sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Degraus
Anda para aí muita gente a "meia-dúzia" de degraus do amor mas, mesmo assim, comporta-se como se estivesse num continente atravessado por dois oceanos. Nestas coisa do amor, o que tiver que ser, é.
Quer dizer, falar é fácil, e se for de "barriga cheia" ainda melhor.
No fundo, no fundo, com isto, quero apenas dizer que, se quem ama se esforçasse tanto no amor como se empenha na "guerra", teria muito mais "batalhas" para celebrar.
Cá por mim, apostaria no amor... Sempre dá para "sarar feridas" de outras "guerras", inclusive de amor.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
"Para aqui"
Um dia destes perguntaram-me onde vou "roubar" os textos, as frases, os pensamentos e as dissertações que "para aqui" escrevo.Lembro-me de ter respondido que efectivamente "roubo" e muito. "Roubo" as imagens com que tento ilustrar o que "para aqui" vou escrevendo...
Ah, pois, a pergunta era "onde roubo o que escrevo"... Bem, pensando melhor, "roubo" tudo a mim mesmo, ao autor.
Manias de quem "não tem mais nada para fazer"... nos intervalos.
Ponteiros
Mesmo quando me pergunto "que dia é hoje", fico sempre com a ideia que a resposta depende directamente da hora do dia em que me coloco a pergunta.Não sei porquê - ou melhor, sei mas não quero dizer, sinto que para mim, de manhã, o dia sabe a recesso, sabe a ontem. Por outro lado, quando chega a noite, sinto que já produzo para o dia seguinte e que o "hoje" já "aqui não está".
Se assim é, por estas contas, agora que o meu relógio jura serem 14H41, posso afirmar com todos os dentes que o hoje, a esta hora, é... hoje. Certo? Certo.
Até me apetece abrir uma daquelas garrafas de "Moet Chandon" para celebrar... É que, ao contrário do relógio, eu só "estou certo" uma vez ao dia.
Pena é só ter reparado hoje, quer dizer, ontem ou talvez amanhã... Afinal que horas são?
"Bois"
Sou daqueles que têm a certeza que, de orgulhoso e teimoso, todos temos um pouco. E, se calhar, não há mal nenhum nisso... Onde já se viu pessoas sem personalidade? Até pode ser menos vincada, mas está lá, na gema.
Onde se chega sem convicção? A lado nenhum, só se nos empurrarem.
É tudo uma questão de "termos". Se usarmos "uns" somos "terríveis" e se recorrermos a "outros" somos "intelectuais".
É nestas "trocas e baldrocas" de palavras que nos andamos a perder... Tenho saudade daquele tempo em que se chamavam os "bois pelos apelidos" e, entre um fino e um pires de tremoços, tinha-se orgulho em ser teimoso.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Candeia

Muitas vezes me pergunto se é aqui que quero estar, se é isto que quero fazer e, logicamente, o tradicional "para onde vou"...
Das mesmas vezes dou comigo a responder-me com a certeza do hoje e a prova do ontem debaixo do braço que me levará ao futuro...
Mas à minha volta nem sempre vejo acesa a tal "luz do túnel" que encandeia os projectos e os transforma em resultados ditos positivos.
É lógico que a vida é intermitente e vive - também ela, de "cortes" de luz, de pontes inacabadas e de perguntas ainda sem resposta...
Por outro lado, mesmo sem saber explica-lo em palavras, sei que há uma força que me empurra, que me coordena e me incentiva a continuar... Sempre com as provas debaixo do braço e a "candeia do sonho" a alumiar o meu caminho.
Porque não.
Já te disse que não!
Pára de espernear,
de arranjar artimanhas
e de me tentar comprar.
Não, não podes ir.
Já te provei que não!
Pára de mendigar,
de tentar fugir
e de me implorar.
Não, não podes ir.
Já te gritei que não!
Pára de ser criança,
de chorar em catadupa
e de me dizer... sim.
Nada
É uma pena quando os retratos já não condizem com o que se queria ser, com o que se sonhava ter, com o percurso que chegou a ser iniciado...Andam por aí tantas vidas desencontradas, abandonadas, vendidas, maltratadas, esquecidas, impregnadas, intoxicadas, enlouquecidas...
É uma pena tanta gente não ser o que quer, não fazer o que deseja, não conseguir o que sonhou...
A culpa? A culpa acaba sempre por não morrer solteira porque, aceite-se ou não, há sempre uma causa e um efeito, e é nessa matemática que o resultado se perde, se descola, se evapora, se vicia.
Pobre vida a dos que a trocaram por... nada.
Baixinho
Por vezes dou comigo a voar num sonho e a observar o mundo que habito todos os dias. Visto de cima, o meu mundo parece menos "asfixiante", menos intenso, mais acolhedor e prazeroso.Provavelmente, se pudéssemos voar, nem que fosse uma vez por ano, graças à perspectiva, teríamos uma outra forma de ver o nosso mundo e a forma como encaramos a nossa vida, a maneira como tanto a "agitamos".
Lá "de cima", parece tudo mais simples, mais saudável, mais "melhor bom" - como dizem as crianças. Só é pena que sejamos nós mesmos a cortar as próprias asas sem perceber que é graças a elas que podemos voar mais alto, que é com elas que o sonho fica menos distante da realidade. É uma pena voarmos cada vez mais "baixo", até parecemos "pinguins" em fila indiana...
Noite no Dia
e na sombra invento o personagem repetido.
Entre o vazio e o pavio afugento o escuro
porque não é de sorrisos que vive o prometido.
Já lá vai o sonho de acreditar mais além
e os projectos nunca passaram do papel.
Não aposto no meu tentar ser alguém
nem tão pouco sei a que sabe o mel.
Tufão da Gola Alta
Para descontentamento de muitos olhares, o verão "não foi o que era". Anda e andou tudo mais "tapadinho" do que as modas prometiam e, pior ainda, o calor esfriou ao fim de poucas horas.Muitos dizem que, a continuar assim, ainda vamos comer as "batatas com bacalhau" na esplanada improvisada na varanda ou, quiçá, vestir as fotografias dos calendários com medo que as "moçoilas" se constipem...
Até parece que o S. Pedro "enfiou-se no armário" e, para consegui-lo, agasalhou-se nos tops e nas mini-saias atirando-nos para os olhos os "sobretudos".
Vamos a isto!
Isto de regressar ao trabalho a (quase) full-time e com "extras" faz com que sinta uma espécie de "ferrugem" a travar os meus passos, os meus gestos e o meu pensamento... Hoje é o primeiro dia de mais uma série de corridas contra o tempo, de mais uma série de percalços e pormenores para resolver o quanto antes, de preferência "para ontem"... Sinto-me cansado, talvez por ter dormido mais do que o habitual, talvez por não estar habituado a parar, talvez por, pelo menos em pensamento, nunca conseguir estar em férias. Mas o mais interessante, dentro do desinteressante, é que gosto de estar ocupado, aprecio ter inúmeras tarefas para fazer e sentir que são as "dead line" que me controlam o tempo que escasseia, sempre.
Para ser verdadeiro, mesmo em férias (curtas), não cheguei bem a parar, não cheguei a entrar em férias e, pior ainda, estive sempre a injectar e a projectar "trabalhos" para o regresso, trabalhos que, no fundo, já começaram muito antes do calendário anunciar as ditas e passadas férias.
Agora, agora... é só não fazer das férias mentira e continuar a viver como sempre, ocupado com tudo e com nada. Enfim, à minha maneira.
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