quinta-feira, 28 de abril de 2011

- Ai, tempo!

Como não tenho conseguido arranjar tempo para "tudo", permitam que, usando esta imagem, sublinhe que tenho tido saudades de andar por aqui, saudades de escrever ao sabor da mente, por mais disparates que possa anunciar...

Tentarei regressar a este "cantinho" que tanto aprecio dentro de poucas horas, principalmente porque sinto falta dele.

Obrigado por continuarem a passar por cá, mesmo quando o que encontram é uma espécie de repetição da visita anterior.


Francisco Moreira
segunda-feira, 25 de abril de 2011

"Pétalas"

Pegando neste 25 de Abril, não de 1974 mas sim de 2011, olhando para as contas da liberdade, aquela que tantas vezes se discute entre o pior e o melhor "homem do mundo", apraz-me recorrer aos sentidos, aqueles que, qualquer um de nós, vai tentando e lutando por aperfeiçoar ao longo do seu caminho, seja ele mais ou menos democrático.

Há alturas em que nos sentimos mais presos e outras em que nos sentimos mais livres, seja na palavra, no pensamento ou à custa das circunstâncias. É, há e haverá sempre um ponto de vista, um asterisco que pode fazer toda a diferença, principalmente quando os asteriscos se confundem por estarem numa espécie de amálgama de directrizes. "C'est la vie" - diria o meu Anjo.

Mas, mesmo em liberdade, na verdade, tudo tem um limite, tudo começa e acaba quando se interfere no "outro", esteja ele mais certo ou errado do que é certo e errado.
Confuso?
Provavelmente. Mas, afinal, quem poderá evitar a dúvida que se instala entre o que se foi, se é e se será, independentemente dos votos?!
Pegando neste 25 de Abril, não de 1974 mas sim de 2011, olhando para as contas da vida que se vive, umas vezes melhor do que outras, só me apetece trocar o cravo pelo malmequer, quanto mais não seja para tentar adivinhar o que fariam o pior e, já agora, o melhor "homem do mundo", se lhe tirassem as "pétalas".

Francisco Moreira
sábado, 23 de abril de 2011

Pingos de Nada

As minhas madrugadas têm sido longas, bem longas, e bem seguidas, porque assim tem que ser, principalmente quando nos impomos regras, quando nos provocamos com desafios, quando não sabemos ficar parados, quando sabemos e sentimos que, independentemente de tudo, muito do que somos parte do que fazemos, seja connosco ou com os outros.

E é por aí que tenho andado, entre mim e mim, ao sabor da mente, porque ancorar não condiz com o meu querer viver.

Confesso que, mesmo cansado, e ainda sem "nada", embora com tanto, sinto-me recompensado, principalmente pelos "pingos" que geram "marés", pelos aconteceres que nascem de "nadas", pelo tanto com que me envolvo e aconchego de cada vez que me deito, mesmo cumprimentando o clarear de um novo dia.

E hoje, talvez, se ainda me aguentar, assim será, pela 13ª noite, quase seguida... A ver vamos!

O que ando a fazer? O que quero fazer?

Nada. Porque, por mais que façamos, tudo acaba por se transformar em nada, nem que seja à custa do tempo, aquele que se cumpriu e que, por isso, já se fez "nada".

O que ganho com isso, com estes tais nadas?

Tanta coisa, e que vale tanto, pelo menos para mim, mesmo que continue a ser nada, ou quase nada.


Francisco Moreira

este texto é um agradecimento dirigido a quem, nestas madrugadas longas, mesmo à distância do "perto", tem feito parte do meu nada, contribuindo com tanto, mesmo que se sintam nada, tal como eu, tal como o que temos feito: nada

Princesa da Lua (4)

Essa noite, de Lua Cheia, principalmente de emoções, foi de uma paz relaxante, intermediada por sonhos, daqueles que acontecem nos contos com mais do que um final feliz, daqueles que tanto se desejam depois das "trevas" dos dias.

A Princesa, naquele seu novo quarto apertado, aproveitou o embalo do cansaço para adormecer de consciência tranquila, independentemente do que o novo dia lhe pudesse reservar, de bom e de menos bom. Aquelas horas de sonho, no mínimo, foram um recarregar energias.

E eis que a manhã acordou, cedo, ainda com a lua e "esfumar-se" num cinzento que teimava em acompanhá-la desde que chegara a Paris.

A Princesa desejou-lhe um bom descanso e, num erguer personalizado pela vontade de resistir, decidiu vestir-se e ir passear, fazer uma espécie de reconhecimento daquele novo e estranho lugar onde o destino a tinha feito ancorar.

E foi por um passeio vazio de gente que caminhou, pé ante pé, para trás e para frente, sendo observada por um olhar tímido de medo, ainda mais triste do que aquele que naqueles dias ela tentava esconder de quem a rodeava. Era um gato, um gato aparentemente sem dono, sem destino, pouco familiarizado com aquele espaço. Não parecia ser dali, parecia perdido de si.

Que ironia aquela: a das semelhanças entre a Princesa da Lua e o Gato da Solidão!

- Olá! Estás sozinho? - perguntou-lhe, enquanto se tentava aproximar dele.

Quieto, embora aparentemente inquieto, o gato deixou-a tocar-lhe. Mais, num gesto interessantemente voluntário,roçou a sua cabeça ao de leve na mão que lhe transmitia segurança, conforto e, acima de tudo, vida.

- Olha para nós! Já viste?! Estamos no mesmo passeio, no mesmo caminho sem caminho! - acrescentou a Princesa.

Depois de alguns instantes naquela simples mas significativa troca de carinhos, a Princesa olhou para cada um dos lados da rua e, continuando sem ver ninguém naquele despertar de um novo dia, mais um dia que se adivinhava difícil, pegou no gato e perguntou-lhe:

- Queres vir comigo? Aceitas ser o meu Príncipe?

O gato, olhando-lhe nos olhos, deu-lhe sinal de que isso, provavelmente, seria o que de melhor lhe poderia acontecer, aceitando entregar-se àquela nova luz que tinha surgido no cinzento de mais uma manhã.

Sem mais demoras, e porque o relógio ditava o regressar ao seu quarto para vestir o "fato" do personagem que teria que interpretar dali a pouco, num outro cenário, contra tudo e contra todos, mas sempre com um sorriso nos lábios, a Lara aconchegou o seu novo amigo no colo e, sem se aperceber, criou o seu primeiro grande esteio naquele caminho que, por mais que ela tentasse, parecia não permitir ser o seu.

- Vou chamar-te Príncipe, pode ser?!


Francisco Moreira
quinta-feira, 21 de abril de 2011

Fileiras

As fileiras que (não) se travam, seja pela justiça, pela educação, pelo emprego ou por tantas outras questões, deveriam aproveitar esse embalo para também se unirem em nome de causas não menos nobres, independentemente dos lados em que se esteja. (não temos que pensar todos "de igual")

É uma pena que nós, seres vivos de uma sociedade tão dividida, não nos unamos mais do que nunca em prol de nós mesmos, enquanto partículas importantes e por vezes determinantes de um todo.

Podemos fazer tanto por tão pouco e - vai-se a ver!, pouco fazemos, principalmente por nos termos habituado ao "sofá da inércia", aquele que dá para ver o mundo mas que, quanto a acções, limita-se (quase) ao uso do comando da televisão: seja para aumentar o volume do que possa interessar ao nosso umbigo ou para, simplesmente, mudar de canal, porque "temos que pensar positivo e o negativo só arrasta negativo". Nem sempre, nem sempre!

É uma pena que nós, seres vivos de uma sociedade cada vez mais elitista, não tenhamos tempo para os outros, dando sempre como desculpa o facto (inventado) de não termos tempo para nós, quanto mais para o desconhecido do lado.


Francisco Moreira
quarta-feira, 20 de abril de 2011

Palavras

Acreditem que não ando sem palavras, muito pelo contrário. O problema da falta de escrita por estes e outros lados prende-se tão somente com o facto de andar a "gastá-las" e a "desgastá-las" por outras "páginas", daquelas que têm mesmo muitas letras. (sorrisos)


Francisco Moreira
sexta-feira, 15 de abril de 2011

Naco

Gosto, e em versão definitiva, de quem volta a dar rastro aos sonhos, sejam eles mais recentes ou de criança. Gosto de sonhos. E talvez esteja aqui a reposta para o que acabei de afirmar.

Numa era, esta, em que tantos entregam de mão beijada os sonhos por um naco de luta, aprecio poder observar alguns castelos que, por mais pequenos que pareçam, continuam a dar luz ao túnel da vontade.

Nem tudo é mau, nem tudo pode ser tão mau "assim", nem tudo é finito, inclusive os sonhos.

E é por isso que também fico feliz, sim, feliz de cada vez que vejo alguém semear o que, porventura, deixou enterrado num qualquer jardim intitulado passado... É bom desenterrarem-se vontades, reformular ideias e manter os ideais de quase sempre, aqueles que condizem com a coluna vertebral.

Sei que há cada vez mais gente que confunde o sonho com os milhões da salvação. E também sei que não falta quem não se "salve". Mas, entre o sonho e o desistir, parabéns àqueles que continuam a erguer a bandeira do querer, principalmente quando ela não é feita de "nacos", e por mais que lhes custe o "pão".


Francisco Moreira

Princesa da Lua (3)

- Lara! Lara, estás a ouvir-me? - exclamou uma voz a alguns metros de distância.

- Sim, perdoa, estava aqui a falar com os meus botões!... - respondeu a Princesa.

- Olha, hoje não há mais formação, podemos ir embora. Queres sair um pouco connosco, talvez ir beber um copo, ou tomar um chá com o pessoal?

- Hummm! Obrigada, mas estou exausta. Na verdade, Pierre, apetece-me ir para o quarto...

- Queres boleia? Fica a caminho...

- Não, obrigada, Pierre, prefiro ir a pé e continuar a conversar com os meus botões... - acrescentou, com um leve sorriso.

O Pierre é um jovem Francês com 26 anos, um dos poucos, no meio de tantos desconhecidos de várias proveniências, que mais tenta animar a Princesa, já que, indecisa, ela continua remetida ao quase absoluto silêncio, limitando-se a ouvir e a usar a voz apenas quando lhe direccionam perguntas.

Exausta mas contente por ter chegada ao fim mais um dia, embora apenas o segundo, a Princesa decidiu tirar os sapatos que, depois de tantos quilómetros a conhecer os recantos da "Disneyland Paris", lhe imploravam, quer eles, quer os pés, paz e descanso.

Assim, descalça, e no mais vagaroso trajecto que alguma vez tinha feito em toda a sua vida, a Princesa voltou a meter conversa com a Lua, a única presença, além dos seguranças, no já "apagado" mundo dos sonhos, naquela noite de brisas suaves, embora algo frias.

- Talvez não saibas, Lua, mas sinto-me triste, tão triste. E nem são apenas as saudades que me colocam neste sufoco. Tenho vontade de ir embora, de sair daqui, de esquecer este último sonhos, deixar por terra o ter que ter paciência, que devo lutar por algo melhor, que tenho que fazer mais por mim, quer pelo hoje, quer pelo amanhã... Entendes-me?

Sem dar voz às suas mensagens, por não o poder, a Lua, à custa da sua magia, estabeleceu uma linha de contacto com a Princesa, permitindo que houvesse diálogo, embora, na verdade, essa troca de palavras mais não fosse do que o subconsciente da Lara a tentar auxiliar.

- Lua, estás a ouvir-me? Podes ficar comigo? Eu sei que, neste preciso momento, deves ter inúmeras pessoas a tentarem falar contigo, pessoas com problemas bem mais urgentes do que os meus, pessoas bem mais sós do que me sinto... Mas, e perdoa o meu egoísmo, sinto que não existe mais ninguém, que somos eu e tu, ainda por cima num caminho que não pára de me convidar a desistir dele... Lua, juro-te, eu mentalizei-me de que tentaria mesmo, custasse o que custasse, entendes?! - acrescentou a Princesa, já com uma série de lágrimas a escorrem-lhe pelo rosto.

- Tu não vais desistir, Lara. E nada acontece por acaso. Mais, tu não estás só, eu vou estar contigo. E, juntas, ainda nos iremos rir vezes sem conta destes primeiros tijolos do teu novo castelo. Eu sei que ele ainda não tem forma, provavelmente ainda nem tem vida, mas acredita, minha Princesa, o teu Castelo, por mais longe que aparente estar, irá crescer contigo, tal como tu crescerás em ti. - "disse" a Lua, conseguindo serenar aquela tristeza que teimava em aumentar em cada minuto de pausa nesta nova profissão da Princesa.

Este começo estava a ser mais difícil do que ela imaginou, e fazia-se sentir vezes sem conta. O problema era que, neste caso, não havia volta, pelo menos durante os próximos e longos tempos. Aquela sua missão não se tratava de uma experiência mas sim de um compromisso, inclusive consigo.

E a Princesa sabia-o, percebera-o ainda dentro do avião que lhe validou esta opção, esta solução de recurso, na procura de uma vida melhor. Aquele chegar era mesmo para ficar, doesse o que doesse.

- Lua, sabes o que mais me apetece neste preciso momento?

- Um braço?

- Sim, um enorme abraço, daqueles com a face encostada a outra face, daqueles abraços que duram, principalmente cá dentro...

- Princesa, como sabes, não tenho como te abraçar, mas posso compensar-te com um sorriso... Queres?

- Já não seria mau! Pode ser um sorriso em Português?

- Vou dar-te mais. Abre lá a nova mensagem que tens nesse telemóvel que não largas por nada, aquela mensagem de qual não deste conta chegar, por ele estar em silêncio... Sim, vai ao telemóvel e abre a mensagem, é para ti.

A Princesa, espantada, abriu-a de imediato e leu o seguinte: Troco este sorriso por um abraço. E, para o sentires, acredita, basta fechares os olhos e pensares em quem gostarias de abraçar agora.


A Lara fechou os olhos, a Princesa abraçou o sentir e a Lua sorriu.


Francisco Moreira
quinta-feira, 14 de abril de 2011

Princesa da Lua (2)

Foi daquele aeroporto secundário que a Princesa, algo desorientada, pôs pés ao caminho. Afinal, que melhor incentivo poderia ela encontrar para amenizar o vazio do coração do que procurar novas molduras para os dias, outros personagens, ainda por cima no mundo dos sonhos: a "Disneyland" Paris? E mais ainda quando, acontecesse o que acontecesse, sabia, o mundo não iria acabar, nem que tivesse que construir um outro castelo, pedra sobre pedra, grão de areia a grão de areia...

Ali, naquela porta de um aeroporto de histórias com e sem fim, no meio de toda aquela miscelânea de gentes com e sem objectivos, deu de caras com os quilómetros que ainda teria de percorrer para o primeiro dos encontros, o tal primeiro dia daquele que tentaria ser o trampolim para o resto da sua nova vida...

Amparada pelas certezas e ao sabor do vento das dúvidas, a Princesa deu os seus primeiros passos para além daquela fronteira. Sim, queria por tudo que tudo corresse bem, pé ante pé, sorriso a sorriso.

Mas... Como convencer-se do certo quando tudo era tão incerto?


Meteu na cabeça que, em vez de ir trabalhar, como ditava o contrato assinado, iria brincar aos sonhos no embalo da diversão dos outros, embora ladeada pelo cronómetro dos minutos de uma escala profissional que, sabia, lhe seria imposta.

E aquela parecia ser uma boa táctica, a de fazer com que todos os milhares de visitantes que cumprimentaria passassem a fazer parte do seu cenário, do seu filme, do seu sonho, mesmo que ele, o "conto", ainda estivesse por encantar.

Já mais firme do que segura, partiu finalmente para a iluminada Paris e, num fôlego, dando ainda mais convicção aos seus passos, exigiu-se uma oportunidade para vencer, uma oportunidade para reconstruir a felicidade, quanto mais não fosse inspirada pela alegria daqueles que, diariamente, passariam a colorir o seu novo mundo.

Ainda com a mala na mão, horas depois, lá estavam os outros rostos, os daqueles que, tal como ela, entrariam no gigante Castelo, o tal que vende sonhos aos mundos dos outros.

A Princesa chegou, embora sem a sua luz característica no olhar e com um silêncio imposto pelo desconhecido... Mas crente de que daria a oportunidade ao sonho de ser feliz num outro mundo, sem saber que, mais tarde, era por ele que se iria apaixonar.

Entre apresentações com idiomas mil e espantos generalizados, entre dúvidas e normais embaraços, a Princesa viu cair a noite pela primeira vez naquela cidade, tão distante da sua, naquele Castelo, ainda tão estranho...

E eis que, nuns 5 minutos de pausa, entre um "tudo bem" e a procura de um silêncio só seu, a Princesa tentou compensar a saudade dos "seus" dando voz ao pensamento.

- Olá Lua! Posso pedir-te um enorme favor? - perguntou de olhos vidrados apontados para o céu.

A Lua, altiva mas serena, manteve o seu silêncio, talvez por estar algo encoberta por uma qualquer réstia de neblina que se esquecera de partir com o sol daquele primeiro dia.

- Lua, podes tomar conta de mim? Sinto-me tão só.

A Lua, talvez por estar a observá-la com toda a atenção, manteve-se "calada".

A Princesa, perdida, sentada num chão que não era o seu, insistiu uma terceira vez.

- Lua, cuidas de mim?


E foi aí que a Lua respondeu.

Como? Com magia, como sempre, convidando a neblina que a envolvia a seguir para outras paragens e permitindo que, entre ela e a Princesa, só ficassem estrelas, aquelas que, certamente, lhes passariam a iluminar o caminho a partir daquele primeiro instante.


Estava feita a primeira amizade, desta feita entre uma Lua de Sonho e uma Princesa de Luz.

Francisco Moreira
terça-feira, 12 de abril de 2011

Princesa da Lua (1)

Foi com lágrimas, daquelas que só se encontram nas pessoas que sentem o seu semelhante, que a Princesa rumou ao seu novo Castelo, aquele lugar que, nos pensamentos cheios de dúvidas que a atormentaram durante dias e noites, seria o seu novo lar, o seu novo mundo, por encantar.

A Princesa despediu-se de todos com um "até já", certa de que aquele poderia muito bem ser o primeiro dia do resto da sua vida.

Tímida, algo isolada, despistada, inclusive por um idioma que não era o seu, lá ancorou, de mala na mão, naquela cidade a que tantos, miúdos e graúdos, tentam chegar, embora com outros objectivos impressos num diferente bilhete de avião.

O "firme e segura" que todos lhe recomendaram, ainda no seu Porto (de abrigo), no seu Portugal, naquele primeiro impacto, não parecia ser suficientemente capaz de derrubar os medos, as saudades que, instantâneamente, a começaram a atormentar.

Haveria como regressar? Haveria como acordar daquele pesadelo que, como lhe disseram, poderia transformar-se um sonho melhor? Não.

Lucidamente acordada, e de fotografias mil num telemóvel, ela tinha finalmente chegado ao seu novo ponto de partida, e sabia que seria para ficar.

A Princesa, nesta altura, ainda sem a companhia da sua próxima companheira de sempre, a Lua, sentia-se perdida, e logo nos primeiros minutos, logo nos primeiros encontros, logo nos primeiros e renovados pensamentos.

Que sonho era este, que despertar era aquele, feito de aromas irreconhecíveis, feito de passos que, sentia, não eram os seus?

Aquele "hoje", que ficará registado para sempre na sua memória, não começou assim tão bem, mas a sua vontade, mesmo que deteriorando ao passar de cada minuto, haveria de vencer as interrogações, mesmo que ela caminha-se sozinha, mesmo sabendo que o avião que a trouxera já se tenha ido embora, sem um "até já" e, principalmente, sem a levar.


Francisco Moreira

Princesa da Lua (0)

Era uma vez... Uma Princesa.

Uma Princesa daquelas que, tal como todas as outras, tendo coroa ou não, também tinha sonhos, e daqueles com vontade própria, muito à custa da coragem com que se investiu...

E porque a vida assim lhe exige, numa espécie de conto de fadas que, afinal, também tem arbustos menos dourados do que aqueles que actualmente lhe pintam o Castelo.

A Princesa da Lua nunca foi uma princesa a sério, mas poderia sê-lo. E provavelmente nunca o quis ser... Mas a sua viagem, aquela que aqui contarei, tentará mostrar como, em pleno ano de 2011, ainda é possível viver no sonho, por mais perto que se esteja da dura realidade, mesmo que vivendo a maioria das horas de todos os dias na "Lua dos Sonhos".

Esta nossa Princesa, que já passou dos 30 anos, e que, tal como muitas da sua idade, principalmente as que, como ela, completaram os estudos na área do turismo, sempre quis viajar, conhecer os mundos do mundo e, quiçá, o Príncipe, por mais normal que possa vir a ser o seu beijo, o dele.

E a Lua, a da nossa Princesa, fez questão de recebê-la de braços abertos, lá longe, na cidade Luz, em Paris, à 5 dias atrás...

Hoje, no primeiro dos seus novos dias, começou o seu mais recente sonho, aquele que, mesmo vivido de realidades, as suas e as de com quem se vai cruzando, não deixará de se misturar com o caminho da imaginação, a dela e a minha: aqueles que, em conjunto, terão o prazer de vos contar esta história.


Francisco Moreira
segunda-feira, 11 de abril de 2011

!Férias?

Esta semana estarei de férias, embora sem o estar, verdadeiramente, e a "meio-gás", daí não conseguir dizer se conseguirei "postar" por "estas bandas" com a regularidade com que aprecio.

Assim sendo, sem me comprometer, tentarei fazê-lo, não só porque gosto de escrever mas principalmente porque a grande maioria das pessoas que se dão ao trabalho de passar por cá o merecem, e muito.

Obrigado pelo carinho que sempre me têm dispensado e, caso não saibam, é por causa dele que este "cantinho", como gosto de lhe chamar, vai "sobrevivendo. Apesar de não ter o "fôlego" de outros tempos, vai resistindo, embora, confesse, por vezes, com mais transpiração do que inspiração.

O que me leva a isto? Bem, esta semana vou andar por outro "Facebook", que não o meu. (sorrisos)

Francisco Moreira
sexta-feira, 8 de abril de 2011

Salto-Alto

Estou com a sensação de que vamos voltar rapidamente ao tempo do "pé descalço", aquele tempo em que, mesmo sem ter o que "calçar", éramos mais felizes por sermos mais nós, principalmente para com os outros.

Não, não me estou a referir à crise, à pobreza dos "remediados" com que se "esconde" a mudança, embora isso também "faça parte" da reaprendizagem. Estou sim a apontar o meu sublinhar para aquilo em que, mais tarde, ou mais cedo, nos acabaremos por transformar, por necessidade, por imposição superior. Refiro-me ao aprender a andar "descalço", ao deixar de lado os títulos para dar voz aos valores, refiro-me ao trocar do parecer-se pelo ser-se, o acontecer-se por paixão, por prazer, nosso e de quem nos rodeia.

Como e quando chegaremos lá?

Não sei a reposta. E tenho em mente de que prefiro nem a saber, mas pressinto que é para lá que nos encaminham, sejam quais forem as forças que estejam a redireccionar este novo "trânsito", e muito provavelmente sem que nos apercebamos.

O mundo vai mudar, o mundo já está a mudar. Só não vê quem não quer ver. Só não vê quem continua a sonhar. Cá para mim, não falta muito para que quem faz parte do mundo passe a ter duas opções: regressar ou desaparecer. É que já não há tempo para "salto-alto".


Francisco Moreira

Abraços

Todos sabem que os bastidores da vida são feitos de amores e ódios, e muitas das vezes sem se saber onde se escondem os personagens mais ou menos principais das histórias com que tentam "ganhar a sua". Consta-se que "faz parte", nem que seja para se aprender a separar o que interessa do que se tem que se entregar à valeta do esquecimento, mesmo que não se esqueça, esquecendo.

Eu continuo a teimar na aposta nas pessoas, independentemente dos rótulos que muitos lhes tentam adicionar, dando-me ao luxo de defendê-los até provas em contrário... Prefiro ver para crer, prefiro levar um estalo e perder, prefiro perder para ganhar.

É que, mesmo quando perco, e perco algumas vezes, como todos, fico sempre com outra sensação além da perda, fico com a sensação de que, afinal, não falta quem me continue a dar razões, e bem válidas, para que continue a abrir os braços por completo, sem reservas, sem ter que testar as etiquetas que lhes colocam nas costas, por vezes sem eles se aperceberem.

Se fico com pena quando perco alguém? Fico, claro, e principalmente quando esses casos, no meu ponto de vista, teriam "salvação", principalmente se se dessem à inteligência mínima de olharem à sua volta e aprenderem que, se tantos outros os abandonam, provavelmente, a culpa não será do resto do mundo...

É, nesta magia das amizades, além de teimoso, considero-me um sortudo. Sei e sinto que, depois de mais um peão caído, ao continuar em frente como sou, não faltarão outros braços que, tal como os meus, não se fecham em nome de um: "dá cá aquela palha". E a vida tem-me comprovado isso, sempre.

Sei que muitos mais peões (e eu próprio me considero um peão) ficarão pelo caminho, e refiro-me ao meu caminho. Mas, feitas as contas ao que sou e ao que sempre fui, independentemente do que outros possam achar, fico feliz por continuar a ter quem abraçar, embora algumas vezes entristecido por outros se acharem "guerreiros de luz" sem repararem que só se apagam.


Francisco Moreira
quarta-feira, 6 de abril de 2011

"Cinto Muito"

Hoje, 6 de Abril de 2011, à hora dos "Telejornais", ouvi-os a "todos", aos "comandantes" da "ponte", e com a atenção que, enquanto cidadão, enquanto votante, gosto de ter, principalmente quando a questão se refere ao meu País, ao "nosso" País.

Ouvi também as opiniões daqueles que, mesmo tendo a sorte de não terem que assinar as decisões, conseguem fazer-nos ver as "coisas" por diferentes "espelhos retrovisores"... E fiquei triste.

Estou preocupado com o futuro próximo, com os "sinónimos" Irlandês e Grego, nos quais o FMI, pelo menos para já, pouco mais conseguiu do que - consta-se" - evitar a venda dos respectivos países a um qualquer Russo abastado ou a um excêntrico Chinês, mesmo sabendo que estes e outros já lhes ingeriram uma fatia da nunca tão falada "dívida pública".

Isto estava mal. Pressinto que ficará muito pior. E quem aqui o escreve até se acha optimista "QB", mas, mesmo sem "bater" num só, permitam que sublinhe que, na minha opinião, embora "analfabeto" nestes bastidores de números longos, esta a culpa é desta nossa mania tão Portuguesa de acharmos que nos safamos sempre, inclusive na moda do "pagar" no dia de nos cortarem a "luz"...

Desta vez, estou em crer que não nos limitaremos a mandar "bitaites" no café ou nas redes sociais,... Sinto que o cinto vai apertar mesmo, e muito.

E Portugal lá continuará a cantar o: "de que estás à espera, com um pé numa galera e outro no fundo do mar", enquanto, no palco das "TV's", a luta pelo "poleiro" continuará a preferir subvalorizar os "danos colaterais" na tentativa de tentar(em) a sua sorte, sabendo, à partida, que a chegada será sempre bem pior do que o pior onde já estava(mos).

Francisco Moreira
terça-feira, 5 de abril de 2011

Polaroid

Muitos são aqueles que preferem viver do passado, como se o passado fosse imaculado, como se só tivesse "cromos" de felicidade nesta caderneta a que chamamos vida.

Obviamente que é muito mais fácil pegar num ou noutro retrato, mesmo que a preto e branco, e dar-lhe cores "mais a gosto", vê-lo pelo lado positivo, romântico, acrescentando-lhe uma forte dose de saudade... Como que tentando fazer dele, o que já passou, o melhor de todo um caminho, um caminho com muito para "galgar".

E isto acontece (porque será?!) principalmente quando não se está satisfeito com o hoje, quando as "polaroid" teimam em incomodar com disparos que não contávamos, com pormenores que pensávamos não poderem atingir o significado e o peso que, pelos vistos, conseguem.

Obviamente que o passado merece referência, merece respeito, merece molduras douradas, principalmente quanto procuramos histórias para contar, as nossas, aquelas inúmeras vezes sentidas e revividas, com sorrisos, ignorando as lágrimas, aquelas que também existiram, e que também nos ensinaram, embora diluídas no "ranking" da memória, porque convém...

Não, não há vida sem passado. Mas, convenhamos, também não há vida sem presente, nem vida sem futuro, por mais que recorramos ao passado para justificar o porquê de o hoje poder ser muito mais interessante se acontecesse no ontem.

E é assim que andamos sempre, de tempos em tempos, de aulas em aulas, sem nunca conseguirmos ficar completamente satisfeitos com o presente, o mesmo que também será passado, o mesmo que fará futuro, inclusive nas memórias.


Francisco Moreira
segunda-feira, 4 de abril de 2011

Sombras

São inúmeros aqueles que vivem na sombra, os que se alimentam da própria "inexistência" social à espera de décadas melhores. E existem também todos os outros, aqueles que, mesmo dando o tal de "ar" de que as sombras são apenas uns necessários "recolhimentos estratégicos", como se isso fosse a mais inquestionável das respostas, não deixam de o ser: sombras de si mesmos.

Os dias caminham a passos largos para um vazio de relações. E principalmente à custa das fugas (necessárias ou impostas) com que tantos se debatem no resultado social vigente. Sim, estamos na era (infeliz) do "eu", já que o "nós" pode ser um caminho armadilhado por outras sombras, as do mal.

Confuso? Certamente. Simplificável? Dificilmente.

Refiro-me a quem acontece de forma intermitente, tão só porque a vida a isso os obriga, nem que seja à custa (imposta) de determinados "afazeres" do quotidiano. Refiro-me também àquele número crescente que está a trocar o ser-se humano pelo parecer-se humano. E não param de brotar exemplos. Porquê? Porque vivemos cada vez mais no: "todos mais próximos, todos mais afastados".

Estou com a sensação de que andamos a cometer erros humanos difíceis de ultrapassar, inclusive para connosco, principalmente pelo permitir e aceitar de ânimo leve o propagar de "grutas" que nascem em cada "janela corrida", cada uma com a sua sombra, num respirar quase inaudível, uma espécie de coma social que só é lembrado de cada vez que um gemido rompe a barreira dos noticiários ou é pintado com tons cor-de-rosa.

Tantas palavras para sublinhar a solidão? Tantas?! Não, as palavras até são poucas, principalmente porque raros são os casos de "não-sombras" que se dão ao trabalho de traduzir o que elas, as sombras, tentam transmitir num silêncio que se está a transformar em indecifrável.


Francisco Moreira
sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ponto e Vírgula

Mesmo numa sociedade mais evoluída - pelo que se consta!, a ponte nos problemas de expressão não pára de crescer, tamanha é a distância que vai separando as margens, e sejam quais forem os motivos, os contextos, as discórdias, os abraços.

Mais do que ler um dicionário de palavras bem escritas, deveríamos enveredar pelo entender o que comunicamos letra a letra, vírgula a vírgula, sopro a sopro, olhar a olhar, como que regressando àquela carteira da primeira classe, onde nos esforçamos por entender melhor o mundo que nos rodeia.


E isto de se ser ou de voltar a ser criança, de se reabrir os sentidos à vida, à nossa - aquela que engloba tudo e todos os que nos rodeiam, é, sem dúvida, o primeiro passo de gigante para se perceber que inúmeros dos erros que cometemos passam por nos esquecermos de quem somos, de quem deveremos ser perante os outros, de como éramos, sim, na tal altura da primeira classe, do primeiro dia das "primeiras" aulas.

Hoje, com esta panóplia de enciclopédias tecnológicas, quando tal, e sem repararmos, estamos a dizer o que não queremos, o que não sabemos, o que não somos e, principalmente, o que nunca quisemos ser.


É que, graças a vírgulas de "mau tom", acabamos por nos transformar em péssimos comunicadores, daqueles que não se calam, daqueles que berram muito mesmo sem dizerem nada de jeito.


Francisco Moreira
quinta-feira, 31 de março de 2011

Nada

Por muito que se diga valorizar pouco o dinheiro, na verdade, a gigante maioria valoriza-o, e muito, principalmente a grande parte, aquela que sente a falta dele. E isso é perfeitamente compreensível. Afinal, convenhamos, todos deveríamos ter o direito de ter noites descansadas sem pensar nele, no dinheiro, todos deveríamos poder realizar um ou outro sonho sem ser impedido por ele, pelo dinheiro.

E tudo isto para destacar as pessoas que, como eu, na verdade, não o valorizam por aí além, as pessoas que não estão à espreita da oportunidade para ganhar mais um ou dois cêntimos, as pessoas que não ficam sequiosas por chegar ao pote do tesouro, tostão a tostão, as pessoas que ainda agem como se houvessem coisas mais importantes do que o dinheiro, e há-as, muitas, mesmo não parecendo, mesmo não o publicitando.

Pego neste contexto para me referir a uma pessoa que, sem razões para o fazer, mostrou ser mais um exemplo disso mesmo, do todo que, tantas vezes, valoriza o prazer em ser útil em detrimento do tesouro, independentemente do número de cifrões que ele possa ter.

Não, não vos vou contar a história, não é assim tão importante. Importante é sentir-se que, afinal, ainda há pessoas que ganham dinheiro porque têm contas para pagar mas que, em determinadas envolvências, preferem ganhar mais do que dinheiro, ou seja: nada, sendo que o nada os pode fazer sentir muito, e, neste caso, a mim também. Obrigado por "nada".


Francisco Moreira
quarta-feira, 30 de março de 2011

Altar

Gosto de pessoas com fé, principalmente em si mesmas, nos seus sonhos, desejos, ideais, pessoas que acreditam no poder do tentar, mesmo quando as "pedras" do caminho as deixam de vontade nua, despidas de força, naquele instante em que soam convites do desistir mas que, no instante seguinte, graças a uma qualquer "pilha mental", incentivam-se a recuperar energias e a avançar, independentemente dos estalos que possam regressar...

E é assim que se vive verdadeiramente, descobrindo, insistindo, acreditando, aprendendo... E quem nunca caiu que erga a primeira pedra!

Gosto de pessoas com garra, com vontade, pessoas que, mesmo sem nada, embora com tudo, desafiam-se a si próprias numa espécie de luta entre o eu e o eu, na procura constante de um acontecer melhor, com mais ser, independentemente das medalhas de "parra" que possam ter vindo a coleccionar.

E é assim que se vive verdadeiramente, com fé, mesmo quando o sonho, de tão nu, ao olhar dos outros, parece irrealizável, parece perdido, parece uma miragem...

A fé, há que dizê-lo, nunca está nua, nus estão os pensamentos de quem não conhece o poder do acreditar, já que a vida, creia-se ou não (e não me refiro a religiões!), é um altar do qual se vê o horizonte despegado de "vestes" e sempre com uma luz para lá de qualquer que seja o túnel.


Francisco Moreira
segunda-feira, 28 de março de 2011

Sarrabiscos

Ando com saudades de escrever, mesmo escrevendo todos os dias, ou quase todos os dias. Acho que estou a precisar de férias do "resto" para me dedicar quase por completo à escrita, àquela que não é feita nos intervalos e intervalinhos, como que determinando(me) que não convém não perder o balanço, para não entrar no vazio do "deixar de dizer".

É, é isso, vou tentar meter uns dias de férias para me intoxicar de palavras, uma semana destas. Sei que pode não valer de nada, mas gosto de escrever, e tenho pena de, para o fazer, andar sempre à cata de tempos e tempinhos para poder continuar a afirmar que há palavras que ficam, mesmo que não valham nada, mesmo que saibam a pouco, mesmo que não passem disso mesmo, de palavras ou palavrinhas.


Francisco Moreira
sábado, 26 de março de 2011

...

quinta-feira, 24 de março de 2011

Talvez, Talvez

Não faltam passarinhos a "cantar de galo", seja na política que fica do outro lado do mundo ou no café que fica por debaixo do nosso chão. E, por um lado, ainda bem que assim é. É sinal de que não temos que nos limitar a "ouvir e calar", nem nós nem os outros: aqueles que conseguem erguer a voz mais alto do que nós.
Não sei se é uma espécie de "síndroma" Português, mas todos nos arvorámos conhecedores e entendidos em quase tudo o que é matéria, quanto mais não seja pelo que lemos nos jornais, muitas das vezes induzidos pelos bons e maus induzidores: os que são "comentaristas" e os que apreciam que os intitulem de "fazedores de opinião".
Todos eles, uns mais do que outros - e isso depende muito da "montra", conseguem conquistar um papel importante na sociedade, basta ver a importância que os políticos lhes dão, independentemente do lado do muro em que possam estar. E, não menos interessante, conseguem que um "quadradinho de última página" (mesmo que esta seja a página 13) obtenha mais "resultados" do que um "prime-time" televisivo. Chama-se a isto ter e ser "peso".
Eu próprio aprecio um ou outro "comentarista", ao ponto de fazer questão de os ler com a regularidade. E, em alguns casos, chego a identificar-me bastante com a linha de pensamento que é seguida, principalmente quando os "pormenores linguísticos" são usados com precisão e não como "masturbação intelectual".
Aqueles de quem menos gosto, os tais "fazedores de opinião", são os que batem no "ceguinho" todos os dias, todas as semanas, todos os meses, todos os anos, toda a vida. Se existem? Sim, existem, e ainda à pouco estive a ler um deles, embora, tal como nos outros dias, com vontade de desistir a meio, mas sem desistir. (puro masoquismo)
Por outro lado, o que mais gosto nos "comentaristas" é a forma como alguns deles dominam os vocábulos, ao ponto de, em meia-dúzia de caracteres, conseguirem dizer aquilo que outros demoram uma eternidade, e daquelas eternidades que nos deixam indecisos entre o "talvez sim", o "talvez não" e, pior ainda, entre o "talvez, talvez".
Já se percebeu que gosto muito mais de "comentaristas" do que "fazedores de opinião". Porquê? Porque prefiro ser eu a ter opinião sobre um comentário do que ter um comentário a exigir que eu o assine por baixo, talvez pelo facto de o seu autor achar que a minha opinião é a que ele dita.
Francisco Moreira
quarta-feira, 23 de março de 2011

Ouvidos Moucos

Passamos os dias a falar demais, mesmo quando o número de ouvintes se reduz significativamente, e com tendência para aumentar.
Há uma falta de paciência descomunal que leva a que já poucos suportem ouvir os problemas dos outros, exceptuando, claro, aqueles que deliram com o facto de "o vizinho estar pior do eu".
E isso é preocupante, principalmente em sociedade, se é que ainda somos uma sociedade: conjunto de seres humanos que partilham o mesmo espaço, independentemente dos metros quadrados que o mundo de cada um possa alcançar.
Onde param as longas conversas sobre tudo e sobre nada? Onde param as tertúlias sobre isto e aquilo? Onde param os passeios por aqui e por acolá? Onde param as pessoas, estas e as outras? Onde nos encontramos? De que maneira nos reencontramos?
É. Há uma galopante perda no conceito social global. E isso acontece em grande parte potenciado pelos receios que são impingidos pelo "mal-estar" provocado pelas notícias bizarras deste mundo. Há mesmo quem prefira estar "caladinho", não vão "as paredes voltarem a ter ouvidos"... E, pelos vistos, têm-nos sempre prontos para saberem da "última".
E é neste conjunto de questões que, dia após dia, nos vamos apercebendo de que a confiança nas pessoas está a perder crédito, está a perder assinatura, está a diluir-se, e sem retorno à vista.
Se, por um lado, todos gostariam de poder falar abertamente com todos, do outro lado, há cada vez mais adeptos do célebre "ouvidos mais ou menos moucos" em função do coeficiente de importância que a informação possa ter para o suposto interlocutor.
Porquê? Porque, na verdade, os ouvidos já quase só se abrem para espremer o que lhes interessa e não o que as bocas tentam transmitir, ou, se preferirmos, tudo o que não tenha espinhos não é merecedor de ser considerado notícia.
Francisco Moreira

Justo e Pecador

Ouve-se dizer que é cada vez mais difícil distinguir o bem do mal e, não menos preocupante, é "pagar o justo pelo pecador". Mas isso não quer dizer que se devem baixar os braços porque o mal - diz-se! - acaba sempre por limitar ou derrotar o bem, e de forma inglória.
O bem e o mal devem ser encarados como uma espécie de balança, agindo e funcionando como uma espécie de contra-medida, como que, através de um, possamos avaliar melhor o outro.
O bem e o mal não são de hoje. Hoje dão é mais nas vistas, por assim dizer. Eles sempre existiram, sempre existirão, queiramos ou não.
Mas, se assim é - perguntarão muitos: para quê continuar a insistir no bem quando, aparentemente, é muito mais rápido e fácil desenvolver o mal?
Cada um pode falar por si, logicamente. E "cada sentir, cada sentença".
Cá para mim, prefiro não ganhar exercendo o bem do que, à custa do mal, ter uma factura a pagar, e em não sei quantas vezes. É que, como em tudo na vida, há sempre lugar para a "causa-efeito" e, bem vistas as coisas, mesmo que o efeito do bem não seja tão veloz como o efeito do mal, estou em crer de que, na contabilidade final, quem paga as favas não será o justo mas sim o pecador.
Francisco Moreira
terça-feira, 22 de março de 2011

Ponto-Morto

Acho que já não sabemos o que é o "ponto-morto". E não me refiro apenas ao "ponto-morto" dos automóveis, refiro-me ao dos nossos passos, ao dos nossos pensamentos, ao dos nossos sentires, ao dos nossos aconteceres e, principalmente, ao do nosso ser(-se).
Está tudo e estamos todos constantemente em excesso de velocidade. E o pior é que continuamos a infringir os limites mesmo quando estamos parados, mesmo quando não tem razão de ser, e por nada deste mundo, quanto mais em nome de um outro qualquer.
Se não é o relógio, é o pensamento, se não é o pensamento, é o sentir, se não é o sentir, é o olhar, se não é o olhar, é o acontecer, se não é o acontecer, é o sobreviver, se não é o sobreviver, é o aprender, se não é o aprender, é o não poder perder, se não é o poder perder, é o ter que ser, se não é o ter que ser, é o viver... E mesmo quando não é o etc., é o outro etc.!
Ufa! Será que só o entendemos quando saímos dos carris e o sentimos na pele?! Será assim tão imprescindível ter que se andar sempre em 5ª, 6ª ou 7ª velocidade, e 7 dias por semana?!
Vá! Não me venham com a desculpa esfarrapada de que a dormir estamos sempre em "ponto-porto", quer o mundo queira ou não queira. Em "ponto-morto", a dormir?! Como?! Se já nos ensinamos a dormir a correr?!
Já sei. Há sempre a outra desculpa não menos esfarrapada, embora pouco convincente: teremos tempo quando passarmos para lá do cá, nos outros "carris".

Francisco Moreira

Moscas e Umbigos

Parece que a crise vai passar a CRISE, tal como escrevi: com maiúsculas, bem maiúsculas. E já tem dia anunciado: 24 de Março de 2011, ou seja, amanhã.
As coisas estão "de mal a pior", mas, ou muito me engano - e espero que sim!, vão passar de "pior a catástrofe", já que, com a paragem eleitoral das "dicas e tricas" de discursos opinativos salvadores, parece-me que, muito infelizmente, vamos entrar em coma induzido a caminho do coma profundo.
Não quero tecer considerações quanto às questões partidárias nem tão pouco sublinhar a minha "preferência" nesta matéria mas, dadas as circunstâncias que se avizinham, parece-me que o melhor não está para vir a partir de 5ª Feira. O que está para vir quase de certeza será, para mal de todos e de cada um, o bem pior.
Se o melhor será deixar estar como está? Claro que não.
Acredito que parar o país não será a melhor solução, nem tão pouco retirar-lhe as poucas "moletas" com que se tenta aguentar. E, convenhamos, com esta batalha, porventura, ainda acabamos por perder a guerra.
Pelo que me é dado a perceber, esta pausa de meses (com efeitos de anos) fará bem pior do que o que já temos. E, quando assim é, é melhor não agitar as "moscas" que, neste caso, só estão a olhar para o próprio "umbigo".
Francisco Moreira
sábado, 19 de março de 2011

Contra-Relógio

Com estas tantas novidades catastróficas do "novo" mundo, ando com a sensação de que o relógio já não é o que era. Pressinto que ele se assumiu como sendo do contra e, juntando as duas palavras, transformou-se de vez em contra-relógio.
É. Ando preocupado com os noticiários dos últimos anos, principalmente com aquelas notícias que (lá) não aparecem, sim, aquelas que se escondem em corredores feitos "bunker", na expectativa de que os "poderosos" terão a solução ou o "Euromilhões" para travar o precipício que se anuncia com "gritos" cada vez mais audíveis, inclusive aos olhos.
Ando realmente preocupado com esta nossa "vidinha" de problemas económicos e chatices sociais que, se pensarmos bem, servem de areia para tapar as verdadeiras questões do todo a que pertencemos, embora achando que o nosso mundo mora todo na nossa rua. (temos a mania de que tudo acontece aos outros, e sempre do outro lado de um ou dois oceanos!)
O que está acontecer no planeta? Quem ou o quê está verdadeiramente irritado connosco? Será que estas catástrofes só se notam agora porque há telemóveis que transmitem em directo o que podemos ver no distante sofá?
Hummm! Cheira-me a "esturro", e daquele bem esturricado. Pressinto que não "sabemos da missa a metade" e que, um dia destes, mesmo que não seja por um "WikiLeaks", acabaremos por esbarrar de frente com um "Tsunami" com mais polegadas do que o maior dos "LCD". Sim, daqueles "Tsunami" que limparão o "homem" da cabeça aos pés, e principalmente por dentro.
Só espero é que, no "dia" em que tal acontecer, fiquemos limpinhos... e salvos, para ver se o relógio que nos troca as horas por minutos nos ensina a deixar de dar murros no próprio estômago.
Francisco Moreira

Caracóis

As valetas andam cheias de caracóis, daqueles que, tentando ser pegajosos, conquistam pouco ou quase nenhum rastro, principalmente por serem demasiado lentos, demasiado frágeis, demasiado inúteis, embora, consta-se, também demasiado irritantes, por devoção. Pudera, entre outras características, têm aquela incontornável dificuldade em conseguirem sair da "crosta". E, acredito, muito provavelmente por, nem eles, os caracóis, saberem bem quem são, por onde andam e, no fundo, para onde vão, optando pela política do fel, já que não sabem o que é o mel.
E é vê-los assim, quando se vêem, para ali, na sua esquina semi-invisível feita fortaleza, teimando em dar um ar da sua (pouca) graça, mas - apenas e só! - quando "brilha o sol", ali, e só ali, sempre à espreita de uma oportunidade de acontecerem, embora sem nunca o conseguirem verdadeiramente, talvez por apontarem as antenas para tantos lados, sem eles próprios, ironicamente, terem um lado definido.
É, são uma espécie de "tanto faz", desde que os deixem "rubricar alguma coisa", numa espécie de grito do "Ipiranga", embora em "si menor". (Na música barroca, si menor é considerado como a tonalidade do «sofrimento passivo»)
E pronto, infelizmente, lá temos que levar com eles, quanto mais não seja para percebermos que, na selva, há de tudo um pouco, inclusive a "selvinha" - uma espécie de "Parque Infantil": aquele outro lado, o lado "b" da mesma cassete, o que fica sempre catalogado como insignificante, por muito que tentem repetir o desconhecido refrão.

Francisco Moreira
quinta-feira, 17 de março de 2011

Ponto Vermelho

Há um ponto vermelho que, nesta altura, inunda as nossas televisões sob a forma de "Tsunami" com episódios dramáticos para todos os gostos. Infelizmente, exclamarão (quase) todos.
Esse ponto vermelho, ainda vivo, é, nada mais, nada menos, do que um país de sonho, daqueles onde tudo estava ordenado e perfeitamente controlado, alicerçado numa sociedade evoluída a todos os níveis.
E agora? Sim, e agora, no epicentro de algo que, consta-se, ainda vai nos preliminares? Será que o Japão conseguirá sobreviver a um ataque às suas entranhas? Um ataque incontrolável que se prevê poder vir a ser cimentado por cicatrizes de vários níveis? Será que este aviso da natureza (mais um!"), mesmo que emitido em versão "woldwide", conseguirá ensinar-nos a deixar de abrir feridas em nós mesmos em troca de um lema que, no fundo, pode ser resumido no corriqueiro: "dá cá aquela palha"?!
Há um ponto vermelho, aparentemente distante, que poderá entrar em coma profundo caso os piores "prognósticos" se assumam como ultimato a um mundo de gente que teima em achar que manda e que domina o planeta.
Na verdade, o que mais me impressiona é a leveza com que continuamos a transportar os nossos umbigos, como que - mesmo à custa de imagens de latejar - a não perceber nem querer aceitar o que está a acontecer.
Em segundos, tudo aquilo que nos tem impressionado deixa de ser tão importante, como se, ironicamente, estivéssemos a sair de uma sala de cinema, onde o filme nos chocou mas permite-nos limpar as lágrimas a um lenço de papel, daqueles que custam cêntimos e que, depois de usados, tratamos como lixo, como tóxico.
Caso ainda não tenhamos percebido: provavelmente já não são os cêntimos que controlam o planeta, eles apenas gerem os ténues fios de seda com que "marionetamos" o mundo, este poderoso e incontrolável desconhecido que está lotado de pontos vermelhos adormecidos avidos por despertarem para a "revolta do coma", ao jeito de um valente estalo dado pelo Pai aos seus insubordinados e irresponsáveis filhos.

Francisco Moreira

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