melhor. Sim, estaria, sem dúvida. E se o banco não fosse privatizado, conseguiria limitar-se a "causa-efeito" e o caos?!? Pois. (falar é bem mais fácil do que fazer)

Para mim, o Sócrates, mesmo num período extremamente difícil, manteve o discurso positivo, contrariando o "nacional negativismo" com que tanto "gostamos" de nos lamentar... sempre, seja na porta do "café" ou nas "Maldivas", e mesmo que não nos desloquemos às urnas.

José Sócrates, infelizmente, irá perder as eleições. Mais, mesmo que as ganhe, não formará governo. Primeiro porque a "esquerda" acredita no "não pagamento do que se deve" e noutras "loucuras do século passado" e depois porque o primeiro-ministro demissionário (que nunca fugiu, reforço!) não aceitará - e bem! - aquilo que o Passos Coelho já aceitou: ficar refém de um "Porta-Submarinos"; o grande vencedor destas legislativas, inquestionavelmente (muito graças aos votos dos socialistas desempregados e aos socialistas que perderam parte do seu salário).

Lamento que, nesta altura difícil, o bem intencionado Passos Coelho (parece-me ser boa pessoa!) não consiga resistir à pressão dos seus "boys" (provavelmente terá mais do que Sócrates) e muito menos às "matreirices" e "chantagens" ("indoor" e "outdoor") de um Portas que "sabe-a toda".

Não tenho fé na nova "AD" e não creio que o próximo primeiro-ministro tenha mais qualidades (nem defeitos) que Sócrates e, acima de tudo, não acredito que esta maioria chegue a bom porto.

Se Sócrates deixará saudades?! Deixará, acreditem.

E, mesmo sentindo que perderá estas eleições, razão pela qual, aparentemente, anda mais cansado, mais em baixo, mais desiludido, menos confiante, menos "o melhor" - porque o é! - em termos de intervenções (debates incluídos), Sócrates merece o meu Voto, convicto Voto, e o voto de milhões que perceberam que, dado o elenco que se apresenta, não há melhor, muito menos numa Europa que decide quase tudo (ao menos, ele já lá estava, e com "links" bem estruturados, presumo).

Não sei se o PS permitirá que Sócrates regresse, mas, se regressar, voltará a primeiro-ministro, se não lhe passar pela cabeça suceder a Cavaco Silva, o verdadeiro "primeiro ministro" de Portugal neste "machadado" mandato.


Francisco Moreira




* Evitei referir-me aos "tiros no pé " constantes que Passos Coelho (futuro primeiro-ministro gerido pelo "porta-submarinos") foi dando todos os dias na campanha e, logicamente, acrescento que TODOS devem votar, principalmente aqueles que dizem "cobras e lagartos" e que, quando devem assumir o seu papel, não o fazem. Votem em branco, se não encontrarem nenhum candidato à "vossa altura".
quarta-feira, 1 de junho de 2011

Votos



Estou para aqui a pensar se exprimo ou não o que penso de eleições, destas eleições... E acho que vou mesmo fazê-lo mais tarde... Deixem-me juntar os "pontos"... Mais tarde volto, e falarei de Sócrates. (sorrisos)


Francisco Moreira
terça-feira, 31 de maio de 2011

Entrada

Anda "meio mundo" à procura de uma saída quando, no meu entender, o mesmo "meio mundo" deveria andar à procura de uma entrada, de uma nova entrada. É que, para que se perceba, muitas das questões aparentemente "insolúveis" - aquelas que tantas "correntes de ar" provocam -, em termos de resultados, dependem mais de "entradas" do que de "saídas". Nós é que teimamos em continuar a ver pelo ângulo errado, ao jeito do "tudo se resolve por obra de uma Sta. qualquer".
Estou em crer de que se fizéssemos mais e melhor por encontrar novas ou renovadas alternativas não teríamos que ficar à espera que a "porta" nos caísse do céu ou do vizinho do lado ou que a janela com vista para a "solução" não se limitasse a ficar entreaberta entre a vontade e o sonho, principalmente naquelas alturas em que o delírio do desejo leva o acreditar para uma espécie de oásis de fantasia. Mais, estou em crer de que procurando novas perspectivas, muito provavelmente, além de contornarmos aquelas que não param de nos incomodar, passaríamos (ou passaremos, melhor dizendo!) a dedicar mais atenção (e tempo) ao verdadeiro avançar.
É que, por muito que procuremos saídas, na verdade, temos mais hipóteses de sair entrando do que de sair esperando. E só não o percebemos e aceitamos de uma vez por todas, porque habituamo-nos ao conforto desconfortável da espera.


Francisco Moreira
segunda-feira, 30 de maio de 2011

Multa

Não paramos de andar em excesso de velocidade, e não me refiro apenas e tão só aos limites rodoviários, refiro-me aos excessos que transportamos diariamente às costas: a velocidade vertiginosa em que conduzimos a nossa vida.

E o principal problema, acredito, está ao nível do pensamento. Passamos demasiado tempo preocupados com o que nos acontece e com o que nos pode vir a acontecer, antecipando eventuais cenários, antecipando danos que, muitas das vezes, nem se justificam.

Este viver-se preocupado vezes sem conta é responsável por um desgaste acima do "permitido", esta "vida locca" a que nos entregamos repetidamente, transformando a "modalidade" em hábito, faz com que passemos ao lado do que é mais importante, faz com que tenhamos todo o tempo do mundo, ou melhor, toda a "preocupação do mundo", para o que tem menos essência, para o que tem menos significado.

E é por isso que não param de nos chegar multas e mais multas, daquelas sem talão mas com efeitos práticos, daquelas com que já não nos remendamos, deixando os "fiapos" à deriva, embora "certos" de que haverá sempre maneira de a "livrar" - à multa e não ao desgaste.



Francisco Moreira
quinta-feira, 26 de maio de 2011

Puzzle

Madrugada dentro, o assunto era "puzzles": aquelas peças que se encaixam umas nas outras ou que se tentam encaixar, seja à força, por conveniência, crença ou alegando uma outra qualquer justificação.

E entre um e outro exemplo, independentemente da prateleira em que se servem as opiniões, eis que se chega à conclusão inconclusiva de que todos somos pequenas peças de pequenos "puzzles" que, entrelançando-se umas nas outras, acabam por formar um mundo de "puzzles", um mundo de vidas e "vidinhas".

O problema - poderá dizer-se - é encontrar todas as peças - as certas e acertadas, aquelas que permitem resolver a equação final, aquelas pelas quais também nos vamos entretendo na novela dos episódios dos dias, aquelas que - presume-se! - determinarão a importância do nosso papel nesta encruzilhada de sonhos que mais parece um coma profundo à espera do apito final do árbitro.

O meu "puzzle", esse, como muitos outros, por ironia, tinha logo que conter inúmeras peças, e daquelas bem pequeninas, com mais cantos e recantos do que o mais ilusório dos enigmas. E logo comigo que não sou nada fã de "puzzles", mesmo quando a peça mais importante do meu "puzzle" - o meu Anjo - me obriga a montar os dele, e peça a peça, paciência a paciência, repetição a repetição... E por mais fáceis que aqueles "brinquedos" sejam de completar, principalmente quando comparados com aquele "a sério" que a vida insistentemente me impõe: fôlego a fôlego, chego à conclusão de que o meu "puzzle" vai-se formando e compactando degrau a degrau, embora também à custa de muitas peças que aparecem como "extra", e só para atrapalhar.

Francisco Moreira
terça-feira, 24 de maio de 2011

Sótão

Por muitos exemplos que a vida me continue a mostrar ao jeito do contrariar, ainda sou daqueles resistentes que dizem em voz alta que as pessoas valem a pena, por maiores que possam ser as hecatombes. Sim, continuo a apostar nas pessoas, mesmo que "às cegas", mesmo que equilibrado no fio do "tudo ou nada".

E porquê? Porque é no "separar das águas" que se faz a verdadeira "vindima", é no meio do trigo que se destaca o "joio".

A brincar - ou talvez não, gosto de dizer que "em cada dez pessoas que passo a conhecer, se se aproveitar uma, já valeu a pena".
E para justificar a contabilidade, posso recorrer ao simples argumento que frisa que antes das "10" tentativas tinha "0" de acréscimo e que, depois delas, passei a ter mais "1", mesmo que, na "prova dos nove" - aquela que soma as "conquistas" e subtrai os "adeus", se possa manter a balança no "meio-meio", sem grandes alterações, mesmo existindo - já que se vai "apurando os ombros".
Não, não se passa nada. Estava apenas para aqui "encostado" às amizades, a olhar para a minha lista de números de telemóvel... Estava a deslizar o "botão do abecedário" e a reparar naqueles para quem mais ligo e nos que mais me ligam (mesmo que isso não seja um "medidor" - não o é!), e a notar que, como em tudo na vida, o tempo faz questão de nos direccionar ao sabor dos instantes. É, até as listas de números de telemóvel mudam, e muito!
Claro que há números que, infelizmente e pelas mais diversas razões - umas mais normais do que outras, deixaram de se "fazer ouvir", claro que há pessoas que deixaram de se "fazer contar"... Mas, por outro lado, o que realmente interessa, é poder reparar-se que: enquanto uns se transformam em nevoeiro e outros se vestem de sol, dá um gozo tremendo sentir que se pode continuar a ser valorizado e valorizar, independentemente da estação do ano, aquela "ventania" que, de quando em vez, faça chuva ou faça sol, nos ajuda a limpar o pó ao "sótão" da amizade.


Francisco Moreira

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