Sinais
Provavelmente por andarmos constantemente entretidos com os nossos problemas mais superficiais - aqueles que temos entranhados no pensamento de todos os dias, nós, humanos, nem reparamos nos sinais que a vida nos apresenta amiúdas vezes. E tempo?
Tentando ser completamente frio, e porque por vezes temos que o ser, quanto mais não seja para percebermos o que achamos perceber mas que nunca o encaramos convenientemente nem o encarnamos, neste preciso momento estou com vontade de classificar a morte como um conjunto de fotografias focadas e desfocadas que, dependendo da durabilidade das molduras, melhoram ou não o resultado final da tal banda sonora com que nos vamos sintozinando dia após dia, ano após ano. Com isto, em resumo, tento apenas relembrar que o pior da vida não é o que perdemos quando morremos ou nos morre alguém especial. O pior da vida é aquele tanto que deixamos de viver por acharmos que acabaremos por ter tempo para dar tempo ao tempo que tanto desejamos, enquanto, irononicamente, o vamos desperdiçando.Confuso? Exagerado?
Não acho.
Se morrermos neste preciso instante e se nos derem tempo para beber um copo de água, estou certo de que, além das fotografias, aproveitaremos esses instantes finais para nos penitenciarmos por termos perdido demasiado tempo com páginas e páginas de nada, deixando tanto por escrever.
Será exagero? Estão confusos?
Eu também, principalmente por continuar(mos) a recorrer à velha máxima do: "olha para o que eu digo e não para o que eu faço", tal como todos.
- Que se lixem!

Eu sei, eu sei que temos esta mania do "deixar andar" e que, se pudermos, só pagamos no último dia o que deveria ser tratado ontem. E até aceito que - esticando a corda - podemos ser fãs de fuga aos deveres e às legalidades, mas daí até ao tratamento de lixo, convenhamos, vai uma grande diferença, e para muito pior.
Carrocel
Todos sabemos que cada caminho, independentemente das decisões, tem dois sentidos, duas hipóteses de sentido, pelo menos. E, mesmo assim, não são raras as vezes em que entramos em contra-ão, mesmo sem nos apercebermos. Por outro lado - e pensando melhor, estou em crer de que se continuamos perdidos, mesmo achando que estamos na direcção certa, é porque este caminho, o nosso, mais não é do que uma espécie de carrocel onde, volta a volta, não saímos do sítio, por mais fichas que possamos investir, por mais evoluídos que nos possamos julgar.
Montanha-Russa
O mundo é-nos servido com todas as condições e mais algumas - muitas delas por descobrir, imagino. No entanto, do alto deste nosso "sedentismo", não parámos de escarafunchar centímetro a centímetro, numa avidez sufocante.Testo
Chegado o verão e, como em todos os anos, o enquadramento visual feminino assume contornos mais, mais, mais... vistosos, seja pela positiva, seja pela negativa, seja pelo "assim-assim". Obviamente que nem todas podem ser perfeitas, e ainda bem, já que a perfeição depende, quer se queira, quer não, dos olhos e dos sentires de quem observa, e a tese do "testo" merece ser sublinhada antes de qualquer ilação mais extemporânea. Nem todos gostam de loiras, nem todos gostam de morenas, nem todos gostam de magras, nem todos gostam de tanta, tanta coisa... Mas ainda bem que há quem goste, e volto à questão do "testo", nem que seja para frisar uma vez mais que tudo depende de muita coisa.
No entanto, este "post" pretende atingir outros objectivos: aqueles que têm a ver com a falta de sensualidade - e não me venham com a tese da "bela e da monstra", para que não tenha que vos atirar uma vez mais com o "testo".
Entendo que, acima de tudo, a beleza física - que é o mote desta questão, depende do bom gosto e não do que se veste ou, neste caso, despe. E, com poucos dias de calor, infelizmente, já brotam exemplos bizarros um pouco por todo o lado, independentemente do nível cultural, social ou económico das visadas, ao ponto de, em certas alturas, dar graças a "Deus" por andar quase sempre protegido com óculos de sol.
Cartão
Um dia destes, fiquei surpreendido com um número que me passou pela frente dos olhos e que dava conta de existirem 150 milhões de toxicodependentes em todo o mundo, o mesmo mundo onde, claro, também habita Portugal. Pois.
Lamentavelmente, é quando as vidas mais públicas se transformam em notícia que a grande maioria dos vivos acordam por instantes para repensar nas suas próprias vidas, embora à custa do adeus ou do caminho do adeus dos outros. Jogo
São inúmeros os que são "picados" pelo facilitismo da desistência, seja pelos próprios, pelas circunstâncias que uma derrota gera ou pura e simplesmente porque alguém tenta balizar as derrotas como "goleadas", independentemente de se ter, ou não, ficado a "um bocadinho assim". Elos
Gosto de elos de ligação, daqueles que atam as pessoas umas às outras, daqueles que, a dada altura, até podem não ter grande futuro mas que, em determinadas circunstâncias e cenários, funcionam como laços com substância, e por vezes com grande qualidade, humana inclusive.Asco
Há quem pense, quem diga e quem pratique uma política de anti-proibição, achando com isso que o mundo será muito mais interessante e válido, se no mundo não existissem regras impostas por alguém ou alguns. Eu, por acaso, ou talvez não tanto como pode parecer, gosto de regras, gosto de me conduzir sob regras, mesmo levando com algumas que não estão de acordo com o que penso. Mas é a vida, o tal de: "a minha liberdade termina quando afecta a liberdade dos outros", e esta é, convenhamos, uma frase feliz.
Não acredito em anarquias, sejam elas mais "minorias" ou mais "interesseiras". Acredito que podemos ser melhores e fazer melhor se nos pautarmos por princípios, por valores, por linhas de acção consentâneas com o evoluir dos dias, com o evoluir da raça humana.
Mas neste campo, o das proibições, o que me gera mais confusão e "asco" é a forma sorrateira e mesquinha com que muitos de nós, seres humanos e eventualmente humanizados - já que necessitamos da sociedade e não resistiríamos numa "cabana junto à praia", não se importam nada de ultrapassar as regras e as proibições para chegarem ao seu "paraíso", mesmo que ele, o tal "paraíso", não valha mais do que 1 cêntimo, e muitas das vezes acabe abandonado pelo "comprador".
É que; feitas as contas na balança da vida, mais tarde, ou mais cedo, os prevaricadores acabarão por sentir em dobro o veneno que instalam sorrateiramente pelas vias do bem, mesmo que, no tribunal final, se desculpem com os "vipes" de uma anarquia infectada que, na verdade, nunca foi a deles, ou melhor, só o é ou o foi quando lhes interessa ou enquanto interessou.
Em resumo; enojam-me os comportamentos incorrectos de quem tanto se arvora de correcto, quando, na verdade, vivem à sombra da correcção e do nome que outros criaram, poro a poro, batalha a batalha, sem falsos moralismos. Ou seja: neste mundo de regras, no meu ponto de vista, deveria ser proibido dar ouvidos a "maçãs podres", principalmente quando se tentam promover como "de marca". Mas, por outro lado - e aqui é que está o epicentro da questão!, não há colheita que perdure, principalmente quando a podridão se transforma em lema, mais ainda quando as "frutas" chocam umas com as outras.
Tinta
Se a vida fosse apresentada como: "ponto final, parágrafo", certamente que todos seríamos melhores pessoas, inclusive para os outros, além do para nós. E é isso que me incomoda, principalmente quando, por diversas vezes, ao longo do nosso caminho, mais longo ou nem por isso, equacionamos o que faríamos de morrêssemos AGORA, sem a necessária segunda oportunidade para corrigir pormenores ou "por maiores", sem uma segunda hipótese de dizer o que ficou por dizer, e certamente que ficará muito. Certamente que, neste preciso momento, alguns estarão a pensar nisso: o que têm que fazer e dizer antes de o adeus se vestir de fim. Mas, infelizmente, ou natureza das coisas, essa sensação algo desinteressante, passará para segundas oportunidades, aquelas que nos são dadas todos os dias e que deixamos andar e andar, e andar... até que o ponto final passe a parágrafo, daqueles que acabam por ficar sem mais "tinta".
BIUTIFUL
Nunca mais é 2ª Feira!
Principalmente à 2ª Feira, temos uma triste mania de reclamar de que "nunca mais é sábado". E isto não é de hoje, já tem umas décadas em cima, principalmente desde que se deixou de trabalhar ao sábado, imagino. Notícia
Amanhã, um pouco por todo o mundo, será notícia o baptizado de Cristiano Ronaldo Júnior. E tenho a certeza de que não será notícia apenas na imprensa cor-de-rosa, já que não faltarão carros de exteriores e jornalistas vindos de todos os cantos do planeta "Ronaldo". Obviamente que não devemos estar sempre a ver o mal dos outros, mesmo que, em muitos casos, ele(s) sirva para amortecermos as nossas próprias dores, mas estou em crer de que, amanhã, à hora do baptizado do ano, haverá inúmeras notícias que fariam toda a diferença se o chegassem a ser... E, infelizmente, ficarão no "monte" de muitas outras, aquelas que, por falta de espaço informativo, irão directamente para o balde do lixo.
Link
Gosto de funcionar e de levar a vida num conceito de "teia", mas daquelas que não estão preocupadas com: "o que vem à rede é peixe" nem com as outras - as do "hermeticamente fechadas" em torno de si mesmas. Quando me refiro a "teias", refiro-me ao funcionar em "link", ao usar o que está ao nosso alcance para se ser útil e apoiar quem sabemos que nos apoiaria, independentemente de podermos ou não, um dia, recorrer a uma dessas ligações. O que conta é a forma como nos disponibilizamos, a maneira como nos empenhamos, a vontade com que nos entregamos.
Gosto especialmente de ser útil, ao ponto de ficar feliz (e o termo é mesmo este!) de cada vez que participo ou comparticipo, por pouco que seja, com o meu contributo. Gosto de ajudar, mesmo não encarando a "coisa" com o termo que acabei de enunciar: o tal do ajudar. É que: no meu entender - pelo menos é assim que o assimilo e o sinto, quem coloca as suas "ferramentas" ao dispor dos outros, basicamente, está a desempenhar o papel de amigo. (mesmo sabendo que a "moda" pende para o: "gato escaldado de água fria tem medo)
Todos, todos podemos ser úteis, todos deveríamos sê-lo sempre, e mais ainda nos tempos que correm. E faz-me imensa confusão quando vejo aqueles "torcer de nariz", os "sim, claro, vou tentar" completamente falsos ou, pior ainda, quando quem pede a mão recebe um "não" descarado.
Será assim tão difícil ser-se útil, mesmo que não nos peçam nada? Será assim tão "doloroso" poder fazer-se mais e melhor pelos outros, principalmente quando, ao fazê-lo, de verdade, estamos também a fazer por nós, conquistanto um sentirmo-nos melhor?!
É, gosto de usar os meus "links" - e não se entenda "links" como "cunhas" - em prol dos outros, especialmente daqueles que me dizem muito, aqueles que encaro como "meus", tenham eles laços de sangue ou não, tenham eles a proximidade de uma vida ou a distância de uma hora.
E sabem que mais?! Este é o meu "passatempo" favorito, e é daqueles que não trocaria por nenhum outro, principalmente porque à custa dele sinto-me mais gente, mais completo, mais eu. Por isso, não será de estranhar que a minha resposta a quem me agradece seja muitas vezes: - Obrigado eu!, porque, na verdade, eu é que me sinto grato estar na "ligação".
Francisco Moreira
Vírus
Num mundo onde todos andam aos gritos, inclusive os que não encontram quem os queira ouvir, torna-se cada vez mais necessário reencontrar a própria voz e a daqueles que, noutros tempos, ouvíamos com especial atenção.Portas
Gosto especialmente de "bater à porta" das pessoas. E não me refiro ao literalmente, refiro-me ao ligar-lhes, dizer-lhes que as aprecio, ir além do "eles sabem ou deverão saber". E tenho pena de não o fazer as tantas vezes que deveria ou que tenho vontade, o relógio nem sempre dá para tudo e, muitas das vezes, caio naquele do: "mais tarde, fá-lo-ei", deixando os segundos diluírem-se porque surge "isto" e o "aquilo"... Gosto, gosto especialmente de saber que "fulano" e "sicrano" estão bem, que têm a sua vida encaminhada, que fizerem "isto" e "aquilo" ou que estão a pensar no "aquele outro", gosto de sentir que os caminhos continuam, mesmo quando não os posso ver de mais perto, mesmo quando não consigo estar mais íntimo, gosto de pessoas, e muito, e é esta última expressão que, afinal, resume tudo.
Já agora, e especialmente para aqueles que não vejo ou com quem não contacto à algum ou à muito tempo, permitam que vos dedique aquilo que acabei de escrever, por mais ínfimo que vos possa parecer. Bem hajam!
Divina
Todos procuram justiça, inclusive aqueles que aguardam pelo denominada "Justiça Divina", aquela que, pelos vistos, acontece num tribunal de última instância, mas daqueles que estão acima, muita a cima - consta-se, dos tribunais terrenos.Augúrio

Carreiros
Um dos principais desvios do caminho humano prende-se com a procura incessante de atalhos alternativos, numa espécie de tentativa de melhorar aquilo que eventualmente é apresentado desde a nascença: o destino.(des)Uso
Andamos encantados com o "marketing" dos nossos dias, ao ponto de já não sabermos valorizar o tanto que "saboreávamos" nos outros tempos, aqueles em que tínhamos pouco mas julgávamos que tínhamos muito, ficando felizes por e com isso, o tal do nada, quando "transladado" para o presente. Hoje, embalados pela ribanceira do chegar às novidades, esquecemo-nos do quanto está ao nosso alcance, e sem pagar mais por isso. Chegamos ao ponto de esquecer os "nossos" e o que sempre nosso foi pela necessidade de "parecer", mesmo que a "maquilhagem" não se aguente mais do que o tempo necessário para a "fotografia da praxe".
É, entre outras "doenças", estamos a ficar cegos e surdos, principalmente naquelas alturas em que deveríamos ser chamados à tábua da razão, nem que fosse tão só para percebermos que o mundo não é (somente) aquela montra virtual que a troco de "cêntimos" nos pode dar prazer, principalmente quando (eventualmente) descartável ao fim do rápido (des)uso.
De que é que estou para aqui a falar? Se do cão ou do "pirulito"?!
Não estou a falar de nada, embora me refira a quase tudo.
Troika
Começo por referir que, à décadas, adoro seguir as noites televisivas em dias de eleições, principalmente a "solo" e em eleições legislativas. E hoje, como não poderia deixar de ser, lá estive de "zapping" na mão. Quanto aos resultados, e quando faltam apurar 30 freguesias, permitam que escreva que, no meu ponto de vista, não há um vencedor, pior, há vários derrotados, mas a isso já estamos habituados, embora, quase sempre, "todos" se assumam como vencedores.
Pedro Passos Coelho, apesar de ter tido o maior número de votos, não ganhou como deveria, dadas as circunstâncias politico-económicas do País. No mínimo, para ser considerado um vencedor, deveria ter ganho com maioria absoluta. Recordo que Sócrates, à 6 anos, venceu com maioria absoluta com condições muito menos favoráveis do que as actuais para o líder do PSD. Mais, acho que ainda ninguém percebeu que este será um governo refém de um PP - Paulo Portas ou Partido Popular (será egocentrismo ter escolhido esta sigla?!), que, dada a campanha e o não (aceite) acordo pré-eleitoral, custará bem caro a Passo Coelho, aparentemente com vontade mas sem a "estaleca" necessária para assumir um papel forte e inquestionável, algo que Sócrates sempre conseguiu junto dos seus ministros, todos, mesmo quando as coisas estavam mais "azedas" em termos de popularidade.
Faço uma "vénia" ao PCP, ou CDU, se preferirem, por continuar "estoicamente" a sobreviver, independentemente do envelhecimento do seu eleitorado e da sua "cassete".
Quanto ao BE, ficou provado que, afinal, as "fintas" (apoio a Manuel Alegre seguido de Moção de Censura) deram para o "torto", prevendo-se que, a médio prazo, possa diluir-se, tal como aconteceu com o PRD (um partido que existiu sob a "capa" de Ramalho Eanes).
E para não me alongar muito mais, em jeito de remate, até acho que é "bom" voltarmos a ter uma AD, mesmo com "submarinos" e "torpedos" ao longo de uma nova legislatura que, ou muito me engano, nos bastidores, terá inúmeros episódios, ao jeito da era Durão Barroso. Só espero é que ninguém deserte!
* Ah! Só mais uma nota: espero que os milhões que não foram votar que, pelo menos desta vez, não andem a "gritar" que os políticos são "isto e aquilo", porque foram eles - os cidadãos que só o são quando lhes interessa ou têm que o ser - que também os escolheram, a estes.
Tenho Dito
O assunto em questão, no meu ponto de vista, merece uma aprofundada reflexão e, mais do que isso, um volume de dissertações e opiniões que, confesso, evitarei, principalmente porque, na verdade, tudo o que seja mais do que "duas palavras", geralmente, é interpretado como "seca", já que "ninguém" tem pachorra para ouvir falar de política, quanto mais "lê-la", esquecendo-se de que é a política que dita o nosso amanhã, queiramos ou não, votando ou nem por isso... Porque vai estar um excelente dia de praia no Domingo.Votos

Entrada
Anda "meio mundo" à procura de uma saída quando, no meu entender, o mesmo "meio mundo" deveria andar à procura de uma entrada, de uma nova entrada. É que, para que se perceba, muitas das questões aparentemente "insolúveis" - aquelas que tantas "correntes de ar" provocam -, em termos de resultados, dependem mais de "entradas" do que de "saídas". Nós é que teimamos em continuar a ver pelo ângulo errado, ao jeito do "tudo se resolve por obra de uma Sta. qualquer".Estou em crer de que se fizéssemos mais e melhor por encontrar novas ou renovadas alternativas não teríamos que ficar à espera que a "porta" nos caísse do céu ou do vizinho do lado ou que a janela com vista para a "solução" não se limitasse a ficar entreaberta entre a vontade e o sonho, principalmente naquelas alturas em que o delírio do desejo leva o acreditar para uma espécie de oásis de fantasia. Mais, estou em crer de que procurando novas perspectivas, muito provavelmente, além de contornarmos aquelas que não param de nos incomodar, passaríamos (ou passaremos, melhor dizendo!) a dedicar mais atenção (e tempo) ao verdadeiro avançar.
É que, por muito que procuremos saídas, na verdade, temos mais hipóteses de sair entrando do que de sair esperando. E só não o percebemos e aceitamos de uma vez por todas, porque habituamo-nos ao conforto desconfortável da espera.
Multa
Não paramos de andar em excesso de velocidade, e não me refiro apenas e tão só aos limites rodoviários, refiro-me aos excessos que transportamos diariamente às costas: a velocidade vertiginosa em que conduzimos a nossa vida.Puzzle
Madrugada dentro, o assunto era "puzzles": aquelas peças que se encaixam umas nas outras ou que se tentam encaixar, seja à força, por conveniência, crença ou alegando uma outra qualquer justificação.Sótão
Por muitos exemplos que a vida me continue a mostrar ao jeito do contrariar, ainda sou daqueles resistentes que dizem em voz alta que as pessoas valem a pena, por maiores que possam ser as hecatombes. Sim, continuo a apostar nas pessoas, mesmo que "às cegas", mesmo que equilibrado no fio do "tudo ou nada".E para justificar a contabilidade, posso recorrer ao simples argumento que frisa que antes das "10" tentativas tinha "0" de acréscimo e que, depois delas, passei a ter mais "1", mesmo que, na "prova dos nove" - aquela que soma as "conquistas" e subtrai os "adeus", se possa manter a balança no "meio-meio", sem grandes alterações, mesmo existindo - já que se vai "apurando os ombros".
Não, não se passa nada. Estava apenas para aqui "encostado" às amizades, a olhar para a minha lista de números de telemóvel... Estava a deslizar o "botão do abecedário" e a reparar naqueles para quem mais ligo e nos que mais me ligam (mesmo que isso não seja um "medidor" - não o é!), e a notar que, como em tudo na vida, o tempo faz questão de nos direccionar ao sabor dos instantes. É, até as listas de números de telemóvel mudam, e muito!
Claro que há números que, infelizmente e pelas mais diversas razões - umas mais normais do que outras, deixaram de se "fazer ouvir", claro que há pessoas que deixaram de se "fazer contar"... Mas, por outro lado, o que realmente interessa, é poder reparar-se que: enquanto uns se transformam em nevoeiro e outros se vestem de sol, dá um gozo tremendo sentir que se pode continuar a ser valorizado e valorizar, independentemente da estação do ano, aquela "ventania" que, de quando em vez, faça chuva ou faça sol, nos ajuda a limpar o pó ao "sótão" da amizade.
Francisco Moreira
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