quinta-feira, 31 de março de 2011

Nada

Por muito que se diga valorizar pouco o dinheiro, na verdade, a gigante maioria valoriza-o, e muito, principalmente a grande parte, aquela que sente a falta dele. E isso é perfeitamente compreensível. Afinal, convenhamos, todos deveríamos ter o direito de ter noites descansadas sem pensar nele, no dinheiro, todos deveríamos poder realizar um ou outro sonho sem ser impedido por ele, pelo dinheiro.

E tudo isto para destacar as pessoas que, como eu, na verdade, não o valorizam por aí além, as pessoas que não estão à espreita da oportunidade para ganhar mais um ou dois cêntimos, as pessoas que não ficam sequiosas por chegar ao pote do tesouro, tostão a tostão, as pessoas que ainda agem como se houvessem coisas mais importantes do que o dinheiro, e há-as, muitas, mesmo não parecendo, mesmo não o publicitando.

Pego neste contexto para me referir a uma pessoa que, sem razões para o fazer, mostrou ser mais um exemplo disso mesmo, do todo que, tantas vezes, valoriza o prazer em ser útil em detrimento do tesouro, independentemente do número de cifrões que ele possa ter.

Não, não vos vou contar a história, não é assim tão importante. Importante é sentir-se que, afinal, ainda há pessoas que ganham dinheiro porque têm contas para pagar mas que, em determinadas envolvências, preferem ganhar mais do que dinheiro, ou seja: nada, sendo que o nada os pode fazer sentir muito, e, neste caso, a mim também. Obrigado por "nada".


Francisco Moreira
quarta-feira, 30 de março de 2011

Altar

Gosto de pessoas com fé, principalmente em si mesmas, nos seus sonhos, desejos, ideais, pessoas que acreditam no poder do tentar, mesmo quando as "pedras" do caminho as deixam de vontade nua, despidas de força, naquele instante em que soam convites do desistir mas que, no instante seguinte, graças a uma qualquer "pilha mental", incentivam-se a recuperar energias e a avançar, independentemente dos estalos que possam regressar...

E é assim que se vive verdadeiramente, descobrindo, insistindo, acreditando, aprendendo... E quem nunca caiu que erga a primeira pedra!

Gosto de pessoas com garra, com vontade, pessoas que, mesmo sem nada, embora com tudo, desafiam-se a si próprias numa espécie de luta entre o eu e o eu, na procura constante de um acontecer melhor, com mais ser, independentemente das medalhas de "parra" que possam ter vindo a coleccionar.

E é assim que se vive verdadeiramente, com fé, mesmo quando o sonho, de tão nu, ao olhar dos outros, parece irrealizável, parece perdido, parece uma miragem...

A fé, há que dizê-lo, nunca está nua, nus estão os pensamentos de quem não conhece o poder do acreditar, já que a vida, creia-se ou não (e não me refiro a religiões!), é um altar do qual se vê o horizonte despegado de "vestes" e sempre com uma luz para lá de qualquer que seja o túnel.


Francisco Moreira
segunda-feira, 28 de março de 2011

Sarrabiscos

Ando com saudades de escrever, mesmo escrevendo todos os dias, ou quase todos os dias. Acho que estou a precisar de férias do "resto" para me dedicar quase por completo à escrita, àquela que não é feita nos intervalos e intervalinhos, como que determinando(me) que não convém não perder o balanço, para não entrar no vazio do "deixar de dizer".

É, é isso, vou tentar meter uns dias de férias para me intoxicar de palavras, uma semana destas. Sei que pode não valer de nada, mas gosto de escrever, e tenho pena de, para o fazer, andar sempre à cata de tempos e tempinhos para poder continuar a afirmar que há palavras que ficam, mesmo que não valham nada, mesmo que saibam a pouco, mesmo que não passem disso mesmo, de palavras ou palavrinhas.


Francisco Moreira
sábado, 26 de março de 2011

...

quinta-feira, 24 de março de 2011

Talvez, Talvez

Não faltam passarinhos a "cantar de galo", seja na política que fica do outro lado do mundo ou no café que fica por debaixo do nosso chão. E, por um lado, ainda bem que assim é. É sinal de que não temos que nos limitar a "ouvir e calar", nem nós nem os outros: aqueles que conseguem erguer a voz mais alto do que nós.
Não sei se é uma espécie de "síndroma" Português, mas todos nos arvorámos conhecedores e entendidos em quase tudo o que é matéria, quanto mais não seja pelo que lemos nos jornais, muitas das vezes induzidos pelos bons e maus induzidores: os que são "comentaristas" e os que apreciam que os intitulem de "fazedores de opinião".
Todos eles, uns mais do que outros - e isso depende muito da "montra", conseguem conquistar um papel importante na sociedade, basta ver a importância que os políticos lhes dão, independentemente do lado do muro em que possam estar. E, não menos interessante, conseguem que um "quadradinho de última página" (mesmo que esta seja a página 13) obtenha mais "resultados" do que um "prime-time" televisivo. Chama-se a isto ter e ser "peso".
Eu próprio aprecio um ou outro "comentarista", ao ponto de fazer questão de os ler com a regularidade. E, em alguns casos, chego a identificar-me bastante com a linha de pensamento que é seguida, principalmente quando os "pormenores linguísticos" são usados com precisão e não como "masturbação intelectual".
Aqueles de quem menos gosto, os tais "fazedores de opinião", são os que batem no "ceguinho" todos os dias, todas as semanas, todos os meses, todos os anos, toda a vida. Se existem? Sim, existem, e ainda à pouco estive a ler um deles, embora, tal como nos outros dias, com vontade de desistir a meio, mas sem desistir. (puro masoquismo)
Por outro lado, o que mais gosto nos "comentaristas" é a forma como alguns deles dominam os vocábulos, ao ponto de, em meia-dúzia de caracteres, conseguirem dizer aquilo que outros demoram uma eternidade, e daquelas eternidades que nos deixam indecisos entre o "talvez sim", o "talvez não" e, pior ainda, entre o "talvez, talvez".
Já se percebeu que gosto muito mais de "comentaristas" do que "fazedores de opinião". Porquê? Porque prefiro ser eu a ter opinião sobre um comentário do que ter um comentário a exigir que eu o assine por baixo, talvez pelo facto de o seu autor achar que a minha opinião é a que ele dita.
Francisco Moreira
quarta-feira, 23 de março de 2011

Ouvidos Moucos

Passamos os dias a falar demais, mesmo quando o número de ouvintes se reduz significativamente, e com tendência para aumentar.
Há uma falta de paciência descomunal que leva a que já poucos suportem ouvir os problemas dos outros, exceptuando, claro, aqueles que deliram com o facto de "o vizinho estar pior do eu".
E isso é preocupante, principalmente em sociedade, se é que ainda somos uma sociedade: conjunto de seres humanos que partilham o mesmo espaço, independentemente dos metros quadrados que o mundo de cada um possa alcançar.
Onde param as longas conversas sobre tudo e sobre nada? Onde param as tertúlias sobre isto e aquilo? Onde param os passeios por aqui e por acolá? Onde param as pessoas, estas e as outras? Onde nos encontramos? De que maneira nos reencontramos?
É. Há uma galopante perda no conceito social global. E isso acontece em grande parte potenciado pelos receios que são impingidos pelo "mal-estar" provocado pelas notícias bizarras deste mundo. Há mesmo quem prefira estar "caladinho", não vão "as paredes voltarem a ter ouvidos"... E, pelos vistos, têm-nos sempre prontos para saberem da "última".
E é neste conjunto de questões que, dia após dia, nos vamos apercebendo de que a confiança nas pessoas está a perder crédito, está a perder assinatura, está a diluir-se, e sem retorno à vista.
Se, por um lado, todos gostariam de poder falar abertamente com todos, do outro lado, há cada vez mais adeptos do célebre "ouvidos mais ou menos moucos" em função do coeficiente de importância que a informação possa ter para o suposto interlocutor.
Porquê? Porque, na verdade, os ouvidos já quase só se abrem para espremer o que lhes interessa e não o que as bocas tentam transmitir, ou, se preferirmos, tudo o que não tenha espinhos não é merecedor de ser considerado notícia.
Francisco Moreira

Justo e Pecador

Ouve-se dizer que é cada vez mais difícil distinguir o bem do mal e, não menos preocupante, é "pagar o justo pelo pecador". Mas isso não quer dizer que se devem baixar os braços porque o mal - diz-se! - acaba sempre por limitar ou derrotar o bem, e de forma inglória.
O bem e o mal devem ser encarados como uma espécie de balança, agindo e funcionando como uma espécie de contra-medida, como que, através de um, possamos avaliar melhor o outro.
O bem e o mal não são de hoje. Hoje dão é mais nas vistas, por assim dizer. Eles sempre existiram, sempre existirão, queiramos ou não.
Mas, se assim é - perguntarão muitos: para quê continuar a insistir no bem quando, aparentemente, é muito mais rápido e fácil desenvolver o mal?
Cada um pode falar por si, logicamente. E "cada sentir, cada sentença".
Cá para mim, prefiro não ganhar exercendo o bem do que, à custa do mal, ter uma factura a pagar, e em não sei quantas vezes. É que, como em tudo na vida, há sempre lugar para a "causa-efeito" e, bem vistas as coisas, mesmo que o efeito do bem não seja tão veloz como o efeito do mal, estou em crer de que, na contabilidade final, quem paga as favas não será o justo mas sim o pecador.
Francisco Moreira
terça-feira, 22 de março de 2011

Ponto-Morto

Acho que já não sabemos o que é o "ponto-morto". E não me refiro apenas ao "ponto-morto" dos automóveis, refiro-me ao dos nossos passos, ao dos nossos pensamentos, ao dos nossos sentires, ao dos nossos aconteceres e, principalmente, ao do nosso ser(-se).
Está tudo e estamos todos constantemente em excesso de velocidade. E o pior é que continuamos a infringir os limites mesmo quando estamos parados, mesmo quando não tem razão de ser, e por nada deste mundo, quanto mais em nome de um outro qualquer.
Se não é o relógio, é o pensamento, se não é o pensamento, é o sentir, se não é o sentir, é o olhar, se não é o olhar, é o acontecer, se não é o acontecer, é o sobreviver, se não é o sobreviver, é o aprender, se não é o aprender, é o não poder perder, se não é o poder perder, é o ter que ser, se não é o ter que ser, é o viver... E mesmo quando não é o etc., é o outro etc.!
Ufa! Será que só o entendemos quando saímos dos carris e o sentimos na pele?! Será assim tão imprescindível ter que se andar sempre em 5ª, 6ª ou 7ª velocidade, e 7 dias por semana?!
Vá! Não me venham com a desculpa esfarrapada de que a dormir estamos sempre em "ponto-porto", quer o mundo queira ou não queira. Em "ponto-morto", a dormir?! Como?! Se já nos ensinamos a dormir a correr?!
Já sei. Há sempre a outra desculpa não menos esfarrapada, embora pouco convincente: teremos tempo quando passarmos para lá do cá, nos outros "carris".

Francisco Moreira

Moscas e Umbigos

Parece que a crise vai passar a CRISE, tal como escrevi: com maiúsculas, bem maiúsculas. E já tem dia anunciado: 24 de Março de 2011, ou seja, amanhã.
As coisas estão "de mal a pior", mas, ou muito me engano - e espero que sim!, vão passar de "pior a catástrofe", já que, com a paragem eleitoral das "dicas e tricas" de discursos opinativos salvadores, parece-me que, muito infelizmente, vamos entrar em coma induzido a caminho do coma profundo.
Não quero tecer considerações quanto às questões partidárias nem tão pouco sublinhar a minha "preferência" nesta matéria mas, dadas as circunstâncias que se avizinham, parece-me que o melhor não está para vir a partir de 5ª Feira. O que está para vir quase de certeza será, para mal de todos e de cada um, o bem pior.
Se o melhor será deixar estar como está? Claro que não.
Acredito que parar o país não será a melhor solução, nem tão pouco retirar-lhe as poucas "moletas" com que se tenta aguentar. E, convenhamos, com esta batalha, porventura, ainda acabamos por perder a guerra.
Pelo que me é dado a perceber, esta pausa de meses (com efeitos de anos) fará bem pior do que o que já temos. E, quando assim é, é melhor não agitar as "moscas" que, neste caso, só estão a olhar para o próprio "umbigo".
Francisco Moreira
sábado, 19 de março de 2011

Contra-Relógio

Com estas tantas novidades catastróficas do "novo" mundo, ando com a sensação de que o relógio já não é o que era. Pressinto que ele se assumiu como sendo do contra e, juntando as duas palavras, transformou-se de vez em contra-relógio.
É. Ando preocupado com os noticiários dos últimos anos, principalmente com aquelas notícias que (lá) não aparecem, sim, aquelas que se escondem em corredores feitos "bunker", na expectativa de que os "poderosos" terão a solução ou o "Euromilhões" para travar o precipício que se anuncia com "gritos" cada vez mais audíveis, inclusive aos olhos.
Ando realmente preocupado com esta nossa "vidinha" de problemas económicos e chatices sociais que, se pensarmos bem, servem de areia para tapar as verdadeiras questões do todo a que pertencemos, embora achando que o nosso mundo mora todo na nossa rua. (temos a mania de que tudo acontece aos outros, e sempre do outro lado de um ou dois oceanos!)
O que está acontecer no planeta? Quem ou o quê está verdadeiramente irritado connosco? Será que estas catástrofes só se notam agora porque há telemóveis que transmitem em directo o que podemos ver no distante sofá?
Hummm! Cheira-me a "esturro", e daquele bem esturricado. Pressinto que não "sabemos da missa a metade" e que, um dia destes, mesmo que não seja por um "WikiLeaks", acabaremos por esbarrar de frente com um "Tsunami" com mais polegadas do que o maior dos "LCD". Sim, daqueles "Tsunami" que limparão o "homem" da cabeça aos pés, e principalmente por dentro.
Só espero é que, no "dia" em que tal acontecer, fiquemos limpinhos... e salvos, para ver se o relógio que nos troca as horas por minutos nos ensina a deixar de dar murros no próprio estômago.
Francisco Moreira

Caracóis

As valetas andam cheias de caracóis, daqueles que, tentando ser pegajosos, conquistam pouco ou quase nenhum rastro, principalmente por serem demasiado lentos, demasiado frágeis, demasiado inúteis, embora, consta-se, também demasiado irritantes, por devoção. Pudera, entre outras características, têm aquela incontornável dificuldade em conseguirem sair da "crosta". E, acredito, muito provavelmente por, nem eles, os caracóis, saberem bem quem são, por onde andam e, no fundo, para onde vão, optando pela política do fel, já que não sabem o que é o mel.
E é vê-los assim, quando se vêem, para ali, na sua esquina semi-invisível feita fortaleza, teimando em dar um ar da sua (pouca) graça, mas - apenas e só! - quando "brilha o sol", ali, e só ali, sempre à espreita de uma oportunidade de acontecerem, embora sem nunca o conseguirem verdadeiramente, talvez por apontarem as antenas para tantos lados, sem eles próprios, ironicamente, terem um lado definido.
É, são uma espécie de "tanto faz", desde que os deixem "rubricar alguma coisa", numa espécie de grito do "Ipiranga", embora em "si menor". (Na música barroca, si menor é considerado como a tonalidade do «sofrimento passivo»)
E pronto, infelizmente, lá temos que levar com eles, quanto mais não seja para percebermos que, na selva, há de tudo um pouco, inclusive a "selvinha" - uma espécie de "Parque Infantil": aquele outro lado, o lado "b" da mesma cassete, o que fica sempre catalogado como insignificante, por muito que tentem repetir o desconhecido refrão.

Francisco Moreira
quinta-feira, 17 de março de 2011

Ponto Vermelho

Há um ponto vermelho que, nesta altura, inunda as nossas televisões sob a forma de "Tsunami" com episódios dramáticos para todos os gostos. Infelizmente, exclamarão (quase) todos.
Esse ponto vermelho, ainda vivo, é, nada mais, nada menos, do que um país de sonho, daqueles onde tudo estava ordenado e perfeitamente controlado, alicerçado numa sociedade evoluída a todos os níveis.
E agora? Sim, e agora, no epicentro de algo que, consta-se, ainda vai nos preliminares? Será que o Japão conseguirá sobreviver a um ataque às suas entranhas? Um ataque incontrolável que se prevê poder vir a ser cimentado por cicatrizes de vários níveis? Será que este aviso da natureza (mais um!"), mesmo que emitido em versão "woldwide", conseguirá ensinar-nos a deixar de abrir feridas em nós mesmos em troca de um lema que, no fundo, pode ser resumido no corriqueiro: "dá cá aquela palha"?!
Há um ponto vermelho, aparentemente distante, que poderá entrar em coma profundo caso os piores "prognósticos" se assumam como ultimato a um mundo de gente que teima em achar que manda e que domina o planeta.
Na verdade, o que mais me impressiona é a leveza com que continuamos a transportar os nossos umbigos, como que - mesmo à custa de imagens de latejar - a não perceber nem querer aceitar o que está a acontecer.
Em segundos, tudo aquilo que nos tem impressionado deixa de ser tão importante, como se, ironicamente, estivéssemos a sair de uma sala de cinema, onde o filme nos chocou mas permite-nos limpar as lágrimas a um lenço de papel, daqueles que custam cêntimos e que, depois de usados, tratamos como lixo, como tóxico.
Caso ainda não tenhamos percebido: provavelmente já não são os cêntimos que controlam o planeta, eles apenas gerem os ténues fios de seda com que "marionetamos" o mundo, este poderoso e incontrolável desconhecido que está lotado de pontos vermelhos adormecidos avidos por despertarem para a "revolta do coma", ao jeito de um valente estalo dado pelo Pai aos seus insubordinados e irresponsáveis filhos.

Francisco Moreira

terça-feira, 15 de março de 2011

Peão

O xadrez nunca me entusiasmou, mesmo acreditando que certamente se trata de um jogo interessante, daqueles que, muito provavelmente, se eu me desse ao trabalho de o tentar entender, acabaria por me cativar. Mas não. Não sou grande fã de jogos. Acho-me mesmo um potencial candidato a dependente e, quanto a vícios, prefiro limitar-me aos poucos que já tenho.
Sei que, nos dias que correm, em tudo quanto é tabuleiro deste planeta, não falta quem seja peão e quem, mesmo sem cavalo, se anuncie como Rei ou Bispo, sempre à espera daquela nesga de oportunidade que permita o "xeque-mate". Mas isso não me entusiasma. Prefiro a leveza dos gestos, a autenticidade das jogadas, a clareza das opções, mesmo quando se perde, mesmo quando alguém se assume como peão.
E é aqui que quero chegar: ao ser-se peão. Todos o somos, mesmo aqueles tantos que tentam provar o contrário. Todos acabamos por sofrer os empurrões deste e daquele, independentemente dos escudos e armas que julguemos ter. Mais, mesmo no calendário das vitórias, convenhamos, todos acabamos por coleccionar derrotas, porque assim tem que ser e assim deve ser neste percurso de subidas e descidas, tantas vezes em paralelos feitos de silêncio, mesmo que ensurdecedor.
E que mal tem perder-se? Que mal fará ao mundo não se jogar, mesmo quando não param de jogar connosco?
Provavelmente não faltarão respostas com argumentos mais do que fiáveis para estas perguntas... Mas,... e daí?! Será mais importante aplicar um "xeque-mate" ou deixar que o "xeque se mate"?
Porquê? Talvez pela simples razão de que, quanto a tabuleiros, prefiro os do chá, aquele que tem hora marcada e que nos permite escolher o aroma com que mais nos identificamos.
Francisco Moreira
sábado, 12 de março de 2011

Eles preferem as...

Consta-se que os homens preferem as... misteriosas. E principalmente quando continuam e sabem continuar a ser misteriosas, independentemente de nós, homens, nos dizermos cansados de tantos mistérios. Assim sendo, e assente nesta base nada científica, fica-se com a ideia de que, na verdade, findos os mistérios, porventura, lá se irá o interesse, lá se irá a relação ou, quando muito, passar-se-á para a indesejada ralação. Será?!
Eu acredito que sim. E definitivamente.
Mais do que loiras, morenas, carecas, ruivas ou multicolores, os homens preferem as mulheres, e isto apesar da cada vez maior concorrência de elementos do mesmo sexo. Os homens preferem as mulheres que sabem ser mulheres, as mulheres que gostam de ser mulheres, ou seja: misteriosas.
E o que é uma mulher-mulher? Perguntem-lhes a elas! (sorrisos)
E tem piada. Sim, tem piada esta maneira de se gostar dos mistérios, de se sentir ou achar que é a "brincar às escondidas" que as coisas têm e terão mais sabor, seja ele, em termos de resultados, azedo, agridoce, salgado ou preferivelmente picante.
Os homens preferem as misteriosas, aquelas que, independentemente de outros "atributos", possam mexer-lhes com outros "cordelinhos", aqueles que estão por detrás do olhar, os que agitam o pensamento... E, na minha óptica, há uma forte razão para que tal aconteça, embora, e uma vez mais, sem qualquer base científica. Os homens gostam de sentir que conduzem quando são conduzidos, não pelas mulheres mas sim pelos mistérios delas... (sorrisos)
Quando uma mulher começa a mexer com um homem, na verdade, ela não passa de uma "suposição", algo "pouco definido", uma espécie de imagem em "3D" que, por mais perto que se esteja dela, ela ainda está e estará a uma distância considerável. A mulher, num primeiro impacto, é um autêntico mistério, algo com que os homens não sabem lidar, mesmo que tentem dar um "ar" disso...
Em resumo, se se quiserem dar ao trabalho de ler este meu conselho, de maneira a tirarem o maior partido de uma próxima "situação", recomendo que as mulheres nunca revelem completamente quem são (que é o que já fazem! - risos) e que os homens nunca façam por saber tudo o que anseiam desde o primeiro instante.
Será?! Claro.
Pensem assim: o mistério das mulheres é dos poucos com os quais os cientistas não se metem. (sorrisos)

Francisco Moreira
quinta-feira, 10 de março de 2011

3 Segundos

Por vezes, fico com a ideia de que aprenderíamos imenso se, de repente, mudássemos todos, e ao mesmo tempo, de país, quanto mais não fosse para aprendermos a valorizar o que temos e a ver por outros ângulos o que não temos.
Estou certo de que, num ápice, à custa dessas lições impostas, perceberíamos de uma vez por todas que, se calhar (!?), somos uns privilegiados, apesar das tantas reclamações que trazemos na ponta da língua.
Por instantes, e para que se perceba um pouco melhor onde quero chegar, imaginemos que passaríamos a viver num daqueles tantos pedaços deste planeta onde não há tempo para se ter fome, apesar do excesso de tempo para fazer tudo o que por cá alegamos não ter tempo para fazer.
Imaginemos que passaríamos a viver numa sociedade onde prevalece (mesmo!) a lei do mais forte, aquela onde um "Ui" significaria um "Fui" final.
Imaginemos que passaríamos a sobreviver e não a viver, aquilo que, na verdade, por cá, ainda nos é "permitido" fazer, independentemente das circunstâncias mais ou menos vantajosas com que nos deparamos.
Pois. Isso sim, seria uma grande lição, e daquelas que jamais esqueceríamos.
Pena é que estas lições, na prática, não passem de lições "solúveis", daquelas que só recordamos com o apoio de auxiliares de memória e que, ao fim de 3 segundos, deixam de fazer parte do nosso pensamento, talvez porque tenhamos demasiadas "tragédias" para remendar, daquelas "tragédias" que, infelizmente, comparadas com as outras - as verdadeiras - não passam de meros pormenores, e alguns deles sem "nenhuma" importância.
Francisco Moreira
quarta-feira, 9 de março de 2011

Papel Higiénico

Esta é uma daquelas imagens que, nos dias que correm, graças aos apertos monetários, volta a estar em voga, podendo assim associar-se a falta de "papel higiénico" à falta do outro "papel".
Penso que nunca se olhou tantas vezes para o saldo bancário, que nunca se esticou tanto os prazos de pagamento, que nunca se pensou tanto no: "E se não me pagarem?!", isto, claro, para não me alongar nos exemplos, muitos deles de fértil imaginação, à força, porque os saldos assim o exigem.
Voltando à relação entre a falta de dinheiro e a falta de papel higiénico, logicamente que, a esta hora, já muitos recorreram ao palavrão que melhor define a situação, o tal que começa pela letra "M" e que termina em "A" e que pode ser acrescentado à frase: "Isto está uma...!", como facilmente se percebe.
Indo ainda mais longe nesta alusão à imagem - cómica quanto baste, quase apetece relembrar que não falta quem ande com as calças pelos joelhos, por mais apertado que esteja o cinto, e que já nem as gravatas conseguem esconder os défices que não param de crescer, mesmo junto daqueles a quem o saldo não começa com o sinal negativo.
Em jeito de remate, teremos que chegar à infeliz conclusão de que, ao contrário de outros tempos, actualmente, a casa-de-banho serve mais para ler estratos bancários do que jornais desportivos. Só é pena que o papel dos estratos seja menos macio do que o dos jornais, consta-se.
Francisco Moreira
segunda-feira, 7 de março de 2011

Bom Carnaval

Sejam mais ou menos fãs do Carnaval, permitam que vos enderece votos de uns dia divertidos, sem esquecer de, mesmo fantasiados, continuarem a não usar máscara.
Francisco Moreira
quinta-feira, 3 de março de 2011

Lazer

Gostava de ter paciência para me dedicar a lazeres do tipo do que a imagem documenta. Não sei, acho que devem fazer bem à "cabeça", quanto mais não seja para esfriá-la, esvaziá-la e, acima de tudo, usá-la sem pressão para tomar determinadas decisões, sem esquecer o prazer que determinados desportos devem proporcionar a quem os pratica.
Mas, infelizmente, nem me atrevo a dar-lhes uma hipótese de que façam com que me apaixone por eles. Sim, é uma questão notória de falta de paciência, conseguindo ela, a paciência, que eu me recuse qualquer tipo destes convites.
Em resumo, acredito que em determinadas alturas, deveríamos praticar mais desporto, principalmente daquele que nos convida a usar a mente de maneira diferente, com outras perspectivas, com mais silêncio, de maneira a poder-se ouvir melhor a vida.
Francisco Moreira

Regresso?

Hoje, precisamente 2 meses e 3 dias depois de me despedir de um palco que sempre apelidei de "Santuário", voltarei a cantar, voltarei a apresentar Karaoke, findo que está, para mim, o ciclo Vice Versa.
Talvez por isso, e para que não se confunda o meu regresso com o meu recomeço, apraz-me dizer que sinto que este novo Concurso é uma forma de poder voltar a fazer algo de que gosto muito: apresentar pessoas que se sentem bem a cantar, independentemente de encararem o palco de forma mais profissional ou amadora.
No fundo, gosto de BOM Karaoke, daquele que fui tentando incutir ao longo de mais de uma década e meia, um Karaoke com qualidade, com profisionalismo, com emoções e essência, porque é desta maneira que vejo e sempre vi este tipo de entretenimento.
Sei que não estarei sozinho, mas também sei que lidarei com novas pessoas, novos sentires, inclusive porque as abordagens serão feitas num outro espaço e em circunstâncias bem diferentes daquelas a que eu - e muitos! - estarão habituados. Mais, o que está previsto, há vários meses - há que sublinhá-lo, é a realização de um concurso ao nível dos que eu e as pessoas que me acompanham estão habituadas, e é esse o meu principal objectivo. Não é liquido que me mantenha no Karaoke, independentemente deste recomeço, tanto mais que - e como tenho vindo a repetir vezes sem conta - o meu principal objectivo em sair do Vice Versa foi passar a ter (finalmente) fins-de-semana, e esse objectivo mantém-se, razão pela qual escolhi as noites de 5ª feira para esta nova etapa.
Por último, pelo menos para já, quero revelar que estou a sentir um nervoso miudinho que já não sentia à bastante tempo... Porquê, principalmente para quem passou grande parte da sua vida em palcos? Porque encaro cada início como único, cada espaço como diferente, cada público como uma nova experiência. E, mais logo, no Clube Pimenta, em Matosinhos, espero e desejo não decepcionar a minha equipa, os meus amigos, os meus conhecidos, o meu novo público.
Let's Go!
Francisco Moreira
quarta-feira, 2 de março de 2011

Besouros

Consta-se que, nos dias que correm, todos querem falar mas poucos tem paciência para ouvir, e não me refiro aos "fala-barato" como eu, refiro-me ao todo que somos, envolvidos que estamos - e cada vez mais! - nesta sociedade de ruídos mil, daqueles que nos chegam pelas mais diversas vias, incluindo as que não se propagam pelo som.

É triste quando se quer expressar algo e o receptor "faz de conta", para não lhe chamar o típico: "ouvidos de mercador". É triste ver-se e sentir-se a decadente escada do desinteresse geral a transformar-nos em besouros, autênticos besouros.

Mas, na verdade, o maior problema está no não nos apercebermos disso mesmo, continuando a falar sem pausas, inclusive sozinhos, como que teimando em comprovar que alguém nos há-de ouvir, quanto mais não seja pela insistência ou pelo elevar do tom de voz.

Das duas uma: ou estamos a ficar surdos ou, pura e simplesmente, não queremos ser incomodados pelas histórias dos outros, certos de que (apenas) as nossas merecem plateia.

Em que é que isto vai dar? Em silêncio, embora ruidosamente destrutivo, em termos de sociedade, em termos de relações.

Francisco Moreira

terça-feira, 1 de março de 2011

Carrocel

Gosto de ler o mundo, de aprender com as tantas histórias que ele nos conta, instante a instante, ao virar de uma página, ao canto de um noticiário, aqui, bem ao nosso lado, na esquina de uma rua.
O mundo, este - onde somos personagens e realizadores, é realmente interessante, por mais bizarrices com que se apresente, por mais lágrimas e sorrisos com que nos tempere.
Por vezes, ironizando, confundo-o com um dos inúmeros carroceis das antigas "feiras populares", com aqueles brinquedos para todos os gostos e feitios, dos mais suaves aos compêndios de adrenalina.
E é assim que vivemos, olhando para nós, embora tantas vezes à custa do umbigo dos outros, aqueles que, caso não tenhamos reparado, são feitos (também) daquilo com que semeamos o nosso dia a dia, com mais ou menos afectos, com mais ou menos consciência, com mais ou menos empenho, com mais ou menos feridas.
É, o mundo é isto e aquilo, embora, convenhamos, para já, é o único que temos, independentemente das fichas que possamos ou julguemos ter na mão.
Francisco Moreira
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Óscar de Plástico

Esta madrugada, já depois de uma longa conversa com a travesseira, uma insónia convidou-me a trocar a cama pelo sofá, com o pretexto de recordar as tantas maratonas que fiz a ver os "Óscar".
E foi o que fiz, embora, confesso, arrependendo-me, já que fiquei até ao fim (aquilo, no meu tempo, acabava às 6H30 da manhã!) a muito custo, com as pálpebras a insistirem em outros filmes, noutro cenário.
Fiquei decepcionado, e com quase tudo, a começar pela apresentação, pelas apresentações, pela falta de um Billy Cristal - que até apareceu surpreendentemente, tal como a gravação do Obama.
De resto, dei comigo a torcer pelo "Toy Stoy 3", o filme que mais vi em 40 anos de vida, ou melhor, um filme que vejo quase todos os dias e há já vários meses. Porque gosto? Não, mesmo gostando, porque quem manda no comando é o Anjo que tenho lá em casa, e este "Toy Story 3" foi o primeiro filme que ele viu de princípio ao fim, e mais vezes do que os "posteriores" "Toy Story 2" e "Toy Story 1", viu e continua a insistir em ver.
Voltando aos "Óscar", permitam que diga que, pelo que vi, aquilo deixou de ter a piada que tinha, deixou, inclusive, de ter o "glamour" que tinha, deixou de me cativar, principalmente a partir desta madrugada.
Quanto aos vencedores e aos vencidos, por outro lado, não me alongo em comentários pois, pelo que percebi, ainda não vi nenhum dos filmes que esta madrugada erguerem estatuetas, talvez por andar demasiado ocupado a ver vezes sem conta o melhor filme de sempre: o "Toy Story" da minha vida.
Francisco Moreira
sábado, 26 de fevereiro de 2011

Bom Fim-de-Semana

Já que se conta que o fim-de-semana (ainda sem acordo ortográfico) foi feito para saborear, não arranjem desculpas para não o aproveitarem. Mais ainda quando, à 2ª feira, fartam-se de arranjar motivos para chegar depressa ao fim da semana. (sorrisos)
Aproveitem-no, mesmo!

Francisco Moreira
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Indecifrável

Faço parte daquele grande (ou pequeno?!) grupo de pessoas que mal consegue ler o que escreve, à mão. Sim, reconheço que tenho uma letra horrível, indecifrável.
E, pior do que isso, é o facto de escrever em maiúsculas há cerca de duas décadas, numa, então, fuga para a frente que, pensava eu: permitiria que eu e os outros começassem a perceber alguns dos meus gatafunhos.
Queixo-me da minha escrita de cada vez que tenho que assinar alguma coisa, especulando sobre o que, por exemplo, levará os bancos a debitarem os cheques que assino, já que não há uma única assinatura "parecida". Confesso que são poucas as letras que lá consigo escrutinar.
Ainda bem que inventaram esta coisa estranha chamada teclado, a que me permite ler e dar a ler o que escrevo, já que, da outra forma, acreditem (!), a esta hora, já teria desistido de escrever, tão simplesmente por não conseguir traduzir a palavra anterior.
Francisco Moreira
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Ar


Ontem, nem pequeno vídeo, assisti a uma palestra interessante, daquelas que vão de encontro ao que penso em termos de vida, em termos do que somos, enquanto partes de um todo, e, principalmente, do que devemos ser neste mundo onde vivemos, nesta "passagem para outras paragens"...
Em resumo, na tal palestra, em jeito de "Stand up Comedy" de assuntos sérios ditos a "brincar", tenta-se passar a ideia de que tudo "isto" é um puzzle e que nós somos peças desse "puzzle", tendo, por isso, que nos esforçar por cumprir da melhor maneira a nossa tarefa, a de fazer o melhor possível por nós (peças de puzzle) e por aquelas pequenas peças que nos estão mais próximas, também elas peças do mesmo puzzle.
No fundo, e em resumo do que foi dito perante uma plateia "embriagada" com aquele simples "dizer", acrescenta-se que, se todos cumprirmos esse objectivo, poderemos construir um lugar melhor para viver e, acima de tudo, conviver, encaixando uns nos outros, criando a tal "imagem", o tal mundo, este.
Eu, aproveitando-me desta imagem - a que está lá em cima, tento ir um pouco ainda mais longe, propondo que façamos (mais) por ser pedaços de um mesmo coração, desta feita com balões de oxigénio (do puro!), de maneira a conseguirmos construir um coração global mais forte, mais vivo, mais unido, assente em emoções positivas, assente na entreajuda, assente no agir, por nós e pelos que nos são mais próximos.
Por isso, se calhar, se, em vez de conspurcarmos o nosso balão com gestos cinzentos e lhe tentarmos dar um outro "ar", certamente que conseguiremos um pulmão muito mais limpo, fazendo do corpo humano o todo onde se está "de melhor" para com a vida em comum.
Francisco Moreira
* Para quem quiser perceber melhor aquilo a que me refiro, RECOMENDO VIVAMENTE que pense no que poderá ouvir, clicando neste endereço: http://www.youtube.com/watch?v=mGCokwtlU7U
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Plim

Todos, ou quase todos, são crentes em conseguirem resolver num ápice todos os problemas e sonhos financeiros, seja à custa de um "Euromilhões", de um site de apostas, de uma herança bem-vinda de um familiar desconhecido ou porventura de um outro golpe de sorte qualquer. Mas sempre com a esperança de que esse minuto da transformação aconteça, que esse alavancar seja uma realidade, porque é justo, porque é mais interessante, no fundo: porque convém.
É, o dinheiro não sai da cabeça das pessoas, principalmente quando há falta dele, daquele "plim" que, por outro lado, alegamos ser de valor relativo, de ser útil para auxiliar outros, mas, claro, sem nos esquecermos de nós, nunca.
Gostaria de conhecer quem teve essa brilhante ideia de inventar o dinheiro. Para quê? Para lhe perguntar, "apenas", onde estava com a cabeça quando se lembrou de tal bizarrice, a bizarrice que faz tanta gente perder a cabeça.
Francisco Moreira
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Gato

Não gosto de histórias com "gato" e muito menos de pessoas com "gato". E, atenção, isso não quer dizer que não aprecie o animal, em si. É que gosto de gatos, não destes, dos outros, dos autênticos. (tive uns 20 gatos verdadeiros ao longo da minha vida, e uns 1000 dos "outros")
Só não gosto é de tudo o que tem "gato" ainda por cima em versão "lebre", e daquelas "lebres" que mais parecem adquiridas em fim de estação, por imposição ou então numa das lojas orientais, deixando-nos a dúvida quanto à qualidade...
Gosto de histórias simples, com rosto, sem maquilhagem, por mais fantásticas e pouco credíveis que pareçam. Gosto dos olhares sem lentes - não as de contacto, nem as dos óculos, refiro-me às lentes de nevoeiro com que muita gente se apresenta, esquecendo-se de que, mais tarde ou mais cedo, o sol fará evaporar o tal nevoeiro, deixando a nu o que nos tentam "vender".
É, por vezes dá-me para isto: escrever sem ir ao ponto, escrever sem latitude... E porquê? Bem, neste caso, sem gato, porque achei que a imagem que aqui "postei" é realmente bonita. Mas cheira-me que, também ela, tem "gato". (risos)
Francisco Moreira
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Fim

Se há algo que nem eu nem absolutamente ninguém entende - mesmo dizendo o contrário, é o medo que se tem da morte, pelo menos quando se está perto dela, sejamos nós ou outras vítimas desse inquestionável "tem que ser".
Já sei que muitos jurarão não terem receio desse fim, alegando que o que mais os preocupa é o cenário em que tal pode acontecer. Todos, sem excepção, desejam ter uma morte rápida, de preferência no meio de um sonho "cor-de-rosa" e - "se não for pedir muito" - com "medalhas" ao peito.
Uma outra questão que, imagino, sempre se levanta, pelo menos naquela hora - a que se sabe ser a última, quando se sabe, é a de tentar a todo o custo remediar todos os males que se possam ter cometido, ao ponto de, num ápice, se perdoar a todos e a mais alguns, provavelmente com a esperança de que tal possa equilibrar o balanço que será apresentado como "carta de referências" no céu, no inferno ou noutro lugar qualquer.
Em resumo, com este tema que, só pelo seu assunto, já deve ter feito mudar de página muita e boa gente - que também morrerá!, lanço o mote para um pensamento mais profundo:
- Porque será que temos medo de morrer quando sabemos que, pelos testemunhos existentes (nenhum), não escaparemos a esse fim?
Bem, na tentativa de contribuir com uma reposta para tão "parva" pergunta, e sem me alongar muito, limito-me a acrescentar que, provavelmente, a morte não existe. Que isto a que chamamos vida, afinal, é um sonho e que, mais tarde ou mais cedo, verificaremos que, tal como nos outros sonhos, há dias em que temos pesadelos e noites em que nos deleitamos pelo paraíso.
O que fazer? Nada. Absolutamente nada. Embora, e já que não temos como comprovar o que aqui lanço em jeito de hipótese, o melhor mesmo será continuar a interferir o mais positivamente possível na vida, na nossa, seja ela de sonho ou real, com mais pétalas ou espinhos.
Francisco Moreira
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Ridículo

Estamos a necessitar urgentemente de voltar a ser românticos. Mas sê-lo com gestos, não apenas à custa do dizer que se é ou pensar que se é. É preciso fazer mais e não estar à espera dos dias de "S. Valentim" e daquelas outras datas que se impõe como obrigação porque é para isso que também existe o calendário.
É preciso fazer mais e melhor. É preciso demonstrar o que se sente e fazer "passar a palavra" de que a paixão, o amor e "derivados" não são ridículos.
E se o forem, que mal fará ao mundo?!
É principalmente nestas alturas de cinzentismo colectivo que se deve combater o cambalear dos dias com outras cores, por mais garridas que pareçam aos outros.
Que mal fará demonstrar que se gosta de alguém? Que mal fará agir em função do sentir?
Estamos a necessitar urgentemente de voltar a ser românticos, também fora das salas de cinema, aquelas que, por vezes, nos fazem sonhar com a paixão e com o amor, como se, nessa hora e meia, passando para o outro lado da tela, estivéssemos a cumprir o romantismo, o tal, o que não expomos mas que sentimos - acrescentamos, cá dentro.
Se sabe tão bem, fará assim tão mal?!
Ah! Já sei. Há que manter a postura, além do: " - O outro sabe-o!", já lhe foi dito vezes sem conta, naquela outra altura em que - aí sim! - fazia sentido ser-se e dizer-se que se é(ra) romântico.
Perdoem a correcção, mas este pensar e não agir é que são ridículos. (ponto)

Francisco Moreira
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Um Cêntimo

Depois de uma silenciosa mas atribulada guerra de palavras comigo mesmo, quando me impus parar, porque a cama também me chamava, reparei que o relógio do computador acusava proximidade às 6 e meia da manhã deste mesmo dia..
A guerra, composta de inúmeras micro-batalhas, feitas de adjectivos mim, foi saboreada à velocidade do vento, da chuva, da trovoada e, como não poderia deixar de ser - em mim, sob o signo da inspiração imposta.
Diz-se por aí "que o tem que ser, tem imensa força", e há que dar forma ao que me vai na mente, há horas, há dias...
Estou assim como o tempo de hoje, algo cinzento, de cansado, mentalmente falando, embora, acrescento, a esta hora já me sinta em piloto-automático, se tão experimentado que estou nestas andanças nocturnas e não noctívagas.
Na verdade, voltando ao cerne da questão, neste minuto, a vontade é a de regressar à primeira sílaba e mandá-la às favas em "correio azul". Mas como - conhecendo-me - sei que isso não acontecerá, lá terei que me sujeitar aos ajustes e reajustes na pior das fases da escrita - pelo menos para mim: aquela em que se tem obrigatoriamente que colocar em pé uma espécie de árvore de natal, começando pelo tronco - a estrutura, aquela tal parte que, assumo com todas as letras, é a menos interessante, a mais feia e irritante, já que prefiro sempre partir do zero, sem fio condutor.
Sim, eu sei, eu sei que depois chegarão as bolas, as fitas coloridas e a série, entre outros adereços, aqueles que, no fim, consta-se, fazem de um bolo sem sabor uma espécie de delícia viciante... Mas, até lá, neste difícil entretanto, o parto arranca, convulsão a convulsão, sílaba a sílaba, instante a instante...
Neste momento, assumo, trocaria esta espécie de tornado por um cêntimo, embora - e permitam que o revele em primeira mão, não seria um cêntimo qualquer.

Francisco Moreira

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